A Amazônia, com seus rios caudalosos e áreas alagáveis que mudam drasticamente ao longo do ano, apresenta desafios únicos para a construção de pontes. Essas estruturas são essenciais para melhorar a mobilidade na região, mas sua construção é complexa e exige atenção a fatores como as variações nos níveis dos rios e as características do solo.
Um estudo de novembro de 2023, intitulado ‘Desafios na Construção de Rodovias no Ambiente Amazônico: Identificação de Problemas de Engenharia’, aponta que o solo amazônico, composto por sedimentos finos e pouco consolidados, dificulta a fundação de pilares e estruturas pesadas. A presença de bancos de areia móveis e material orgânico instável exige técnicas e estudos específicos para garantir a estabilidade das pontes.
Além disso, a logística é um fator importante. Muitas áreas da Amazônia permanecem isoladas pela falta de rodovias contínuas, transporte terrestre difícil e grandes distâncias entre as cidades. Em muitos casos, a navegação fluvial ainda é a principal forma de transporte, o que diminui a necessidade imediata de pontes.
Os grandes rios amazônicos apresentam flutuações anuais de nível que podem variar entre 4 e 15 metros, dependendo do local. Em áreas de várzea, as áreas inundadas podem atingir dezenas de quilômetros de largura. Isso exige projetos que acomodem essas variações e minimizem o risco de assoreamento e erosão.
Para a fundação das pontes em solos de planície aluvial, são utilizadas técnicas como estacas profundas, injeção de solo e estruturas que toleram recalques diferenciais. Diagnósticos rigorosos e soluções adaptativas são cruciais para o sucesso das obras.
A combinação desses fatores explica por que, em muitos trechos, balsas e barcas ainda são mais comuns do que pontes, mesmo quando a distância a ser vencida é considerável.
Exemplos de pontes na Amazônia
Ponte Jornalista Phelippe Daou (Ponte Rio Negro) – Manaus (AM) / Iranduba (AM): Concluída em 2011, com cerca de 3,6 km de extensão, é considerada a maior ponte estaiada do país sobre um rio amazônico, ligando Manaus à margem oposta do Rio Negro.
Ponte sobre o Rio Madeira (Abunã) – Rondônia: Inaugurada em 2021, eliminou a dependência de balsas em um trecho importante entre Rondônia e o Acre, facilitando o transporte e o escoamento da produção regional.
Ponte Mista de Marabá – Marabá (PA): Com 2.340 metros, atravessa o Rio Tocantins e é utilizada tanto para o transporte ferroviário quanto rodoviário.
Pontes internacionais
Ponte da Integração Brasil–Peru (Assis Brasil/AC e Iñapari): Atravessa o rio Acre na fronteira entre Brasil e Peru, conectando a cidade peruana de Iñapari ao município brasileiro de Assis Brasil (Acre).
Ponte Binacional Franco-Brasileira (BR-156): Liga Oiapoque (AP) a São Jorge do Oiapoque (Guiana Francesa) sobre o Rio Oiapoque.
Ponte sobre o Rio Mamoré (BR-425): Liga Guajará-Mirim (RO) a Guayaramerin (Bolívia).
Atualmente, a distribuição de pontes na Amazônia é concentrada em áreas urbanas e em rotas já estabelecidas, enquanto muitas regiões ainda dependem de travessias aquaviárias.









