Choque em Portugal: policiais são acusados de torturar imigrantes e moradores de rua, com relatos de violência e humilhação
Dois policiais de Portugal foram acusados de torturar imigrantes e pessoas em situação de rua, além de compartilhar imagens dos atos em um grupo de mensagens com outros policiais. O caso levou à abertura de um inquérito, informaram autoridades locais nesta sexta-feira (16).
Os dois agentes, ambos na faixa dos 20 anos, estão presos desde julho do ano passado e aguardam julgamento. Eles respondem por tortura, atos de crueldade e abuso de poder, conforme o indiciamento assinado pela Promotoria de Lisboa. Um dos policiais também foi acusado de estupro, roubo e falsificação.
De acordo com o documento da acusação, em um dos episódios, os agentes espancaram um imigrante marroquino dentro de uma delegacia por várias horas. A vítima foi forçada a beijar as botas dos policiais enquanto um deles gritava, em inglês: “Bem-vindo a Portugal!”.
A promotora Felismina Franco destacou que “as vítimas eram sistematicamente escolhidas entre pessoas particularmente vulneráveis, ou seja, sem-teto, fisicamente fracas, com dificuldades econômicas”. Ela acrescentou: “Essa circunstância revela atos de violência pura e gratuita dirigidos àqueles que não tinham condições de oferecer resistência.”
O Ministério do Interior afirmou à Reuters que “lamenta profundamente esse comportamento e todas as ações que infringem os direitos dos cidadãos”, ressaltando que os episódios não representam a conduta geral dos profissionais da polícia. A Inspetoria-Geral abriu um inquérito separado para investigar a possível participação de outros policiais.
A Anistia Internacional, em sua filial portuguesa, informou ter recebido relatos sobre outros casos de tortura. A organização alertou que o compartilhamento de imagens e mensagens sobre os abusos em chats e redes sociais “demonstra um enorme senso de impunidade”, embora as denúncias tenham partido de dentro da própria comunidade policial. A Anistia Internacional pediu a criação de um órgão externo e independente de supervisão policial, além da ampliação do uso de câmeras em delegacias, viaturas e durante abordagens.
Com informações do G1










