A chegada da poeira do Saara à Amazônia, embora surpreenda muitos, é um fenômeno natural documentado desde 2019. Estudos indicam que cerca de 182 mil toneladas de poeira atravessam o Oceano Atlântico anualmente, impactando positivamente o ecossistema amazônico.
Pesquisas da NASA, divulgadas em 2021, revelaram que essa ‘pluma’ de poeira transporta aproximadamente 22 mil toneladas de fósforo, crucial para a nutrição das plantas na região. “Todo o ecossistema da Amazônia depende do pó do Saara para reabastecer suas reservas de nutrientes perdidos”, afirma o coordenador do estudo, Dr. Hongbin Yu.

Apesar da ocorrência anual, a poeira do Saara não é visível a olho nu. Moradores de cidades como Macapá (AP) frequentemente confundem a neblina causada pela umidade com a poeira do deserto, conforme explica o meteorologista Jeferson Vilhena, do Iepa. O transporte dessas partículas é intensificado durante o verão do hemisfério sul, facilitado pela zona de convergência intertropical.
A poeira é carregada pelos Ventos Alísios, formando rios atmosféricos de sedimentos visíveis do espaço. Ao chegar à Amazônia, a deposição ocorre de duas formas: seca, quando a poeira se assenta sobre as árvores, e úmida, quando as chuvas a levam para o solo. Rica em fósforo e ferro, a poeira contribui para a adubação da terra, embora possa afetar a qualidade do ar em pequena escala.
As partículas higroscópicas auxiliam na formação de nuvens de chuva, mas não geram formações visíveis como as vistas em desertos. O fenômeno, que pode alcançar países como Brasil, Guiana Francesa e Suriname, é monitorado por sensores específicos.
Com informações do Portal Amazônia.










