Em trecho do rio Madeira, pirarucu é considerado invasor e abate ilimitado foi autorizado pelo Ibama. Entenda os motivos
O pirarucu, um dos maiores peixes de água doce da Amazônia, passou a ser tratado como espécie invasora em um trecho do rio Madeira, em Porto Velho, acima da barragem de Santo Antônio. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) oficializou a mudança nesta semana, liberando o abate do peixe sem limite nessa região.
A medida permite que pescadores profissionais e artesanais capturem e abatam o pirarucu sem restrições de quantidade, tamanho ou época do ano. A decisão se baseia nas mudanças ambientais que facilitaram a expansão do peixe para áreas onde antes não existia.
De acordo com a doutora em Biodiversidade e Biotecnologia, Dayane Catâneo, a expansão do pirarucu está ligada à alteração do rio. Anteriormente, a espécie era encontrada principalmente abaixo da antiga Cachoeira de Santo Antônio, onde as corredeiras funcionavam como uma barreira natural. “Com as alterações no rio, essas barreiras deixaram de existir, facilitando a chegada do peixe a novos trechos”, explica.
O pirarucu é um predador de topo da cadeia alimentar e não possui predadores naturais na região. Ao ocupar novos ambientes, ele pode reduzir a população de outras espécies nativas e desequilibrar o ecossistema aquático. “Como o é um predador forte, o pirarucu pode diminuir outras espécies e mudar o equilíbrio do rio. Por isso, mesmo sendo da Amazônia, ele é considerado invasor nessas regiões específicas, onde pode causar impactos ao meio ambiente”, afirma Dayane Catâneo.
O Ibama autorizou a captura e o abate sem limite do pirarucu acima da barragem de Santo Antônio. Os peixes capturados não podem ser devolvidos à natureza e devem ser abatidos. A comercialização dos produtos da pesca é restrita ao estado de origem, sob pena de apreensão caso sejam transportados para outros estados.
Governos estaduais e municipais podem incentivar ações de controle da espécie, e o pirarucu abatido poderá ser destinado a programas sociais, como merenda escolar e hospitais públicos. Em unidades de conservação, o controle dependerá de autorização dos gestores e planos de manejo específicos. A decisão será reavaliada em três anos para verificar sua eficácia.
Dayane Catâneo ressalta que o problema não está no peixe em si, mas nas mudanças ambientais que permitiram sua expansão. “Por isso, ela defende o controle da espécie como uma forma de evitar impactos maiores na biodiversidade local.”
Com informações do G1










