Pesquisadores do Brasil e da França estão em campo no Amapá, em uma expedição que busca mapear e catalogar as diferentes espécies de maracujá (gênero Passiflora) encontradas no estado. A iniciativa, chamada Expedição Passion Amapá, acontece entre os dias 10 e 23 de novembro, ao longo da BR-156, de norte a sul.
O objetivo principal é atualizar o conhecimento científico sobre a flora local, especialmente no que diz respeito aos maracujás, e usar essas informações para fortalecer as políticas de conservação ambiental no Amapá. A pesquisa envolve a coleta de dados precisos sobre a localização das espécies, a coleta de amostras botânicas e a análise do DNA para identificar as características genéticas de cada tipo.
“O projeto surgiu da necessidade de estudar as espécies de maracujá presentes no Amapá, que ainda são pouco conhecidas”, explica Gabrielly Guabiraba Ribeiro, doutoranda e pesquisadora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), natural do Amapá. “O Maxime [Rome, coordenador da expedição] já pesquisou o gênero em outras áreas das Guianas, mas faltava uma investigação mais detalhada no nosso estado.”
Os dados coletados durante a expedição serão utilizados para criar um inventário completo das espécies de maracujá no Amapá. As informações serão disponibilizadas no GenBank, uma plataforma global de dados genéticos, permitindo que outros pesquisadores de todo o mundo acessem e utilizem os resultados.
A expedição conta com a participação de pesquisadores do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), do Institut de Recherche pour le Développement (IRD, da França), do Instituto Federal do Amapá (Ifap) e da Universidade do Estado do Amapá (Ueap). A coordenação geral é do engenheiro de pesquisa Dr. Maxime Rome, do Muséum national d’Histoire naturelle de Paris (MNHN).
O nome “maracujá” tem origem tupi, significando “alimento em forma de cuia” (“mara kuya”). Em outras partes do mundo, o fruto é conhecido como passion fruit ou fruit de la passion, nomes que remetem à flor e à associação feita pelos jesuítas com a Paixão de Cristo.
Apesar da vasta área preservada no Amapá, a flora ainda não foi completamente documentada. Pesquisas como a Expedição Passion Amapá são importantes para ampliar o conhecimento científico e fornecer informações valiosas para a conservação da biodiversidade amazônica.












