A maioria dos brasileiros ainda tem uma visão distante da Amazônia, como um lugar mítico e pouco conhecido. A conclusão é de uma pesquisa intitulada “O que o Brasil pensa da Amazônia”, encomendada pela Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia (ASSOBIO), em parceria com a FutureBrand São Paulo e com o apoio do Fundo Vale.
O levantamento aponta que 65% dos brasileiros desconhecem a Amazônia, seja por nunca terem visitado a região, seja por acompanhar as notícias apenas quando ocorrem eventos de grande repercussão, como desmatamentos ou crises ambientais. A pesquisa foi apresentada durante o painel “O que o Brasil pensa da Amazônia”, realizado em Belém, a bordo do barco Banzeiro da Esperança.
Apesar desse distanciamento, a pesquisa revela um sentimento positivo em relação à Amazônia. Surpreendentemente, apenas 35% dos entrevistados reconhecem a existência de grandes cidades na região. Paulo Reis, presidente da ASSOBIO, explica que a Amazônia vai muito além dos problemas ambientais: “Existe um modelo econômico chamado de sociobioeconomia que comprova que é possível desenvolver e produzir com os insumos da floresta, gerar renda, conservar a natureza e fortalecer as comunidades locais. É isso que estamos mostrando nesta COP.”
O termo “bioeconomia”, no entanto, ainda é pouco familiar para a maioria dos brasileiros, com apenas 34% afirmando compreendê-lo, geralmente associando-o à sustentabilidade. Apesar disso, 82% acreditam que é possível desenvolver a Amazônia sem destruí-la, e 83% veem no consumo de produtos amazônicos uma forma de apoiar as comunidades locais.
A dificuldade de acesso a esses produtos ainda é um obstáculo: 54% dos brasileiros afirmam não encontrar produtos amazônicos onde vivem, e 34% não sabem identificá-los. A confiança em selos e certificações é alta, com 84% dos entrevistados afirmando acreditar na garantia de origem e responsabilidade ambiental que eles oferecem. Além disso, 42% demonstraram interesse em consumir produtos da bioeconomia, especialmente alimentos (84%) e cosméticos (80%).
Lançada durante a Climate Week em Nova York, a pesquisa serve como um importante termômetro para o debate que deve ganhar força com a realização da COP30 em Belém. Márcia Soares, gerente de Amazônia e Parcerias do Fundo Vale, ressalta a diversidade da região: “A Amazônia não cabe em um único modelo. É um território diverso, com realidades e maturidades socioeconômicas muito distintas. Por isso, nosso foco tem sido construir arranjos de impacto positivo adaptados às realidades e necessidades de cada localidade. A COP está aproximando o mundo, mas especialmente o Brasil, da Amazônia.”
O estudo reforça que a Amazônia é um reflexo do Brasil e pode se tornar um modelo econômico para o mundo.










