Uma pesquisa coordenada pela UFPA e pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) revelou artefatos que datam de 2.700 anos atrás, oferecendo novas pistas sobre a história dos povos que habitaram a região de Barcarena, no Pará. Cacos de cerâmica, conchas, restos de ossos e objetos de pedra foram encontrados no sítio-escola de arqueologia, localizado na comunidade do Jacarequara, na Ilha de Trambioca.
Os achados indicam a importância do local como moradia e palco de festas e rituais para esses antigos habitantes. Desde 2012, o Museu Emílio Goeldi realiza pesquisas no Sítio Sambaqui Jacarequara, que apontam para a antiguidade da ocupação através de amontoados de conchas, terra preta com cerâmicas, ossos, sementes, carvões e objetos de pedra.

O projeto atual, “Florestas Culturais e Territorialidades na Amazônia Oriental Pré-Colonial”, coordenado por professores da UFPA e do MPEG, selecionou o local para sediar o sítio-escola em 2024, aprofundando os estudos iniciados anos atrás. “A arqueologia se constrói a partir de questões e hipóteses. No caso do Jacarequara, estas tiveram início com as pesquisas da arqueóloga aposentada do Museu Goeldi Maura Imázio da Silveira. Agora, podemos refinar e ampliar os questionamentos e as hipóteses sobre a formação do sítio e o modo de vida de seus habitantes”, explica a professora Daiana Travassos Alves.
As análises preliminares revelam uma dieta rica em pescados e caça, indicando um território com grande biodiversidade. A construção de sambaquis, fenômeno comum em áreas costeiras, é um dos focos da pesquisa, com o sambaqui Jacarequara apresentando características únicas, como cerâmicas semelhantes às do salgado, mas com elementos decorativos encontrados em sítios arqueológicos do Marajó. A próxima etapa envolve análises laboratoriais aprimoradas para entender melhor a ocupação do território e o modo de vida dos seus habitantes.
Além da pesquisa, o sítio-escola tem um forte componente educacional, proporcionando aos estudantes a oportunidade de vivenciar a prática arqueológica em campo e laboratório. “A formação de recursos humanos é um dos pilares do projeto. O sítio-escola proporcionou uma prática que os bolsistas do projeto não teriam se ficassem restritos aos estudos laboratoriais com coleções”, destaca a professora Daiana Travassos Alves.

Com informações do Portal Amazônia.












