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06 de fevereiro de 2026

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Pesquisa arqueológica no Pará revela segredos de povos antigos da Amazônia

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O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) acompanha a segunda etapa do projeto ‘Janelas para a biodiversidade do baixo Amazonas (JABBA)’, que investiga sambaquis na Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre, em Porto de Moz (PA). A iniciativa, coordenada pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e pelo Museu Nacional de História Natural de Paris, combina escavações arqueológicas com atividades de divulgação científica junto à comunidade local.

O objetivo central é estudar esses antigos monumentos indígenas – construídos com sedimentos, conchas, restos de animais e vegetais – por meio de ciências participativas. Os sambaquis revelam informações sobre as formas de vida dos povos que habitaram o Baixo Amazonas, o manejo das paisagens de várzea e as mudanças climáticas ao longo do tempo, subsidiando estratégias de proteção territorial.

Pesquisas na Resex Verde para Sempre
O projeto de pesquisas conta com a participação de estudantes, professores, pesquisadores e colaboradores de instituições brasileiras e do exterior. Foto: Ronald Azulay/ICMBio

“Os sambaquis são sítios que possuem uma conservação excepcional dos restos orgânicos, assim, esta descoberta representa uma grande oportunidade para compreender melhor como as populações que os construíram se relacionavam com o meio ambiente”, destaca a pesquisadora Gabriela Prestes Carneiro, da UFOPA e do Museu Nacional de História Natural de Paris. A comunidade local foi fundamental para a descoberta do sítio Munguba, conhecido como um “pedral”, em 2022.

As escavações recentes revelaram diversas camadas arqueológicas sob o “pedral”, incluindo madeiras que podem ser de esteios de casas ou palafitas. Análises das madeiras buscarão identificar espécies e correlacionar anéis de crescimento com eventos climáticos passados. Datações preliminares indicam ocupação do sambaqui entre 3.800 e 500 anos atrás, por diferentes grupos humanos.

Pesquisas com atividade de escavação para a turma de arqueologia mirim da Escola Nossa Senhora do Carmo. Foto: Divulgação/Projeto Jabba

Estudos da vegetação e fauna do entorno também estão em andamento para comparar as condições ambientais atuais com as do passado.

Até o momento, foram identificadas diversas espécies de peixes típicas de águas calmas, como pirambóia, pirarucu e muçum, além de vestígios de consumo de tartarugas, jacarés, peixes-boi, veados e porcos-do-mato. A análise botânica revelou a presença de sementes e restos de plantas que não ocorrem mais na região, como taperebá, uxi e maracujás, indicando que o sítio era rico em espécies frutíferas. O sítio Munguba possui cerca de 60 sepultamentos registrados, o que demonstra a importância do local para as populações indígenas do passado.

O projeto envolve instituições brasileiras (UFOPA, UFAM, UEA, MPEG, UNIFESP, USP) e estrangeiras (Museu Nacional de História Natural de Paris, Université Paris 1 Panthéon Sorbonne, Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology), e busca o diálogo com a comunidade local, incluindo atividades educativas para crianças da escola Nossa Senhora do Carmo. Ao compreender as práticas de uso e manejo sustentável da paisagem no passado, o projeto contribui para a conservação da Resex Verde para Sempre.

Imagem: Reprodução/ Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

Com informações do Portal Amazônia.

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