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Pesquisa aponta pulverização no mercado de influenciadores digitais

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Pesquisa aponta pulverização no mercado de influenciadores digitais

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Estudo, realizado em cinco países, entrevistou 100 pessoas no Brasil

Uma pesquisa divulgada durante o Festival 3i, no Rio de Janeiro, revelou que o mercado de influenciadores digitais é bastante diversificado. O estudo analisou os motivos que levam os jovens a seguir determinados perfis nas redes sociais e a influência desses perfis na formação de opiniões e atitudes políticas.

No Brasil, 100 questionários foram aplicados e os participantes citaram espontaneamente os influenciadores que seguem. Foram mencionados 701 nomes, dos quais 72,6% foram citados apenas uma vez e apenas 3,7% receberam cinco ou mais menções.

“Em outros países da América Latina ocorre o mesmo fenômeno”, disse a cientista política Camila Rocha, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Ela apresentou os dados durante o Festival 3i, promovido pela Associação de Jornalismo Digital (Ajor). O evento, realizado desde 2017, reúne especialistas para debater temas variados sobre jornalismo.

Além do Brasil, a pesquisa foi realizada em mais quatro países e envolveu 350 jovens de 16 a 24 anos. No México, também foram aplicados 100 questionários. No Chile, Colômbia e Argentina, foram entrevistados 50 jovens em cada país. Também foram feitas entrevistas com influenciadores e grupos focais com 90 participantes. Os resultados completos serão divulgados posteriormente pelo Cebrap.

Influenciadores Mais Citados no Brasil

No Brasil, Virgínia Fonseca lidera a lista de influenciadores mais mencionados, com 30 citações entre os 100 entrevistados, o dobro do segundo colocado, Carlinhos Maia. Outros nomes citados foram Rayssa Buq, Neymar, Mirella Santos, Mel Maia, Felipe Neto, Whindersson Nunes, Vanessa Lopes e Mari Maria.

Expansão do Mercado

O mercado de influenciadores digitais está crescendo rapidamente. Um relatório do banco Goldman Sachs, divulgado no mês passado, estima que esse mercado deve movimentar US$ 480 bilhões até 2027, dobrando de tamanho. Segundo Camila Rocha, a pesquisa destacou a presença de influenciadores mais locais, que mantêm uma relação próxima com seus seguidores. Um exemplo é Bianca Santos, maquiadora profissional que viralizou nas redes sociais durante a pandemia.

“Eu sou maquiadora profissional e, na época da pandemia, fui muito afetada porque eu trabalho no ramo de noivas. Vários eventos foram cancelados ou adiados, e aí eu comecei a fazer vídeo no TikTok, no Instagram e em outras redes sociais. Eu viralizei e foi um mundo totalmente diferente para mim. Comecei a gravar vídeos me maquiando. Era um desafio porque eu não tinha costume de aparecer. Eu morria de vergonha”, disse Bianca.

Redes Sociais Mais Usadas

As três redes sociais mais usadas pelos participantes brasileiros da pesquisa são Instagram, WhatsApp e TikTok. Os principais motivos para seguir um influenciador são a coerência e consistência das atitudes e a especialidade no conteúdo. Já as principais razões para deixar de seguir um influenciador são a discordância com suas opiniões e o excesso de marketing.

A pesquisa também mostrou que obras sociais, sorteios de prêmios e ações beneficentes são vistas de forma positiva pelos fãs. Publicidades em si não são um problema, desde que não haja quebra de expectativas com a promoção de produtos caros, de má qualidade ou prejudiciais.

Relação com Influenciadores

A relação entre fãs e influenciadores é baseada na confiança, proximidade e autenticidade. Contudo, essa conexão pode ser rompida. Além de buscar rendimentos, os jovens procuram acolhimento emocional nas redes sociais, apesar de haver casos de ansiedade, inclusive entre os próprios influenciadores.

Os resultados no Brasil também destacam a competição por audiência entre veículos jornalísticos e outros canais informativos. Oito perfis tiveram pelo menos 53% de citações: G1, Choquei, UOL, Hugo Gloss, Jovem Pan, Folha, Alfinetei e Fofoquei. Já os veículos de jornalismo independente, como Agência Pública, Alma Preta e Intercept, tiveram entre 7% e 5% de menções, exceto a Mídia Ninja, reconhecida por 32%.

Influência Política

Camila Rocha lembrou que pesquisas anteriores mostram maior alinhamento entre influenciadores digitais e líderes políticos de extrema-direita. Ela citou o monitoramento feito pela antropóloga Rosana Pinheiro-Machado nas eleições de 2022, que revelou que 88% dos maiores influenciadores do país demonstraram proximidade com o bolsonarismo.

A nova pesquisa buscou entender melhor essa influência política. No Brasil, mais da metade dos entrevistados segue influenciadores que se posicionam politicamente. Contudo, 40% preferem discutir política pessoalmente, e não nas redes. Conteúdos políticos “incidentais” são mais bem recebidos, surgindo de forma natural em meio a outros assuntos.

Entre os influenciadores mais citados, o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) são os únicos políticos mencionados. Quando perguntados diretamente, 42% dos entrevistados disseram seguir o presidente Luís Inácio Lula da Silva, enquanto 30% seguem Jair Bolsonaro.

Racismo nas Redes

Outro estudo divulgado no Festival 3i monitorou manifestações de racismo contra 26 personalidades, incluindo Lázaro Ramos e Vinícius Júnior. Foram identificadas quatro estratégias discursivas: desumanização, desqualificação de comportamentos, invisibilização e desinformação. A pesquisa foi conduzida pelo Aláfia Lab e destacou um aumento nos ataques quando perfis interagem com as personalidades monitoradas.

Nina Santos, diretora da Aláfia Lab, ressaltou que os autores de manifestações racistas utilizam estratégias para escapar da moderação de conteúdo, como modificar palavras usando números no lugar de letras.