Uma pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) está gerando preocupação na comunidade científica internacional. Publicado na revista Science, o estudo investiga o misterioso declínio populacional de aves em florestas tropicais intactas da Amazônia, um fenômeno que pode anunciar uma nova “primavera silenciosa” causada pelas mudanças climáticas.
O projeto IRRIGA, coordenado pela professora Cintia Cornelius, buscou entender se a redução das chuvas e o aumento das temperaturas afetam as aves. Para isso, os pesquisadores criaram uma área de irrigação experimental na Fazenda Experimental da Ufam, simulando as condições climáticas da década de 1980, quando as chuvas eram mais abundantes.
Os resultados preliminares são promissores: aves capturadas em áreas irrigadas apresentaram melhor nutrição, maior acúmulo de gordura e sinais de maior sucesso reprodutivo em comparação com as aves em áreas não irrigadas. Mesmo em anos com extremos climáticos, os dados sugerem que estações secas mais úmidas beneficiam as aves, indicando que a disponibilidade de alimentos (insetos) está diretamente ligada às mudanças climáticas.

O declínio é mais evidente em aves insetívoras que vivem próximas ao solo, como o uirapuru-veadeiro, cujo canto está se tornando cada vez mais raro. A perda dessas aves pode desequilibrar ecossistemas inteiros, já que elas desempenham papéis importantes na polinização, dispersão de sementes e controle de pragas.
A pesquisa também se estende a outros grupos de animais, como mamíferos, utilizando câmeras e gravadores autônomos. A professora Cintia Cornelius destaca a importância do projeto para o desenvolvimento da pesquisa acadêmica na região e a busca por financiamento para dar continuidade aos estudos, que são cruciais para o futuro da Amazônia.
O termo “primavera silenciosa” remete ao livro de Rachel Carson publicado em 1962, que alertava para os efeitos nocivos do pesticida DDT na vida selvagem. A obra foi um marco para o movimento ambientalista e levou à proibição do DDT em diversos países.
Com informações do Portal Amazônia.









