Uma pesquisa aprovada pelo CNPq, conduzida pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), investigará a comunicação de risco em crises sanitárias envolvendo povos indígenas no Brasil e na Bolívia. O projeto visa fortalecer a saúde indígena e contribuir para políticas públicas mais eficazes e culturalmente adequadas na região amazônica.
Coordenada pelo professor Allysson Martins, a pesquisa ‘Comunicação de risco em saúde indígena: experiências e aprendizados em crises sanitárias no Brasil e na Bolívia’ conta com a participação de mais de dez pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais. A iniciativa surge da necessidade de entender como a comunicação pode ser otimizada para alcançar e proteger essas populações, especialmente em momentos de surtos de doenças como Covid-19, dengue e zika.

O estudo, com duração de dois anos (dezembro de 2025 a novembro de 2027), focará na Amazônia Legal brasileira, onde vivem mais de 51% dos indígenas do país. A pesquisa busca identificar como adaptar as mensagens de saúde à cultura local, superando barreiras linguísticas, culturais, territoriais e institucionais. “As barreiras linguísticas, culturais, territoriais e institucionais precisam ser consideradas nos processos estabelecidos nos dois países”, afirma Martins.
A pesquisa comparará a abordagem brasileira com o modelo boliviano, que já incorpora o Modelo Intercultural Comunitário de Saúde (SAFCI), integrando a medicina tradicional ao sistema estatal e utilizando idiomas nativos em campanhas. “É possível que medidas como essa apresentem efeitos positivos que possam inspirar melhorias nas políticas públicas brasileiras”, explica o pesquisador. A investigação incluirá visitas de campo no Brasil (DSEI Alto Rio Solimões e SESAI em Brasília) e na Bolívia (região de Beni).
Além de publicações científicas, o projeto prevê a criação de diretrizes práticas para gestores públicos e materiais informativos bilíngues para as comunidades indígenas. O objetivo é subsidiar políticas mais inclusivas e sensíveis, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente na redução das desigualdades e na promoção da saúde.

Segundo Martins, durante a pandemia de covid-19, a ausência de campanhas culturalmente adaptadas resultou em taxas de infecção e mortalidade desproporcionalmente altas entre os povos indígenas. No Brasil, embora existam os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), eles ainda enfrentam desafios como o subfinanciamento e a dificuldade de integrar práticas tradicionais à medicina biomédica. “A nossa hipótese é a de que abordagens que incorporaram saberes tradicionais, o uso de línguas nativas e a mediação com lideranças locais apresentam maior eficácia e adesão às medidas de prevenção”, explica o coordenador e pesquisador Allysson Martins.
Com informações do Portal Amazônia.










