Caso choca Rondônia: casal de pastores é preso sob suspeita de torturar a própria filha até a morte em Porto Velho
O pai e a madrasta da adolescente Marta Isabelle dos Santos, encontrada morta com sinais de tortura em Porto Velho, se identificavam como pastores em redes sociais. Callebe José da Silva e Ivanice Farias de Souza foram presos sob suspeita de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. A avó paterna da menina, Benedita Maria da Silva, também foi detida.
O casal compartilhava nas redes sociais a rotina na congregação “Ministério Profético Apocalipse”, com vídeos e fotos de celebrações, pregações e momentos com os frequentadores da igreja. Segundo relatos de familiares, Callebe e Ivanice estavam juntos há cerca de quatro anos e residiam no setor chacareiro da cidade. A mãe de Marta e outros parentes moram na Paraíba.
Durante depoimento à polícia, Ivanice alegou que Callebe não permitia que ela saísse ou namorasse, e por isso decidiu manter a filha presa. Ela também afirmou que nunca procurou ajuda das autoridades ou de terceiros por medo de represálias do marido. “Dizem que a gente sabia, mas não sabíamos de nada. Se soubéssemos, jamais teríamos permitido. Eles privaram ela de tudo: celular, redes sociais, contato com a família”, relatou um familiar.
Callebe, por sua vez, alegou que Marta era “muito agressiva” e que, para proteger sua esposa, decidiu imobilizá-la. Essa versão é contestada pela família da adolescente. Uma tia de Marta contou que a menina era querida por todos, adorava cantar na igreja e tinha o sonho de concluir os estudos.
O corpo de Marta foi encontrado deitado em uma cama, coberto por um lençol e utilizando fralda descartável. Apresentava sinais de desnutrição, ossos expostos, ferimentos com larvas e marcas que indicavam imobilização prolongada. Questionado sobre o estado da filha, Callebe disse não saber o que havia acontecido, enquanto Ivanice afirmou que cuidava das feridas e tinha consciência da gravidade da situação. Ambos os depoimentos foram registrados pela polícia.
Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra Marta cantando durante um culto. Esse foi o último registro em vida da adolescente ao qual a família teve acesso. A investigação prossegue para esclarecer todos os detalhes do caso.
Com informações do G1










