Um padre que dedicou sua vida à região amazônica acaba de ser beatificado pelo Papa Francisco. Trata-se de Nazareno Lanciotti, missionário italiano assassinado em 2001 no interior do Mato Grosso, que teve sua beatificação reconhecida em abril deste ano.
Padre Nazareno chegou ao Brasil em 1971, através da Operação Mato Grosso, um movimento de voluntariado que oferece apoio social e educação em áreas carentes. Logo se estabeleceu na pequena aldeia de Jauru, na fronteira com a Bolívia, onde atuou por mais de 30 anos.
Na comunidade, o padre fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar em 1974 e ajudou a criar 57 comunidades eclesiais rurais. Além disso, construiu a casa de repouso Coração Imaculado de Maria e uma escola que oferecia educação e alimentação para crianças da região.
A atuação de padre Nazareno não se limitava ao trabalho social e religioso. Ele se tornou conhecido por denunciar esquemas de tráfico de drogas, exploração de menores e redes de prostituição que atuavam no oeste do Mato Grosso, confrontando interesses poderosos e recebendo ameaças por conta disso.
Em 1987, ingressou no Movimento Sacerdotal Mariano, tornando-se presidente nacional e organizando eventos de oração por todo o país. Também se dedicou a melhorar a infraestrutura local, buscando recursos para ampliar o pequeno hospital da região, onde muitas crianças morriam devido à falta de assistência médica.
A Arquidiocese de Cuiabá destacou o compromisso de padre Nazareno com a justiça social e a defesa dos mais vulneráveis. Sua luta contra a exploração e a violência o transformou em um alvo, culminando em seu assassinato.
Assassinato e investigações
Na noite de 11 de fevereiro de 2001, após celebrar uma missa, padre Nazareno foi surpreendido por dois homens encapuzados que exigiram dinheiro. Ao responder que conseguiria o valor no dia seguinte, quando os bancos abrissem, um dos criminosos disparou contra ele, atingindo a coluna vertebral. O assassino teria sussurrado que o padre “incomodava gente poderosa”.
Levado para um hospital em Cuiabá, padre Nazareno não resistiu aos ferimentos e faleceu em 22 de fevereiro de 2001, aos 61 anos. As investigações sobre o caso nunca chegaram a uma conclusão definitiva, deixando dúvidas sobre a identidade dos mandantes do crime.
O processo de beatificação
No Vaticano, o processo de reconhecimento da santidade é rigoroso. Após a análise de sua vida e virtudes, padre Nazareno foi declarado Servo de Deus e, posteriormente, Venerável. A comprovação de um milagre atribuído à sua intercessão foi fundamental para a beatificação, concedida pelo Papa Francisco.
Com a proclamação, padre Nazareno Lanciotti é oficialmente Beato, podendo ser cultuado pelos fiéis, especialmente nas comunidades onde atuou e deixou um legado de fé, solidariedade e defesa dos mais necessitados.








