A pacarana (Dinomys branickii) é um verdadeiro tesouro da Amazônia e um dos maiores roedores do mundo, chegando a pesar até 15 kg e medir 80 centímetros. Considerada um “fóssil vivo”, ela é a última representante de uma linhagem de roedores gigantes que habitavam a América do Sul em tempos pré-históricos.
Com seu corpo robusto, cauda curta e pés adaptados para terrenos montanhosos, a pacarana se destaca pela pelagem marrom-escura com manchas e listras brancas. É um animal herbívoro que se alimenta de frutos, sementes, folhas e caules.
Para entender melhor essa espécie fascinante, o Portal Amazônia conversou com a bióloga Joseline Guimarães, gerente do Parque Ambiental Chico Mendes, em Rio Branco (AC). Ela compartilhou cinco curiosidades sobre a pacarana:
- Comunicação sutil: A pacarana se comunica através de sons suaves, como ronronados, e pequenas batidas com os dentes, usados para interação social.
- Inteligência observadora: A pacarana é um animal inteligente que observa e avalia o ambiente com atenção, memorizando caminhos e trilhas até sua toca.
- Alimentação refinada: Diferente de outros roedores grandes, a pacarana se senta sobre as patas traseiras e segura o alimento com as dianteiras, demonstrando uma coordenação motora delicada.
- Reprodução lenta: A pacarana tem uma taxa de reprodução baixa, com ninhadas pequenas e longos intervalos entre as gestações, o que contribui para a raridade da espécie.
- Hábitos noturnos: A pacarana é um animal noturno, que se abriga em tocas, fendas rochosas ou troncos ocos durante o dia, o que dificulta sua observação.
Apesar de sua importância, a pacarana é classificada como “vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). O desmatamento e a presença humana em seu habitat natural são as principais ameaças à sua sobrevivência.
A pacarana depende de florestas densas e bem conservadas, com abundância de vegetação e recursos alimentares. O avanço da agropecuária, a abertura de estradas e a caça ameaçam esses habitats, isolando as populações remanescentes.
“A pacarana é um mistério vivo da floresta amazônica: tímida, graciosa e cheia de nuances. Cada novo registro nos mostra que ainda conhecemos muito pouco sobre sua ecologia e comportamento, e reforça a importância de preservar seu habitat e os fragmentos florestais onde ela resiste”, conclui Joseline Guimarães.
Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar









