Acordo UE-Mercosul causa crise na França: oposição apresenta moções de censura contra o governo Macron
O governo francês enfrenta forte reação política após a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. Partidos de oposição, tanto da extrema direita quanto da extrema esquerda, apresentaram moções de censura contra o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, criticando a decisão de não bloquear o acordo.
O partido França Insubmissa (LFI) apresentou uma moção na sexta-feira (9), enquanto o Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, anunciou que também apresentará uma moção, direcionada ao presidente da Comissão Europeia. Apesar das ameaças, analistas consideram improvável que as moções consigam votos suficientes para derrubar o governo, especialmente em um contexto de falta de maioria governista no parlamento francês.
A insatisfação com o acordo reflete preocupações internas sobre o impacto nas agriculturas francesas. Opositores temem o aumento de importações de alimentos mais baratos, como carne bovina, aves e açúcar, prejudicando os produtores locais. A França obteve algumas concessões de Bruxelas para mitigar esses efeitos, mas a mobilização da opinião pública contra o acordo foi bem-sucedida.
Apesar de ter votado contra o acordo, a França não conseguiu impedir sua aprovação, já que o tratado exige apenas maioria qualificada entre os Estados-membros da UE. Jordan Bardella, presidente do RN, criticou a postura de Macron, classificando-a como “uma traição aos agricultores franceses”. Marine Le Pen chegou a pedir que Macron ameaçasse suspender a contribuição francesa para o orçamento da UE. Mathilde Panot, do LFI, declarou que a França foi “humilhada” por Bruxelas e no cenário mundial, afirmando: “Lecornu e Macron devem sair”.
O primeiro-ministro Lecornu defendeu a posição da França, argumentando que as moções de censura enviam um sinal negativo e prejudicam as negociações orçamentárias. Ele criticou a oposição por “optar por enfraquecer a voz da França em vez de demonstrar unidade nacional em defesa da nossa agricultura”.
A aprovação do acordo, considerado o maior acordo de livre comércio já negociado pela UE, ocorreu após mais de 25 anos de negociações. A Comissão Europeia e países como Alemanha e Espanha defendem que o acordo ajudará a compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas dos EUA e a reduzir a dependência da China. Analistas, como Stewart Chau do Verian Group, apontam que o acordo pode impulsionar o RN nas eleições presidenciais de 2027, especialmente nas áreas rurais da França: “As moções têm pouca chance de serem aprovadas, mas essa assinatura pode dar um impulso à RN. A França rural vota maciçamente na RN, e isso poderia apoiar uma narrativa anti-UE mais explicitamente”.
Com informações do G1











