Venezuela libera prisioneiros, incluindo ativista, ex-candidato e genro de adversário de Maduro, em gesto unilateral
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira a libertação unilateral de “um número significativo” de prisioneiros venezuelanos e estrangeiros. A medida, vista como um gesto de paz, foi uma reivindicação frequente da oposição do país.
Rodríguez enfatizou que a ação não foi acordada com nenhuma outra parte. Em declaração a jornalistas, ele agradeceu aos esforços do ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governo do Qatar, “que sempre estiveram ao lado do povo da Venezuela para defender o direito que temos à vida plena e à autodeterminação”.
Ainda não há confirmação oficial sobre o envolvimento direto do presidente Lula ou do governo brasileiro nas negociações que levaram às libertações. Entre os principais nomes libertados estão a ativista Rocío San Miguel, o ex-candidato presidencial Enrique Márquez e Rafael Tudares, genro de Edmundo González, principal adversário de Nicolás Maduro nas eleições de 2024.
Rocío San Miguel, especialista em temas militares e diretora da ONG Control Ciudadano, estava presa desde 9 de fevereiro de 2024, acusada pelas autoridades de envolvimento em um suposto plano para assassinar Maduro, o chamado “Bracelete Branco”. Ela era mantida no Helicoide, prisão do serviço de inteligência venezuelano frequentemente denunciada por organizações de direitos humanos como um “centro de tortura”. San Miguel foi abordada no aeroporto internacional Simón Bolívar, em Caracas, quando se preparava para embarcar em um voo com sua filha, que também foi detida brevemente.
Enrique Márquez, candidato presidencial nas eleições de 28 de julho de 2024 – cujos resultados foram contestados por observadores e organismos internacionais –, havia sido detido em 8 de janeiro de 2025, após se recusar a reconhecer a vitória eleitoral de Maduro. Sua chapa era liderada pelo partido de oposição Centrados.
Rafael Tudares, genro de Edmundo González, teve sua libertação confirmada pela imprensa internacional, embora ainda não haja fontes oficiais que atestem sua soltura. Ele também estava preso desde 8 de janeiro de 2025.
A libertação desses prisioneiros representa um desenvolvimento significativo no cenário político venezuelano, em meio a tensões e questionamentos sobre a legitimidade do governo Maduro.
Com informações do G1










