Bruno Eduardo: A pergunta certa, feita no dia errado?

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Bruno Eduardo: A pergunta certa, feita no dia errado?

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Esta semana o ministério da Saúde divulgou que empresas compraram 2,3 milhões de kits entubação e doaram para serem distribuídos no país. A ação é muito oportuna, pois, como comentamos já aqui nesse espaço, desde fevereiro alguns Estados já vinham mostrando ter problemas com a falta desses insumos.

Explico aqui: esses insumos são fundamentais para tratamento de pessoas que contraíram Covid19 e, de tão ruim que estão, precisam ficar entubados, respirando com aparelhos. Enquanto se encontram nessa situação, essas pessoas precisam estar sedadas. Se ficam conscientes, acabam sentindo muita dor, aceleram batimento cardíaco, aumentam a pressão arterial e, não raro, conseguem até mesmo retirar o tubo que está enfiado em sua traquéia.

Agora vamos imaginar o quanto deve ser um suplício estar entubado, para que uma pessoa seja capaz de remover o tubo até mesmo sem usar as mãos. Também devemos acrescentar aqui que ocorreram mortes em função da falta desses insumos.

No dia seguinte à publicação da doação dos kits, o ministro da Saúde concedeu uma entrevista coletiva na qual fez uma crítica “velada” a Estados que estão “se jogando nas cordas” e deixando a compra desses kits sob a responsabilidade do governo federal. A aquisição desse tipo de produto desde sempre foi de obrigação dos Estados e municípios. Cito aqui o ministro: “Se instituições privadas buscam importações e trazem esses insumos para cá, porque grandes Estados não fazem isso?”

Vamos então fazer uma breve volta no tempo, para o dia 1º de abril, o tradicional Dia da Mentira. Em uma coletiva aqui em Porto Velho, o secretário de Saúde Fernando Máximo, questionado por uma repórter sobre a falta de kit entubação pelo país, deu uma resposta curta: “Isso é fake news”. Seria o caso de uma pergunta certa, feita no dia errado?