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16 de março de 2026

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Opinião: o peso da cadeira pública

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Crônica por José Sidney Andrade dos Santos

 

A política é uma das atividades humanas mais antigas e, paradoxalmente, uma das mais desacreditadas. Desde as ágoras da antiga Grécia até os modernos parlamentos, sempre houve homens e mulheres dispostos a ocupar uma cadeira pública — alguns movidos pelo desejo de servir, outros pela tentação de mandar.
A cadeira do poder é curiosa: ela não transforma ninguém, apenas revela quem a ocupa.

O cidadão comum, quando observa o parlamento, imagina que ali deveriam estar os mais preparados: homens e mulheres de moral firme, caráter inquebrantável, sensatez nas palavras e compromisso com o bem comum. Afinal, o parlamento não é um palco para vaidades pessoais; é o espaço onde se decide o destino coletivo.

Mas a realidade nem sempre acompanha o ideal.

A política exige algo que raramente se discute nas campanhas eleitorais: capacidade postulatória. Não basta levantar a voz, fazer discursos inflamados ou dominar as redes sociais. Um parlamentar precisa compreender leis, interpretar normas, dialogar com instituições, elaborar projetos que resistam ao crivo jurídico e institucional.

Parlamentar não é apenas quem protesta.

É quem propõe.

E propor exige preparo.

Entretanto, em tempos de publicidade permanente, muitos confundem visibilidade com serviço. Há políticos que trabalham mais para as câmeras do que para as comissões legislativas. Há discursos que nascem prontos para os recortes das redes sociais, mas vazios de substância quando confrontados com a complexidade das políticas públicas.

A política vira espetáculo, e o povo vira plateia.

Mas governar — ou legislar — não é espetáculo. É responsabilidade.

O verdadeiro serviço público não aparece apenas nas manchetes. Ele acontece nas horas silenciosas: na leitura de projetos, na negociação responsável, na construção paciente de consensos, na defesa firme de interesses legítimos da população.

Servir ao povo não é apenas falar em nome dele.

É trabalhar por ele.

E trabalhar exige caráter. Exige honestidade. Exige moralidade pública — essa virtude cada vez mais rara, que consiste em lembrar que o cargo não pertence ao ocupante, mas à sociedade.

A publicidade na política deveria ser um instrumento de transparência, não de autopromoção. Mostrar ao povo o que está sendo feito é saudável. Transformar a política em marketing permanente é outra coisa.

O político que vive apenas de propaganda pode até conquistar aplausos momentâneos, mas dificilmente constrói legado.

Porque legado nasce da coerência entre discurso e prática.

Um parlamento saudável precisa de pessoas capazes de discordar com respeito, argumentar com inteligência e decidir com prudência. A sensatez, nesse ambiente, vale mais do que a gritaria.

Afinal, o povo não elege representantes para que gritem mais alto — e sim para que pensem melhor.

Talvez o maior desafio da política contemporânea seja recuperar uma verdade simples: o mandato não é um prêmio, é uma responsabilidade.

Quem entra na vida pública deveria lembrar, todos os dias, que cada voto recebido representa confiança depositada. E confiança é uma moeda frágil: uma vez quebrada, dificilmente se recompõe.

A política continuará existindo — com seus erros, suas virtudes e suas contradições. Mas sempre haverá espaço para aqueles que compreendem que a cadeira pública não é um trono.

É um serviço.

E servir ao povo, quando feito com caráter e honestidade, ainda é uma das formas mais nobres de dignidade humana.

 

José Sidney Andrade dos Santos
Filosofo, Sociólogo, Escritor Psicanalista

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