ONU abre investigação sobre políticas de imigração do governo Trump, após denúncias de prisões arbitrárias e uso excessivo da força
O chefe de direitos humanos da ONU pediu nesta sexta-feira (23) que o governo Trump garanta que suas políticas migratórias respeitem os direitos individuais e o direito internacional, citando preocupações com prisões e detenções arbitrárias e ilegais.
“Indivíduos estão sendo vigiados e detidos, às vezes de forma violenta, inclusive em hospitais, igrejas, mesquitas, tribunais, mercados, escolas e até dentro de suas próprias casas, muitas vezes apenas sob a simples suspeita de serem migrantes sem documentação”, afirmou em comunicado o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.
Um caso recente que chamou a atenção foi a detenção de Liam Conejo Ramos, um menino de 5 anos, em Minneapolis, na terça-feira (20). Segundo autoridades educacionais da cidade, o menino teria sido usado como “isca” para verificar a presença de outras pessoas em uma casa. Liam e seu pai, Adrian Alexander Conejo Arias, foram levados para um centro de detenção no Texas, conforme relatado pelo advogado da família.
A repressão à imigração promovida pelo presidente Donald Trump mobilizou cerca de 3 mil agentes federais fortemente armados e mascarados em Minneapolis. As autoridades justificam as prisões como necessárias para conter infratores perigosos das leis de imigração, mas cidadãos americanos e imigrantes que cumprem a lei também têm sido detidos. A cidade vive um clima de tensão após a morte de Renee Good, de 37 anos, cidadã americana e mãe de três filhos, em um incidente envolvendo um agente de imigração em 7 de janeiro. O vice-presidente JD Vance defendeu as ações, culpando “agitadores da extrema esquerda” e a falta de cooperação de autoridades locais pelo “caos nas ruas”.
Türk criticou o uso de força desnecessária ou desproporcional nas operações de fiscalização migratória, ressaltando que tais medidas só devem ser adotadas como último recurso, quando houver uma ameaça imediata à vida. Ele enfatizou que os Estados Unidos devem cumprir o direito internacional e garantir o devido processo legal na aplicação das leis migratórias, além de assegurar o acesso à orientação jurídica para os detidos.
O Alto Comissário também pediu uma investigação independente sobre o aumento no número de mortes sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE). Foram registradas 30 mortes em 2025 e outras seis até agora neste ano. Türk condenou a “desvalorização rotineira de migrantes e refugiados” nos Estados Unidos, frequentemente retratados como criminosos ou um peso para a sociedade, o que, segundo ele, aumenta a “exposição deles à hostilidade xenofóbica e a abusos”.
Com informações do G1










