No Dia Internacional da Onça-Pintada (29 de novembro), a organização não governamental Onçafari destaca a importância da conservação do animal e seus esforços pioneiros no Brasil em reintrodução e monitoramento da espécie.
A onça-pintada, o maior felino das Américas e predador chave para o equilíbrio dos ecossistemas, é considerada uma espécie guarda-chuva. Isso significa que sua proteção garante a conservação de vastas áreas de vegetação nativa, água limpa e a diversidade de presas, funcionando como um indicador da saúde ambiental.
Originalmente encontrada do sul dos Estados Unidos à Argentina, a onça-pintada ainda está presente em quase todo o território brasileiro, que abriga cerca de 50% da população mundial. No entanto, a situação varia conforme a região: vulnerável no Pantanal e na Amazônia (onde se concentram as maiores populações), em perigo no Cerrado (com declínio populacional superior a 50% nos últimos 25 anos), criticamente ameaçada na Mata Atlântica e Caatinga, e extinta no Pampa.
O trabalho do Onçafari, com 14 anos de atuação, é fundamental nesse contexto. A organização começou com o ecoturismo no Pantanal, desenvolvendo uma técnica inovadora de habituação de animais, inspirada nos safáris africanos. Atualmente, expandiu suas ações para outros biomas, investindo em estudos científicos, aquisição e gestão de áreas protegidas para criar corredores ecológicos, combate a incêndios, monitoramento e, principalmente, na reintrodução de animais na natureza.
“Fomos a primeira organização no mundo a reintroduzir com sucesso onças-pintadas na vida selvagem”, afirma Mario Haberfeld, fundador e CEO do Onçafari. “Temos muito a fazer, mas também é importante celebrar nossas conquistas, como o desenvolvimento de processos, parcerias com órgãos ambientais e estudos científicos.”
Reintrodução e monitoramento na Amazônia
Em 2016, o Onçafari, em parceria com o NEX (Brasília), acolheu duas irmãs, Pandora e Vivara, ainda filhotes. Após cuidados no NEX até junho de 2018, elas foram transferidas para um recinto de reintrodução do Onçafari na Amazônia, localizado na Pousada Thaimaçu, em Jacareacanga (Pará).
No recinto, com 15.000m², as irmãs passaram por um rigoroso processo de observação comportamental e treinamento para a caça, seguindo os métodos desenvolvidos pelo Onçafari no Pantanal. Após um ano, foram soltas na Reserva do Cachimbo, uma área preservada da Força Aérea Brasileira (FAB).
Em 2024, o Onçafari realizou a primeira reintrodução de um macho na Amazônia: Xamã, resgatado em agosto de 2022, com cerca de oito meses, em uma área desmatada e queimada em Sinop (MT). Após recuperação na Universidade Federal de Mato Grosso, ele foi transferido para o mesmo recinto na Amazônia.
Após dois anos de cuidados, Xamã, que aumentou de 20 kg para 56 kg, foi solto em outubro de 2024 na mesma região de Pandora e Vivara, uma área de dois milhões de hectares no sul do Pará. Com apoio técnico e financeiro da Proteção Animal Mundial, Xamã foi preparado para a vida selvagem, desenvolvendo suas habilidades de caça com contato mínimo com humanos.
De acordo com Leonardo Sartorello, coordenador de reintrodução do Onçafari, o acompanhamento é crucial para avaliar a adaptação de Xamã, especialmente sendo um macho, que enfrenta maiores desafios na disputa por território. Dados do colar de monitoramento, avaliados em março de 2025, mostram que ele evita áreas abertas e plantações, preferindo a mata fechada, e já percorreu cerca de 13 mil hectares.
Jaguar Parade Belém
O Onçafari também é beneficiado pelo leilão das esculturas da Jaguar Parade, exposição realizada em Belém durante a COP30, que reúne 52 esculturas de onças-pintadas em pontos estratégicos da cidade, reforçando a mensagem de conservação da Amazônia.











