No terceiro dia do Festival Infantil de Cinema de Animação de Rondônia – FICAR, estudantes da Escola Dr. Oswaldo Piana, em Porto Velho, uniram o aprendizado com a prática cinematográfica. Além das exibições de filmes, a programação desta última quarta-feira (27) incluiu uma oficina de pixilation com o cineasta e animador Christyann Ritse, que levou para dentro da escola a técnica, que transformou os próprios alunos em personagens de uma narrativa de animação.
A proposta da técnica apresentada na oficina é experimentar a animação com pessoas reais, criando movimentos divertidos e cheios de criatividade, quadro a quadro, foto por foto. O termo “anima”, que dá origem à palavra animação, vem do grego “anemon”, que podia significar “alma”, “movimento” ou “vento”. No latim, o conceito é retomado em animare, que quer dizer “dar alma”. Aristóteles já afirmava que esta “anemon” só existe nos seres vivos, e que o movimento é o principal sinal de vida. Para Ritse, que já foi aluno do homenageado desta edição, Marcos Magalhães, essa essência está presente em cada gesto registrado na oficina. Pixilation é brincar e, com isso, transformar o corpo vivo em um elemento visual para criar uma narrativa. Ele explica que, no início, os alunos se mostraram tímidos diante de um ambiente conduzido por pessoas de fora da escola, mas logo se engajaram ao ver “a magia do stop motion acontecendo diante dos próprios olhos”.
Para o animador, com mais de 15 anos de experiência em curtas e longas-metragens no Brasil e na América Latina, a oficina também estimula noções de tempo e espaço e mostra que “o cinema pode ser uma ferramenta acessível, feita até mesmo com um celular, em que os estudantes se tornam protagonistas das próprias histórias”.
Foi o que aconteceu com Arthur Gabriel, um dos participantes. Ele se divertiu assumindo múltiplos papéis no curta produzido coletivamente pela turma: “Dirigi carro, fui pirata, fiz de tudo. Foi muito legal”, contou. O roteiro criado pelos estudantes misturou truques de mágica com a cartola encantada de um ilusionista, a presença de um rei e uma rainha, piratas a serviço da realeza e a perseguição de uma bruxa que, no fim, se justifica como inocente. Entre cenas de narrativa e exercícios práticos, a experiência resultou em uma produção marcada pela imaginação coletiva.
Paulo Sérgio, colega do “pirata” na trama e na vida real, destacou a novidade da vivência: “Foi muito divertido. Aprendi coisas que nunca tinha pensado em como seria fazer. Foi engraçado e ao mesmo tempo muito legal de atuar e produzir.”
A programação do dia incluiu ainda a exibição de 12 curtas nacionais, entre eles duas produções rondonienses: Nazaré: do verde ao barro, de Juraci Júnior, e Planeta Fome, de Édier William, ambos bem recebidos pelos estudantes.
Para Izadora Jemima, coordenadora do festival, a oficina e as sessões confirmam o papel do FICAR em aproximar os jovens do audiovisual. “Mais do que levar cinema para dentro das escolas, buscamos criar espaços de experimentação e diálogo. Quando os alunos se reconhecem nessas histórias e têm a chance de criar as próprias narrativas, o impacto amplia o olhar crítico sobre a realidade”.
O FICAR já passou por Guajará-Mirim, Nova Mamoré e segue com programação em outras escolas de Porto Velho:
Dia 28 de agosto – Porto Velho – Escola Mariana – exibição de animações nos períodos matutino e vespertino;
Dia 29 de agosto – Porto Velho – Escola Estudo e Trabalho – Período Matutino – exibição de animações; Período Vespertino – Roda de Conversa com o tema “Sobre desafios em fazer animação em Rondônia”, com os cineastas de Rondônia Juraci Júnior e Édier William e logo após homenagem ao professor e cineasta de animação Marcos Magalhães.