Durante obras na Praça Barão do Rio Branco, no centro de Macapá, arqueólogos encontraram um tesouro histórico: peças europeias dos séculos 18 e 19. O achado revela detalhes do cotidiano da região e da formação da sociedade amapaense, em um período marcado pela escravidão e pelo contato entre diferentes culturas.
As escavações, parte do Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico da praça, trouxeram à luz cachimbos de caulim, cerâmicas indígenas e louças importadas de Portugal, Inglaterra e Holanda. Segundo o arqueólogo Kleber Souza, coordenador do projeto, as peças possuem marcas de fabricação que identificam sua origem e material.
“Encontramos um repertório variado de louças importadas de Portugal e Inglaterra. São louças decoradas, outras finas. Além de cachimbos importados da Inglaterra e Holanda. A gente sabe a origem desse material através das marcas de fabricação, e eles são de caulim, uma matéria-prima específica”, explicou Kleber.
Além das peças utilitárias, foram encontrados pingentes e objetos que sugerem rituais e crenças da época. A descoberta reforça a importância da área central de Macapá, construída sobre um antigo centro histórico, como um local rico em vestígios da Vila de São José. As obras foram ajustadas para preservar a camada arqueológica, reduzindo a profundidade das fundações.

A análise do material encontrado será realizada por pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e pelo Centro de Estudos e Pesquisas Arqueológicas do Amapá (Cepap). Em 2023, uma moeda de 20 réis de 1775 foi encontrada em outra obra na cidade, demonstrando a riqueza histórica do local.
Acredita-se que algumas peças tenham vindo dos navios regatões, que traziam produtos para o Amapá e utilizavam mercadorias como moeda de troca. As escavações continuam, com a expectativa de revelar ainda mais segredos sobre o passado da região.
Com informações do Portal Amazônia.










