O tarifaço imposto de forma global pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está sendo considerado o começo de uma crise econômica.
Será verdade?
Isso hoje é difícil de dizer. A comunicação sempre foi uma ferramenta política, e a velocidade da internet fez com que essa ferramenta ganhasse muita eficiência.
Rebater a decisão de Trump com projeções de um futuro catastrófico é uma tentativa de estabelecer um posicionamento político e reforçar o combate às tarifas nas entidades comerciais internacionais.
Mas Trump está errado? Vamos tomar o exemplo do Brasil para avaliar a situação. O presidente Lula criticou, nessa quinta-feira. o protecionismo inerente ao tarifaço norte-americano, alegando que tomará todas as medidas cabíveis.
Mas e quanto ao nosso protecionismo?
Desde sempre cobramos impostos de importação escorchantes. Um smartphone, por exemplo, tem imposto de importação de até 60%, e sobre o valor incide também o ICMS, que varia de estado a estado. Quantas empresas brasileiras produzem smartphones?
As taxas das blusinhas criadas por Haddad podem até proteger empresas brasileiras que atuam no mesmo setor, mas quem produz macbooks, ultrabooks, supercomputadores e tablets de última geração no Brasil?
Estamos protegendo a indústria há décadas, até mesmo em setores nos quais não atuamos e não existem sinais de que vamos um dia atuar. Isso porque investimos mal em educação e estamos nas rabeiras nos rankings globais do setor.
Então o que justifica o nosso protecionismo, os nossos impostos de 60% em produtos que não produzimos?
O governo usa esse protecionismo para arrecadar, prejudica nossas finanças pessoais e ainda investe mal na nossa sociedade.
Estamos resolvendo algum problema com esse imposto de importação sobre produtos que invariavelmente aumentam o nosso custo Brasil?
Ou o governo – independentemente das suas cores e bandeiras – vem usando isso há décadas porque simplesmente se acostumou com isso e ninguém reclama?
O protecionismo de Trump é uma forma de desabafo. E o nosso?