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13 de março de 2026

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O apagamento silencioso da mulher: quando “pessoas que amamentam” substitui a mãe e apaga a essência feminina

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Por José Sidney Andrade dos Santos

Há uma pauta que avança discretamente, mas com força implacável, nos meios acadêmicos, na saúde pública e nas políticas de “inclusão”: a substituição da palavra “mulher” — ou “mãe” — por expressões neutras como “pessoas que amamentam”, “pessoas lactantes” ou “alimentação ao peito” (o famoso chestfeeding). O argumento oficial é simples e aparentemente bondoso: não excluir homens trans, mulheres trans ou pessoas não binárias. Mas, quando olhamos com honestidade biológica e humana, o que se revela é algo muito mais grave: o apagamento sistemático da mulher real, da sua singularidade biológica e do seu papel insubstituível na sociedade e na continuidade da vida humana.

Vamos aos fatos, sem rodeios. Apenas o corpo feminino — o corpo da mulher biológica, com cromossomos XX, útero, ovários e glândulas mamárias desenvolvidas pela natureza para esse fim — é capaz de gestar, parir e amamentar naturalmente. O leite materno não é um “produto cultural” ou uma “construção social”. É um milagre biológico específico: produzido por prolactina e ocitocina no organismo feminino, rico em anticorpos, nutrientes perfeitos para o bebê humano. Homens biológicos (mesmo aqueles que se intitulam “mulheres trans”) possuem próstata, não possuem útero e não produzem leite. Não há mágica ideológica capaz de criar um útero funcional ou glândulas mamárias lactantes num corpo XY. O que existe, em casos raríssimos, é indução hormonal artificial em mulheres biológicas que se identificam como homens trans — um processo médico arriscado, de baixa produção e sem a mesma qualidade natural.

Nivelar a mulher biológica com o homem biológico que se autodenomina “mulher” é, portanto, um exercício de negação da realidade. É dizer que a mulher que carregou nove meses no ventre, que sentiu as contrações, que pariu com dor e amor, que amamenta com o próprio corpo, é “igual” a alguém que nunca poderá viver nada disso. Isso não é inclusão. É nivelamento por baixo. É retirar da mulher o que ela tem de mais poderoso e único: a capacidade de gerar e nutrir a vida diretamente do seu ser.

E por que isso importa tanto? Porque a mulher não é apenas “uma pessoa que amamenta”. Ela é o fundamento da família humana. Sem ela, não há civilização. Foram as mães que amamentaram gerações inteiras, que transmitiram não só leite, mas afeto, segurança, identidade. Foram as mulheres que, ao longo da história, carregaram na carne o peso da perpetuação da espécie. Apagar o nome “mulher” ou “mãe” desses documentos, cartilhas, campanhas de saúde pública e artigos científicos (como os que já circulam no Brasil defendendo “aleitamento humano” em vez de “aleitamento materno”) não é progresso. É violência simbólica. É dizer à mulher: “sua experiência específica não conta mais; você é apenas uma ‘pessoa’ entre outras”.

O argumento da “inclusão” soa generoso, mas esconde um custo altíssimo. Ao adotar “pessoas que amamentam”, perde-se clareza científica. Como orientar uma mãe real em dificuldade de amamentação se o discurso oficial evita chamá-la de mulher ou mãe? Como proteger a saúde da gestante se o termo “mulher grávida” é substituído por “pessoa gestante”? A linguagem não é neutra: ela molda a percepção da realidade. Quando a realidade biológica é apagada, as políticas públicas se perdem, os cuidados se tornam confusos e, no fim, quem mais sofre é exatamente a mulher — aquela que, de fato, amamenta 99,9% das vezes.

Não se trata de negar direitos a pessoas trans. Elas merecem respeito, dignidade e tratamento médico adequado. Mas respeito não pode significar a destruição da verdade biológica nem o apagamento de metade da humanidade. A mulher biológica não é “cis” (termo ideológico que tenta transformar o normal em categoria). Ela é simplesmente mulher — a única que pode gerar vida humana no ventre. Sua importância na sociedade não é “construída socialmente”; é gravada no DNA, no corpo, na história.

Essa pauta não liberta ninguém. Ela escraviza a todos à mentira: a mulher perde sua identidade única, o homem trans vive numa ilusão que a medicina não pode realizar plenamente, e a criança — o bebê que precisa de leite materno — torna-se mero objeto de experimento ideológico. Quando uma sociedade começa a apagar a palavra “mãe”, está apagando o próprio berço da humanidade.

É hora de dizer com clareza e coragem: mulher é mulher. Mãe é mãe. Amamentação é ato feminino por excelência. Qualquer tentativa de neutralizar isso não é compaixão — é um projeto de desumanização. E a mulher, guardiã da vida, não pode e não deve ser apagada.

Porque, no fim, sem ela, não há “pessoas que amamentam”. Não há futuro.
Não há humanidade.
E por mais que a Câmara Federal eleja uma mulher sem útero e com genitália masculina e próstata, nunca será uma mulher de verdade, senão um simulacro.

Jose Sidney Andrade dos Santos – Biomédico
Filosofo, Sociologo, Escritor, Psicanalista

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