Onda de protestos no Irã já deixou cerca de 5 mil mortos, segundo fonte do governo. Manifestações contra o regime ganharam força
Cerca de 5.000 pessoas já morreram em decorrência da violência durante a onda de protestos no Irã, afirmou neste domingo (18) uma fonte do governo iraniano à agência de notícias Reuters.
Os protestos, que se estendem por mais de 20 dias, começaram como reação à crise econômica e ao alto custo de vida no país, mas evoluíram para um clamor pelo fim do regime dos aiatolás, que governa o Irã há mais de 40 anos com políticas de forte repressão, especialmente contra as mulheres.
A repressão aos protestos – com relatos de mortes de manifestantes por disparos de policiais e militares – gerou forte reação internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar atacar o Irã, reacendendo as tensões entre os dois países rivais. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, por sua vez, declarou que as autoridades “têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes” e culpou Donald Trump pelas mortes.
Em discurso, Khamenei afirmou: “Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos (…) assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos”. Acrescentou ainda: “A nação iraniana deve quebrar as costas dos insurgentes, da mesma forma que quebrou a insurreição”.
A onda de protestos teve início em 28 de dezembro, com descontentamento de comerciantes em relação à crise econômica, mas rapidamente se transformou em uma mobilização contra o regime teocrático vigente desde a revolução de 1979. As autoridades iranianas, que classificam os protestos como “terroristas” e acusam os Estados Unidos de instigá-los, intensificaram a repressão. A ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, estima que pelo menos 3.428 pessoas morreram na repressão, um número que pode ser ainda maior. O governo também cortou o acesso à internet desde 8 de janeiro.
Khamenei criticou as ameaças de Trump, dizendo: “Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”. Ele completou: “Tudo isso foi uma conspiração americana… o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã (…) é submeter o Irã militar, política e economicamente”. O procurador de Teerã, Ali Salehi, declarou à TV estatal que a resposta do governo foi “firme, dissuasiva e rápida”.
Apesar das restrições à internet, a ONG Netblocks detectou uma pequena retomada da atividade na rede no Irã, após mais de 200 horas de corte. A conectividade, no entanto, permanece em torno de 2% dos níveis habituais. Iranianos no exterior relatam receber notícias de familiares por meio de comunicações curtas, temendo interceptações e represálias.
Com informações do G1










