A rede MapBiomas, com participação do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), lançou a terceira coleção de um mapeamento inédito das propriedades do solo brasileiro. A iniciativa disponibiliza, através da plataforma SoilData, dados de centenas de estudos, prontos para uso em setores como agropecuária, agricultura e proteção territorial.
O mapeamento permite análises em profundidade de até 100 cm e avalia o estoque de carbono orgânico do solo, um fator crucial no contexto da emergência climática. “O fato de ter esses dados disponibilizados traz luz para um compartimento que tem um papel decisivo nas políticas ambientais: o solo. Ele pode ser tanto uma fonte de emissão de carbono quanto uma fonte de sumidouro”, explica Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM.
A plataforma SoilData gerou mapas de propriedades do solo para todo o Brasil, incluindo granulometria, textura, pedregosidade e carbono orgânico. A coleção atual utiliza 60.883 dados de granulometria e 28.065 de estoque de carbono orgânico, um aumento de 32% em relação ao lançamento anterior (2024).

Os resultados indicam que 63,4% do Brasil apresenta textura média na camada superficial (0-30 cm), seguido por solos argilosos (29,6%). A distribuição varia por bioma: na Mata Atlântica, 52% dos solos superficiais são muito argilosos, contrastando com a Caatinga, Cerrado e Pampa, onde a textura média predomina. Em profundidade (60-100 cm), o país se torna majoritariamente argiloso (63,6%).
Historicamente, solos muito argilosos são os mais utilizados na agricultura, ocupando 33% dessa textura em 2024. O mapeamento também detalha o estoque de carbono orgânico do solo (COS), revelando que 35,9% dos solos brasileiros armazenam entre 40 e 50 toneladas de carbono por hectare (t/ha), resultado da decomposição de matéria orgânica. A Amazônia concentra 52% do COS estocado no Brasil.

A Coleção 3 do MapBiomas Solo reúne dados padronizados de solo de centenas de estudos ao longo de 66 anos, com mais de 45 mil coletas catalogadas em mais de 15 mil pontos. A plataforma oferece visualização espacial intuitiva e acesso direto às informações, com reconhecimento aos autores originais.
Com informações do Portal Amazônia.












