g1 > Mundo As notícias internacionais mais urgentes e importantes, além de análises e contextualização dos principais assuntos da política mundial

  • Tribunal de Mianmar condena Aung San Suu Kyi a quatro anos de prisão
    on dezembro 6, 2021 at 6:15 am

    A acusação foi de incitar a dissidência contra os militares e violar as regras da Covid durante as eleições em 2020, vencida por ela. Aung San Suu Kyi, líder de fato do governo de Mianmar e vencedora do prêmio Nobel da Paz em 1991 Kham/Pool Photo via AP O tribunal de Mianmar condenou a líder civil Aung San Suu Kyi a quatro anos de prisão por incitar a dissidência contra os militares e quebrar as regras de saúde em relação à Covid-19, disse o porta-voz da junta militar à AFP. Suu Kyi, de 76 anos, está detida desde que uma junta militar derrubou seu governo em 1º de fevereiro, o que acabou com um breve período democrático no país. Mundialmente, ela é conhecida por ter recebido o prêmio Nobel da Paz em 1991. LEIA TAMBÉM: A misteriosa morte de líderes opositores em Mianmar após golpe militar Jornalista dos EUA é condenado a 11 anos de prisão em Mianmar Ela enfrenta ainda quase uma dúzia de acusações e pode pegar uma pena de até 102 anos de prisão. O regime de Min Aung Hlaing a confinou em uma localização não revelada da capital. Os contatos de Suu Kyi se limitam aos poucos encontros com seus advogados antes das audiências no tribunal. A imprensa foi impedida de acompanhar o julgamento no tribunal especial da capital Naipyidaw, construída pelos militares, e os advogados de Suu Kyi estão proibidos de falar com a imprensa. Histórico recente Durante o regime militar anterior, Suu Kyi passou longos períodos em prisão domiciliar em uma mansão de sua família de estilo colonial em Yangon, onde aparecia para milhares de seguidores reunidos do outro lado de uma cerca. Nas últimas semanas, os julgamentos contra outros integrantes da LND foram concluídos com longas sentenças condenatórias. Um ex-ministro foi sentenciado a 75 anos de prisão, enquanto uma pessoa próxima a Suu Kyi foi condenada a 20 anos. Mais de 1.200 pessoas morreram e mais de 10.000 foram detidas na repressão dos dissidentes após o golpe em fevereiro, segundo uma ONG local. Mianmar tem dia marcado por comoção em enterros dos mais de 100 mortos em protestos Os militares, que dominaram a vida política em Mianmar por décadas, defendem o golpe alegando uma suposta fraude nas eleições gerais do ano passado, que a LND venceu com folga. A pressão internacional sobre a junta militar para uma restauração rápida da democracia não provocou mudanças dos militares. * Com informações da Reuters e da AFP.

  • O Assunto #593: Alemanha - na 4ª onda e sob nova direção
    on dezembro 6, 2021 at 3:38 am

    Depois de 16 anos, a era Merkel deve chegar ao fim nesta quarta-feira, quando o Parlamento se reunir e confirmar Olaf Scholz como chanceler. De cara, às portas do inverno, o social-democrata terá de enfrentar o arrefecimento da pandemia - e a resistência de parte da população a se vacinar. Você pode ouvir O Assunto no g1, no GloboPlay, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer, na Amazon Music, no Hello You ou na sua plataforma de áudio preferida. Assine ou siga O Assunto, para ser avisado sempre que tiver novo episódio. Depois de 16 anos, a era Merkel deve chegar ao fim nesta quarta-feira, quando o Parlamento se reunir e confirmar Olaf Scholz como chanceler. De cara, às portas do inverno, o social-democrata terá de enfrentar o arrefecimento da pandemia - e a resistência de parte da população a se vacinar. Isso será “prioridade absoluta do novo governo”, afirma Kai Enno Lehmann, professor de Relações Internacionais da USP. Angela Merkel e seu sucessor vêm trabalhando juntos em medidas nessa área. Depois da transição, no entanto, conflitos em torno de temas menos consensuais podem emergir. Afinal, a coalizão formada é a primeira, desde a metade do século passado, a abrigar três partidos distintos e “ideologicamente bem diferentes” (verdes e liberais completam o trio). “São parceiros pouco naturais, e isso vai produzir muito debate”, sobretudo a respeito da sempre adiada reforma do sistema previdenciário. Entre as concordâncias, ele aponta investimento na transição para uma economia mais verde - o que, prevê o professor, ameaça colocar mais pressão nas tratativas da União Europeia com o Brasil. Na conversa com Renata Lo Prete, Kai também analisa o longo período Merkel. Segundo ele, a cientista que se tornou uma das políticas mais influentes do mundo “encarnou muito bem” a estabilidade que a Alemanha buscava e conseguiu alcançar, mesmo diante de sucessivas turbulências globais. A democracia-cristã de Merkel foi derrotada nas urnas, mas a chanceler sai de cena com alta popularidade. “Ela tem perfil cauteloso, mas, quando a oportunidade se apresenta, ela pega”, resume. “E esse jeito frio de lidar com as crises conquistou os alemães”.O que você precisa saber: Angela Merkel: a líder alemã que marcou o início do século Olaf Scholz: o social-democrata que deve substituir Merkel Maconha, aborto: mudanças na Alemanha com a nova coalizão de governo FOTOS: os quatro mandatos de Angela Merkel VÍDEO: Angela Merkel - a trajetória política O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Isabel Seta, Tiago Aguiar, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Giovanni Reginato. Neste episódio colaboraram também: Gabriel de Campos e Ana Flávia Paula. Apresentação: Renata Lo Prete.Comunicação/Globo

  • Encanador encontra centenas de envelopes de dinheiro em parede de igreja de pastor evangélico famoso nos EUA
    on dezembro 5, 2021 at 9:44 pm

    Polícia de Houston diz que dinheiro pode estar ligado a uma quantia de US$ 600 mil que foi roubada da igreja em 2014. Joel Osteen transmite cultos pela televisão a mais de sete milhões de pessoas. Igreja comandada pelo pastor evangélico Joel Osteen transmite cultos transmitidos pela televisão a mais de sete milhões de pessoas. Pat Sullivan File/AP Um encanador encontrou centenas de envelopes com dinheiro e cheques escondidos em uma parede na megaigreja Lakewood, em Houston, nos Estados Unidos. A igreja é comandada pelo pastor evangélico Joel Osteen, muito famoso no país, com cultos transmitidos pela televisão que atingem mais de sete milhões de pessoas. No Twitter, a polícia de Houston afirmou que evidências sugerem que o dinheiro pode estar relacionado a uma quantia de US$ 600 mil que foi roubada da igreja em março de 2014. A polícia disse ainda que o caso está sob investigação e que mais nenhuma informação será dada, neste momento. Leia também: Os polêmicos repasses milionários para megaigrejas na pandemia nos EUA Joel Osteen Pat Sullivan/AP A política informou que os oficiais foram chamados à igreja no dia 10 de novembro para investigar a descoberta. O encanador, identificado apenas como Justin, deu entrevista a uma estação de rádio de Houston, segundo a agência de notícias Associated Press. “Fui remover o vaso sanitário, tirei um pouco do isolamento e cerca de 500 envelopes caíram da parede. Eu disse 'uau'. Peguei minha lanterna para ver”, disse o encanador à rádio local. Já a Igreja Lakewood disse, em um comunicado, que uma quantia não revelada de dinheiro e cheques foi encontrada recentemente durante um trabalho de reparo. A instituição não comentou se o montante pode estar ligado aos US$ 600 mil desaparecidos. “Lakewood notificou imediatamente o Departamento de Polícia de Houston e está ajudando-os na investigação. Lakewood não tem mais comentários neste momento ”, disse a igreja.

  • Mudanças climáticas: o país que se prepara para desaparecer
    on dezembro 5, 2021 at 8:41 pm

    Ministro de Tuvalu grava discurso para COP 26 de dentro do mar em protesto Pense por um momento na sua casa, nas suas raízes, no lugar que você mais ama no mundo - e como seria difícil imaginar que este lugar poderia desaparecer do planeta. Para os habitantes de dezenas de Estados insulares, esse é um medo real. O aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas já está causando perda de áreas e escassez de água potável nessas ilhas. Nesta reportagem da BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), entenda a situação de uma pequena nação do Oceano Pacífico, Tuvalu, que tem instado os países mais poluentes a reduzir drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa. Um guia rápido para entender as mudanças climáticas As provas de que o aquecimento global é causado pelos humanos Esta nação também está se preparando legalmente para o pior cenário: a submersão total de seu território. O Ministro da Justiça, Comunicações e Relações Exteriores de Tuvalu, Simon Kofe, enviou uma mensagem dramática à COP26, a recente cúpula sobre mudança climática em Glasgow, na Escócia. "Estamos afundando, mas a mesma coisa está acontecendo com todos", afirmou. Com água na altura dos joelhos em um local que anos atrás era terreno seco, Kofe deixou claro que o drama que Tuvalu enfrenta hoje é apenas um prenúncio dos severos impactos das mudanças climáticas que afetarão cada vez mais - ainda que de maneiras diferentes - muitos outros países do mundo. Mensagem de Simon Kofe à COP26: "Estamos afundando, mas a mesma coisa está acontecendo com todos" Min. de Relações Exteriores de Tuvalu via BBC Nível do mar, uma ameaça existencial Tuvalu tem nove pequenas ilhas e fica a aproximadamente 4.000 km da Austrália e do Havaí. Seus vizinhos mais próximos são Kiribati, Samoa e Fiji. "É uma nação insular de baixa altitude. O ponto mais alto acima do nível do mar é de 4 metros", disse o ministro Kofe à BBC Mundo. Todo o país tem 26 quilômetros quadrados, onde vivem cerca de 12.000 pessoas. Como Kiribati e as Maldivas, entre outros locais, Tuvalu é um país feito de atóis e, portanto, é especialmente vulnerável ao aquecimento global. Refugiados climáticos: 17 milhões de pessoas na América Latina poderão ser forçadas a migrarem até 2050 "Vivemos em faixas de terra muito estreitas e em algumas áreas você pode ver o mar aberto de um lado e uma lagoa do outro", descreveu Kofe Getty Images via BBC Os territórios dessas nações situam-se sobre recifes de coral em forma de anel, completos ou parciais, que circundam uma lagoa central. "Vivemos em faixas de terra muito estreitas e em algumas áreas você pode ver o mar aberto de um lado e uma lagoa do outro", disse Kofe. "O que temos experimentado ao longo dos anos é que, com o aumento do nível do mar, vemos a erosão de partes da ilha." Tuvalu também tem enfrentado ciclones mais fortes e períodos de seca, acrescentou o ministro. E a temperatura mais alta do oceano tornou os recifes de coral branqueados. Eles são vitais para a proteção costeira e a reprodução dos peixes. Mas há outro problema ainda mais urgente: a entrada das águas do oceano. O mar e seu impacto na água potável A água marinha está se infiltrando no subsolo em certas áreas e isso afeta os aquíferos, explicou Kofe. "A água potável normalmente é obtida da chuva, mas em algumas ilhas também eram cavados poços para acessar as águas subterrâneas. Hoje isso não é possível devido à intrusão da água do mar, então dependemos basicamente apenas da água da chuva". O oceano tem avançado e algumas árvores não têm mais um lugar para fincar as raízes Getty Images via BBC A penetração de água salgada também inutilizou terras agrícolas. O governo taiwanês está atualmente financiando e gerenciando um projeto piloto para produzir alimentos em condições controladas em Tuvalu. "A salinidade da areia dificulta muito o cultivo de nossos alimentos e estamos cada vez mais dependentes de produtos importados", disse Kofe. "O projeto do governo taiwanês teve que importar o solo e os fertilizantes." "Embora a maioria dos sistemas de cultivo possa tolerar eventos muito ocasionais de inundação de água do mar - digamos, um a cada 10 anos - e os jardins possam ser replantados, se as inundações se tornarem muito frequentes ou a intrusão da água do mar atingir novas áreas, elas serão perdidas permanentemente." É o que Arthur Webb, pesquisador da Universidade de Wollongong, na Austrália, e do Programa Ambiental da ONU, que trabalha para o Projeto de Adaptação Costeira de Tuvalu, disse à BBC Mundo. "Por exemplo, a chamada árvore de fruta-pão, Artocarpus altilis, é uma cultura importante e uma única árvore pode produzir uma grande colheita durante décadas. Mas são altamente intolerantes ao sal e uma única incursão da água do mar pode matar esta árvore, causando problemas de segurança alimentar de forma permanente." A luta dos países insulares Estados insulares como Tuvalu vêm convocando ações climáticas globais concretas há mais de 30 anos. Em 1990, as nações insulares do Pacífico formaram uma aliança diplomática com outras do Caribe, como Antígua e Barbuda, e do Oceano Índico, como as Maldivas. O objetivo era criar uma frente comum nas negociações sobre mudanças climáticas. Ministro de Tuvalu faz apelo de dentro do mar durante discurso na COP26 Governo de Tuvalu/Redes sociais A Aliança de Pequenos Países Insulares, Aosis na sigla em inglês, hoje tem 39 membros e tornou visível o grave impacto do aquecimento global nos países em desenvolvimento. A insistência da Aosis foi crucial, por exemplo, para uma referência no Acordo de Paris em 2015 à importância de lidar com os chamados "perdas e danos", compensação por danos climáticos irreversíveis aos quais não é possível adaptar-se. Na COP26, porém, foi bloqueada uma proposta que previa criar um fundo monetário para compensar "perdas e danos". Em mensagem à COP26, o atual presidente da Aosis, o primeiro-ministro de Antígua e Barbuda, Gaston Browne, lembrou que "a contribuição das pequenas ilhas em desenvolvimento para as emissões globais de CO2 é inferior a 1%". "Nossos países são os menos responsáveis ​​pelos danos ambientais em todo o mundo", acrescentou Browne. "Mas pagamos o preço mais alto." Esse preço tornou-se cada vez mais evidente devido a vários estudos científicos. O que os cientistas dizem O Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, IPCC na sigla em Inglês, apontou em seu relatório de 9 de agosto deste ano que a taxa anual de aumento do nível do mar em nível global triplicou entre 1901 e 2018, e atualmente está em 3,7 mm por ano. No entanto, "a situação é pior na região das ilhas do Pacífico", disse Morgan Wairiu, especialista em mudanças climáticas, coordenador e principal autor do capítulo sobre pequenas ilhas do relatório do IPCC, à BBC Mundo. "No Pacífico Sul, o aumento médio regional do nível do mar foi de 5 a 11 mm por ano no período de 1900 a 2018." Embora não haja dados específicos para Tuvalu, "o aumento global do nível do mar já é uma perspectiva horrenda para Tuvalu", disse Webb à BBC Mundo. "Essas são massas de terra extremamente baixas, nas quais áreas significativas de terra utilizável já estão submersas durante as marés normais. Cada milímetro de elevação do nível do mar aumenta a extensão potencial e a profundidade das inundações marinhas." Projeta-se que mesmo uma elevação do mar de um metro irá impactar a biodiversidade terrestre de ilhas e áreas costeiras baixas, tanto diretamente (devido à perda de habitat pela submersão) quanto indiretamente (devido à intrusão de água salina, salinização de manguezais costeiros e erosão do solo). O IPCC prevê em seu relatório um aumento médio global do nível do mar de pouco mais de um metro até 2100 em um cenário de altas emissões, mas também alerta: "Um aumento de cerca de 2 metros em 2100 e 5 metros em 2150 em um cenário de muito altas emissões de gases de efeito estufa não pode ser descartado devido à profunda incerteza dos processos do manto de gelo", uma referência ao derretimento do gelo na Groenlândia e na Antártica. Wairiu observou que o estresse hídrico nas pequenas ilhas do Pacífico seria 25% menor com um aquecimento de 1,5°C, em comparação com um aumento de temperatura de 2°C. O especialista resumiu o principal risco para as pequenas ilhas do Pacífico da seguinte forma: "O acúmulo e a amplificação do risco por meio de efeitos em cascata sobre os ecossistemas e os serviços que eles fornecem provavelmente reduzirão a habitabilidade de algumas pequenas ilhas." Um estudo de 2018 feito por cientistas nos Estados Unidos e na Holanda, entre outros, observou que "a maioria das nações com atóis estarão inabitáveis ​​em meados deste século". A razão é que "a elevação do nível do mar agravará as inundações das ondas do mar". Situação legal sem precedentes Diante das mudanças climáticas e da falta de ações drásticas em todo o mundo, Tuvalu busca outros caminhos para o futuro. "O pior cenário é, obviamente, que sejamos forçados a nos mudar e nossas ilhas ficarem completamente submersas no oceano", disse Kofe à BBC Mundo. "E de acordo com o direito internacional, neste momento um país só pode ter uma zona marítima se tiver um território terrestre de onde traçá-la". "As normas internacionais neste momento não favorecem países como nós se desaparecermos, porque é uma área totalmente nova do direito internacional, nunca vimos um país desaparecer devido às mudanças climáticas". Tuvalu está atualmente explorando os caminhos legais para a aceitação internacional de que mesmo que o país desapareça, continuará a ser reconhecido como um Estado e terá acesso aos recursos de sua zona marítima, de acordo com Kofe. "Existem muitas abordagens que estamos examinando e uma delas é reinterpretar algumas das leis internacionais existentes a favor da proposição de que as zonas marítimas são permanentes e que nosso Estado também é permanente... Queremos que mais países reconheçam isso." "E a nível nacional, na nossa política externa, se um país deseja estabelecer relações diplomáticas com Tuvalu, uma das condições que estabelecemos é que reconheça que o nosso Estado é permanente e que as nossas reivindicações sobre as nossas zonas marítimas também o são." Ao contrário de Kiribati, Tuvalu não comprou terras em Fiji, embora Kofe tenha notado que este país "fez um anúncio público de que ofereceria terras a Tuvalu se ficarmos submersos no futuro". O ministro prefere não focar em uma possível realocação. "Não identificamos os países para os quais gostaríamos de nos mudar, porque também estamos cientes de que a realocação pode ser usada como uma desculpa por alguns dos países maiores, que podem dizer: 'Damos a eles terras para se mudarem e continuamos com nossas emissões dos gases de efeito estufa'". "A realocação é o último recurso para nós." Batalha legal por compensação Tuvalu também está procurando alcançar algo que os países em desenvolvimento pedem e os países ricos se recusam a conceder: compensação por "perdas e danos" causados ​​pela mudança climática. Junto com o governo de Antígua e Barbuda, Tuvalu acaba de registrar uma nova comissão nas Nações Unidas. "Uma das ideias por trás da criação desta comissão é que por meio dela temos acesso ao Tribunal Internacional do Direito do Mar e podemos pedir-lhe uma opinião consultiva sobre perdas e danos", disse Kofe. Ministro de Tuvalu grava vídeo para COP26 de dentro do mar para alertar que ilha está desaparecendo. Governo de Tuvalu/Redes sociais O Tribunal Internacional do Direito do Mar, com sede em Hamburgo, na Alemanha, tem a atribuição de resolver disputas relacionadas à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982. Os países da União Europeia e 167 outras nações ratificaram esta convenção. E embora os Estados Unidos não sejam um deles, alguns dos países que mais emitem gases de efeito estufa, como China e Índia, ratificaram o acordo. A nova comissão de Tuvalu e Antígua e Barbuda pedirá aos juízes do tribunal uma opinião consultiva sobre se eles podem reivindicar compensação de países que aqueceram o oceano por meio de suas emissões, disse Payam Akhavan, advogado que representa as duas nações. Se a opinião do tribunal for favorável, os países insulares podem entrar com ações de indenização no mesmo tribunal ou em outros tribunais internacionais ou nacionais, acrescentou. No caso da nação caribenha de Antígua e Barbuda, a maior ameaça não é o aumento do nível do mar, mas eventos climáticos extremos cada vez mais intensos e frequentes. O furacão Irma devastou a ilha de Barbuda em 2017, a segunda maior do arquipélago, e foi necessário deslocar temporariamente toda a população local, cerca de 1.600 pessoas, para a ilha principal, Antígua. Barbuda foi "arrastada" pelo furacão Irma, e Tuvalu "vai literalmente desaparecer", disse Akhavan. "Como uma nação inteira é compensada pela perda de seu território?" Para o advogado, as duas nações insulares "estão cansadas de palavras vazias e compromissos vagos e agora querem usar o direito internacional para repensar toda a questão das mudanças climáticas". Em 2009, os países ricos prometeram dar às nações em desenvolvimento US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020 para ajudar na transição para economias de baixo carbono e na adaptação às mudanças climáticas. No entanto, durante a COP26, tanto o governo britânico quanto o enviado dos EUA, John Kerry, disseram que a meta provavelmente será cumprida apenas em 2023. 'É devastador' Em sua mensagem final para a COP26, a ministra do Meio Ambiente das Maldivas, Aminath Shauna, destacou que a diferença entre "um aumento na temperatura global de 1,5 grau e 2 graus, para nós, é uma sentença de morte". Mesmo após a COP26, um estudo estimou que o planeta está a caminho de um aquecimento catastrófico de pelo menos 2,4 graus até o final do século. Para o povo de Tuvalu, a probabilidade de acabar como refugiado do clima aumenta a cada ano de inação global. "É devastador para qualquer pessoa ter a ideia de que sua casa pode ser arrasada nos próximos anos, de que seus filhos e netos podem não ter um lugar para morar", disse Simon Kofe. "É triste, e se você falar com muita gente em Tuvalu, eles têm laços muito fortes com a terra, a cultura e a história que temos aqui nessas ilhas. É muito difícil até mesmo pensar em deixar Tuvalu no futuro." Como se sente pessoalmente Kofe, um ministro de 37 anos com a enorme responsabilidade de lutar pela sobrevivência de seu país, embora isso não dependa muito de Tuvalu, mas do que fazem os países com as maiores emissões? "Reconheço que é uma tarefa muito difícil que temos como líderes em países como Tuvalu. Mas meu foco sempre foi não investir muito da minha mente em coisas que não posso controlar", disse Kofe à BBC Mundo. "Continuaremos a defender e exortar outros países a mudar o curso e reduzir suas emissões. Mas também temos que ser proativos em nível nacional. Essa é parte da razão pela qual estamos nos preparando para o pior cenário possível. Portanto, temos duas abordagens, uma é continuar a ação a nível internacional e, por outro lado, fazer a nossa parte a nível nacional. Acho que isso é tudo que você pode fazer. Não tenho certeza se posso fazer mais nada do que isso."

  • Ômicron parece não ter alta gravidade, mas é cedo para posições definitivas, diz conselheiro da Casa Branca
    on dezembro 5, 2021 at 7:55 pm

    Anthony Fauci afirmou primeiros sinais são um tanto encorajadores, mas pediu cuidado antes de fazer qualquer determinação de que ela é menos grave em relação a outras variantes. Anthony Fauci, assessor da Casa Branca sobre a pandemia Reuters Os primeiros indícios sobre a variante ômicron do coronavírus são "um tanto encorajadores", disse o principal assessor do governo dos Estados Unidos sobre a pandemia, Anthony Fauci. Ele indicou, no entanto, que ainda faltam informações para chegar a uma conclusão. "É muito cedo para fazer qualquer afirmação definitiva", disse Fauci à emissora americana CNN. "Até agora, não parece haver um grande grau de gravidade". "Temos que ter cuidado antes de fazer qualquer determinação de que é menos grave ou realmente não causa nenhuma doença grave comparável à variante delta. Mas até agora, os sinais são um tanto encorajadores em relação à gravidade". WEBSTORIES: o que se sabe sobre a variante ômicron? ÔMICRON: o que se sabe sobre os seis casos confirmados no Brasil Testes de laboratório tentam analisam a ômicron, cepa do vírus com dezenas de mutações, para determinar se ela é mais transmissível do que outras variantes, se é mais resistente à imunidade de vacinas e infecções ou se gera sintomas mais graves. Os resultados são esperados nas próximas semanas. "Há um risco real de que teremos uma diminuição na eficácia das vacinas", disse Stephen Hoge, presidente da fabricante de vacinas Moderna, ao canal ABC. Mas a magnitude dos efeitos ainda é desconhecida, disse ele. "Resta saber se será como vimos com a variante delta, contra a qual as vacinas ainda eram eficazes recentemente, ou se veremos algo como uma redução de 50% na eficácia, o que significaria que precisamos reiniciar as vacinas". A Moderna e outras empresas farmacêuticas, como a Pfizer, já começaram a trabalhar para adaptar suas vacinas à nova variante, se necessário. Pelo menos 15 estados dos Estados Unidos e cerca de 40 países confirmaram casos da variante ômicron. Os Estados Unidos impuseram na semana passada restrições à entrada de pessoas da África do Sul e sete outros países vizinhos para conter infecções.

  • Papa critica em Lesbos o 'naufrágio da civilização' por abandono de migrantes
    on dezembro 5, 2021 at 7:20 pm

    Segundo dia da viagem do pontífice à Grécia foi marcado pela visita ao campo de Mavrovouni, que ainda abriga cerca de 2.200 requerentes de asilo em condições difíceis. Papa critica em Lesbos o 'naufrágio da civilização' por abandono de migrantes Reprodução/ GloboNews O papa Francisco denunciou, neste domingo (5), o "naufrágio da civilização" que abandona os migrantes, em seu discurso no acampamento de refugiados da ilha grega de Lesbos, onde foi calorosamente recebido por numerosas famílias. O segundo dia da viagem do pontífice à Grécia foi marcado pela visita ao campo de Mavrovouni, que ainda abriga cerca de 2.200 requerentes de asilo em condições difíceis. ‘Papa, você é um herege’, grita padre ortodoxo durante passagem de Francisco em Atenas No local, durante um discurso emotivo, Francisco fez um apelo para enfrentar o "naufrágio da civilização", cinco anos após sua primeira visita a esta ilha grega em meio à crise migratória. O Mediterrâneo "está se tornando um cemitério frio sem lápides [...] eu imploro, vamos parar este naufrágio da civilização!", declarou ao ser recebido por vários refugiados que se reuniram entre os contêineres e tendas. O pontífice argentino cumprimentou longamente e abençoou as famílias presentes, incluindo muitas crianças. "Bem-vindo!", "nós te amamos", disseram a ele. Francisco abraçou uma criança e se dirigiu a um grupo de refugiados. "Estou tentando ajudá-los", disse ele. Então, sob uma tenda, o papa, visivelmente comovido, ouviu as canções alegres de um grupo de exilados e lamentou que o Mediterrâneo, "berço de tantas civilizações", seja hoje "como um espelho da morte". "Não permitamos que o 'mare nostrum' se transforme num desolado 'mare mortuum' (...), não deixemos que este mar de memórias se transforme no mar do esquecimento", exortou na presença de vários líderes religiosos, da presidente grega, Katerina Sakellaropoulou, do vice-presidente europeu, Margaritis Schinas, e do ministro grego das Migrações, Notis Mitarachi. Cerca de 40 requerentes de asilo, a maioria católicos de Camarões e da República Democrática do Congo (RDC), assistiram ao Angelus dominical e estiveram presentes no discurso proferido pelo papa sob uma tenda. Christian Tango, um congolês de 31 anos, falou com o papa, a quem agradeceu por seu "espírito de humanidade" perante as "crianças migrantes e refugiadas" e pediu que reze para que consigam "um lugar seguro na Europa". Mavrovouni é uma estrutura construída às pressas em um antigo campo de tiro do exército após o incêndio no acampamento de Moria, em setembro de 2020. Este acampamento insalubre era o maior da Europa. "Esta visita é uma bênção. O papa é o nosso líder espiritual", disse neste domingo à AFP a congolesa Roseta Leo, enquanto aguardava a chegada do pontífice. Sua compatriota Orphée Madouda, comemorou: "é a primeira vez que vou ver o papa", mas depois lamentou: "Nós refugiados somos seres humanos e devemos ser tratados como tal e não como prisioneiros". Em 2016, a ilha de Lesbos tornou-se a principal porta de entrada para milhares de migrantes que tentavam chegar à Europa. "Somos todos migrantes", disse Francisco quando visitou o campo de Moria em abril daquele ano. Alguns refugiados agora esperam voltar com ele para Roma, como aconteceu em 2016. Naquele ano, ele voltou com 12 refugiados sírios. Desta vez, 50 migrantes serão transferidos do Chipre, onde esteve na quinta e sexta-feira. De fato, em Atenas, a possibilidade de que alguns dos requerentes de asilo de Mavrovouni possam acompanhar o papa de Lesbos à Itália não foi descartada. Três acampamentos do tipo já foram abertos nas ilhas de Samos, Leros e Cos, e outros em Lesbos e Chios estão previstos para o próximo ano. Eles são cercados por arame farpado e fechados com portas de raios-X. Os refugiados, a pedra angular Tema principal de seu pontificado, a causa dos refugiados continua sendo a pedra angular da 35ª viagem do papa. O pontífice argentino "está convencido de que a questão dos migrantes é a maior catástrofe humanitária após a Segunda Guerra Mundial", segundo o escritor italiano Marco Politi, especialista em notícias do Vaticano. Jorge Bergoglio, que vem de uma família de migrantes italianos radicados na Argentina, tem defendido constantemente o acolhimento de milhares de "irmãos e irmãs", independentemente de sua religião ou condição de refugiado. Em Atenas, no sábado, criticou perante os dirigentes gregos "a comunidade europeia, dilacerada pelo egoísmo nacionalista", que "às vezes parece bloqueada e descoordenada, em vez de ser um motor de solidariedade". A visita do papa a Lesbos, mais curta do que em 2016, continuou neste domingo em Atenas com uma missa em uma sala de concertos onde ele pregou sobre "escassez e humildade" perante cerca de 2.000 fiéis entusiasmados. Em seguida, a agenda de Francisco previa uma segunda reunião com o chefe da Igreja Ortodoxa Grega, o arcebispo Jerônimo II, na nunciatura católica. Nesta segunda-feira, após um último encontro com jovens de uma escola católica, ele deixará Atenas por volta do meio-dia para retornar a Roma. Padre ortodoxo grita "você é um herege" ao Papa Francisco em Atenas

  • Ex-senador e candidato à Presidência dos EUA Bob Dole morre aos 98 anos
    on dezembro 5, 2021 at 6:18 pm

    Dole anunciou em fevereiro que havia sido diagnosticado com câncer de pulmão avançado e que iniciaria o tratamento. Ele tentou a Presidência três vezes e foi indicado pelo Partido Republicano em 1996. Imagem de arquivo de Robert Dole, morto neste domingo Reprodução/ Courtesy Dole Institute of Politics Bob Dole, que superou as feridas de combates da Segunda Guerra Mundial para se tornar uma figura proeminente na política dos Estados Unidos como senador republicano de longa data do Kansas e candidato à Presidência malsucedido de seu partido em 1996, morreu neste domingo. Ele tinha 98 anos. Dole, conhecido por seu humor que variava de autodepreciativo a cáustico, morreu dormindo, disse a Elizabeth Dole Foundation. Dole anunciou em fevereiro que havia sido diagnosticado com câncer de pulmão avançado e que iniciaria o tratamento. "É com o coração pesado que anunciamos que o senador Robert Joseph Dole morreu nesta manhã", disse a fundação em comunicado publicado no Twitter. "Ele serviu os Estados Unidos da América fielmente por 79 anos." Dole tentou a Presidência três vezes e foi indicado pelo Partido Republicano em 1996, mas perdeu para o democrata Bill Clinton. Dole foi o candidato à vice-Presidência de seu partido em 1976 em uma chapa encabeçada pelo presidente em exercício Gerald Ford, mas eles perderam para o democrata Jimmy Carter e seu companheiro de chapa Walter Mondale.

  • Chineses criam carro voador 'de verdade' com cara de superesportivo; vídeo
    on dezembro 5, 2021 at 4:55 pm

    O veículo, que deverá custar até R$ 755 mil, será produzido em massa a partir de 2024, de acordo com a XPeng, empresa fabricante do modelo. Fabricante chinesa cria superesportivo voador Os carros voadores fazem parte de toda uma nova tecnologia em desenvolvimento. A maioria dos modelos a ganhar esta denominação, no entanto, não são dotados de rodas, e apenas podem ser utilizados nos ares. A proposta da fabricante chinesa XPeng é outra. Seu modelo parece um carro superesportivo "de verdade", mas tem asas e hélices para subir aos ares. O veículo, que deverá custar até R$ 755 mil, será produzido em massa a partir de 2024 (veja detalhes no vídeo com imagens feitas por computador). Corrida pelo 'carro voador': o que é o veículo que Embraer, Gol e Azul querem nos céus do Brasil 'Kart voador'? Conheça modelo de R$ 520.000 feito por suecos VEJA FOTOS DO XPeng HT Aero Carro voador da XPeng, que deverá custar até R$ 755 mil, será produzido em massa a partir de 2024 XPeng XPEng HT Aero XPeng XPeng HT Aero XPeng Veja como é o 'kart voador' desenvolvido por suecos: 'Kart voador'? Conheça modelo elétrico de R$ 520.00 que já foi comprado por brasileiro

  • Hipopótamos são diagnosticados com Covid-19 em zoológico da Bélgica
    on dezembro 5, 2021 at 4:40 pm

    Imani e Hermien não têm sintomas além do nariz escorrendo, mas ambos foram colocados em quarentena por precaução. Casos podem ser os primeiros da doença na espécie. Foto mostra hipopótamos que tiveram resultado positivo para a Covid-19 no zoológico da Antuérpia, na Bélgica, em uma foto tirada no verão europeu de 2021. Antwerp ZOO Society/Jonas Verhulst/Handout via Reuters Os hipopótamos Imani e Hermien, que moram no zoológico da Antuérpia, na Bélgica, foram diagnosticados com Covid-19 no sábado (4), informou a agência de notícias Reuters. Os casos podem ser os primeiros da doença na espécie. Os bichinhos não têm sintomas além de nariz escorrendo, mas, por precaução, foram colocados em quarentena. Imani tem 14 anos e Hermien, 41. "Que eu saiba, esta é a primeira vez nesta espécie. Em todo o mundo, o vírus foi relatado principalmente em grandes símios e felinos", disse o veterinário do zoológico, Francis Vercammen. Já há casos de animais que foram infectados por humanos, como animais de estimação – incluindo gatos, cachorros e furões – e, em zoológicos, casos foram relatados em grandes felinos, lontras, primatas e hienas. A doença também se espalhou em fazendas de visons e em animais selvagens, como veados. Hipopótamos são diagnosticados com Covid-19 em zoológico da Bélgica O zoológico da Antuérpia está investigando as causas do contágio. Nenhum dos tratadores de animais aparentou ter, recentemente, sintomas da Covid-19 ou teve resultado positivo para o vírus, segundo o zoológico. Cerca de 75% da população belga está totalmente vacinada contra a doença, segundo o "Our World in Data", ligado à Universidade de Oxford.

  • Dez casos de Covid são detectados em cruzeiro com milhares de pessoas nos EUA
    on dezembro 5, 2021 at 3:32 pm

    O navio partiu de Nova Orleans em 28 de novembro e fez escalas em Belize, Honduras e México com mais de 3,2 mil pessoas a bordo. Dez casos de Covid-19 foram detectados em um cruzeiro com mais de 3,2 mil pessoas que retorna neste domingo (5) à cidade de Nova Orleans, na Louisiana, informaram as autoridades de saúde do estado americano na noite de sábado (4). Os casos foram detectados entre membros da tripulação e também entre os passageiros do navio, que é da Norwegian Cruise Line (NCL). A viagem partiu de Nova Orleans em 28 de novembro e fez escalas em Belize, Honduras e México. O anúncio vem em meio ao surgimento da variante ômicron do coronavírus, que tem preocupado cientistas do mundo todo – ainda não se sabe, entretanto, se ela é mais transmissível do que as outras ou se causa quadros mais graves de Covid. Também não se sabe se as infecções no navio foram causadas pela nova variante, que já teve casos confirmados nos EUA. O Departamento de Saúde da Louisiana disse que todos a bordo serão testados para a Covid-19 antes de desembarcar. "Aqueles que testarem positivo para a Covid-19 viajarão em veículos pessoais diretamente para suas próprias residências ou serão isolados de acordo com os regulamentos atuais em acomodações fornecidas pelo NCL", tuitou o departamento de saúde. Segundo o monitoramento "Our World in Data", ligado à Universidade de Oxford, apenas 49% dos moradores da Louisiana estavam completamente vacinados contra a Covid até 4 de dezembro. O percentual só é maior do que o visto em outros 4 estados americanos: Mississippi (com 47%), Alabama (com 46,4%), Wyoming (com 46%) e Idaho (com 45,4%). Suspensão de cruzeiros As viagens de cruzeiro haviam sido suspensas nos Estados Unidos em março de 2020, quando as autoridades de saúde emitiram uma ordem para prevenir as infecções por Covid. Alguns navios de cruzeiro retomaram suas atividades na Europa e outros destinos no ano passado, mas a proibição permaneceu nos Estados Unidos. O Canadá suspendeu a proibição dos navios de cruzeiro que operam em suas águas no mês passado.

  • Por que Brasil e EUA ficaram tão diferentes? Curso na Universidade de Chicago tenta explicar
    on dezembro 5, 2021 at 12:38 pm

    No papel, os dois são marcados por semelhanças – dimensões continentais, ricos em recursos naturais, moldados pelo colonialismo e pela escravidão. Na prática, contudo, a realidade é de muitos contrastes. Para pesquisadora, chave para entender os contrastes entre os dois países não está no tipo de colonização Oscar Pereira da Silva (via BBC) Assim como muitos americanos, a historiadora Brodwyn Fischer não chegou a aprender muito sobre o Brasil quando estava na escola. O primeiro contato mais profundo veio no início da faculdade, 30 anos atrás e, desde então, ela não parou mais de pesquisar sobre a história brasileira. "Uma das coisas que mais me fascinaram foi que começar a estudar história do Brasil me fez olhar diferente para a própria história dos Estados Unidos, porque os dois países têm muitas características básicas e estruturais, digamos assim, em comum." São dois países de dimensões continentais, ricos em recursos naturais, formados por populações originárias de três continentes, moldados pelo colonialismo e pela escravidão. No papel, Brasil e EUA são marcados por semelhanças – e, no entanto, tomaram caminhos completamente diferentes. Há cerca de 10 anos Fischer explora essas questões com seus alunos em uma disciplina ministrada inicialmente na Universidade Northwestern e hoje na Universidade de Chicago, onde foi batizada de Brazil: Another American History ("Brasil: Outra História Americana", em tradução literal). Em 18 aulas, o programa é uma imersão na história brasileira, passando pelo período colonial e o regime escravista à industrialização e formação das grandes cidades. Entre as leituras obrigatórias há desde clássicos da literatura, como Vidas Secas, de Graciliano Ramos, até autores fundamentais para entender o Brasil, como Sérgio Buarque de Holanda (O Homem Cordial) e Celso Furtado (Formação Econômica do Brasil). 'A Outra Garota Negra' discute pouca presença de negros na escrita: 'É muito injusto' A BBC News Brasil conversou sobre alguns desses temas com a professora, que é Ph.D pela Universidade de Harvard e foi diretora do Centro de Estudos para a América Latina da Universidade de Chicago entre 2015 e 2020. Parecidos, mas tão diferentes De forma geral, as comparações entre Brasil e Estados Unidos costumam ser permeadas por generalizações e exageros que colocam os dois países em polos opostos que muitas vezes não existem, avalia Fischer. É o que a historiadora chama de "ideias hiper-reais" – algo que nunca existiu de fato, mas acaba sendo colocado no debate como a essência de um determinado conceito. Uma dessas "ideias hiper-reais" seria justamente a razão que levou Brasil e EUA a se tornarem nações tão diferentes, apesar das semelhanças estruturais. No Brasil, muita gente reproduz a ideia de que a explicação está centrada no tipo de colonização a que os dois países foram submetidos – a portuguesa, implantada no Brasil, teria sido mais brutal e restritiva, enquanto a inglesa, levada aos EUA, teria dado aos americanos maior grau de liberdade, usado para desenvolver instituições e uma democracia mais sólidas. Uma divergência que teria selado o destino dos dois países. "Acho que uma das coisas com as quais a gente se depara no Brasil, mesmo entre pessoas com maior escolaridade, é essa 'ideia hiper-real' do que são os Estados Unidos. (A questão da colonização) é exatamente isso, mas os historiadores americanos não pensam mais dessa forma sobre sua história." O que explica então as diferenças tão profundas? Para Fischer, uma das razões remonta ao século 19 e tem uma ligação estreita com "as relações entre indivíduos e os direitos de cidadania". Em ambos os países, ela diz, a escravidão foi brutal, "algo que, moralmente, não deveria ter sido institucionalizado". O Brasil, contudo, viveu uma situação particular depois de 1831, quando o tráfico de escravizados foi proibido por lei – mas não acabou na prática. "A partir daí, a elite e o Estado passam a conspirar para que a escravidão continuasse, ainda que ilegalmente. Entre 1831 e 1850 (ano da promulgação da Lei Eusébio de Queiroz, que reafirmava a proibição ao tráfico), algo entre 700 mil e 800 mil pessoas foram trazidas ilegalmente para o Brasil para serem escravizadas. E toda a estrutura do Estado durante esses anos foi desenvolvida para ajudar as pessoas a contornar a lei." "Acho que essa é uma diferença fundamental. Nos Estados Unidos, nós tendemos a legalizar as brutalidades. Tornamos legal a possibilidade de que as pessoas andem armadas na rua, por exemplo. Então muitas das coisas que aparecem nos dois países acontecem dentro da lei nos EUA e fora da lei no Brasil", acrescenta. "Acredito que isso, de diversas formas, ajudou a moldar a maneira como o país opera. Um dos pontos que argumento é que o poder informal se desenvolveu muito cedo no Brasil, para preservar a 'casa grande' (termo usado para se referir aos grandes proprietários rurais do Brasil colonial), de forma que muita gente simplesmente não tem acesso a direitos políticos e civis básicos ou tem acesso limitado a direitos econômicos e sociais, quando estes entram em cena." Sem esses direitos básicos, a forma como essas pessoas que estão fora do círculo das elites têm acesso ao poder, por sua vez, é fora da estrutura do Estado e da lei. "E acho que o fato de que isso absorve uma fatia tão relevante das relações de poder no Brasil, em comparação ao que tradicionalmente se viu nos EUA, explica boa parte das divergências entre os dois países", conclui a professora. Algumas dessas ideias estão na tese de doutorado de Fischer, resultado de uma pesquisa na cidade do Rio de Janeiro, que ganhou no ano 2000 o Harvard University Gross Prize como melhor dissertação em História. O trabalho virou livro em 2010, publicado pela Stanford Press University e intitulado A Poverty of Rights: Citizenship and Inequality in Twentieth-Century Rio de Janeiro ("Pobreza de Direitos: Cidadania e Desigualdade no Rio de Janeiro do Século 20", em tradução literal). O jeitinho brasileiro Uma das ferramentas em um país em que o poder informal tem muita relevância é justamente o "jeitinho brasileiro", que se relaciona com o conceito do "homem cordial" de Sérgio Buarque de Holanda, que está na bibliografia do curso ensinado por Fischer. Na visão da historiadora, contudo, o "jeitinho" é outra "ideia hiper-real", uma espécie de exagero, na medida em que está longe de ser uma exclusividade do Brasil. "Quando há estudantes brasileiros nas minhas aulas, eles são os primeiros a mencionar o 'jeitinho' e dizer: 'Ah, nós somos bastante diferentes dos EUA!'. E aí o que eu tento fazer é mostrar as diversas maneiras pelas quais as pessoas nos Estados Unidos usam o 'jeitinho'. Não chamamos de 'jeitinho', mas a ideia de alguém tentar contornar as normas que não lhe favorecem é universal." Fischer ilustra essa discussão com um comentário sobre o antropólogo Roberto da Matta, um dos "intérpretes do Brasil" mais lidos nos Estados Unidos, que chegou a escrever que o trânsito caótico no Brasil e o hábito dos motoristas brasileiros de "fechar" e "furar" são, em certa medida, reflexos do "jeitinho". "Ele morava numa cidade pequena em Indiana, onde viveu quando lecionava na [Universidade de] Notre Dame, e tinha essa ideia de que nos EUA as pessoas respeitam as leis de trânsito – mas, se você estiver em qualquer grande cidade, vai ver que isso não é verdade. As pessoas atravessam fora da faixa o tempo todo, estão quebrando regras, vendendo produtos ilegalmente na rua… Todas essas coisas acontecem em toda parte aqui, então é mais uma daquelas 'ideias hiper-reais'." A diferença, ela diz, é muito mais uma questão sobre como um povo vê a si mesmo. "Acho que tem a ver com a discussão sobre como a autopercepção de uma nação de fato acaba lhe dando forma. Se você é brasileiro, a ideia de que o 'jeitinho' está no centro do seu mundo o legitima e o transforma em algo que as pessoas estão dispostas a fazer com maior frequência." "Aqui nos EUA, a ideia 'hiper-real' do que nos tornava diferentes era a lei e a ordem, de que nós seguimos as regras. Não era verdade, mas era como pensávamos sobre nós mesmos. Acho que isso começa a se desintegrar – nos EUA, mais e mais pessoas não confiam nas leis e no Estado. Mais pessoas não acham que a melhor forma de resolver seus problemas é respeitando as normas. A ideia do 'jeitinho' aqui tem cada vez mais se tornado senso comum, na forma como o tem sido há tanto tempo no Brasil." O contraste na questão racial Uma das diferenças mais complexas entre Brasil e EUA se dá no campo das relações raciais, destaca a professora. Apesar de ambos os países terem instituído sistemas brutais de escravidão, o Brasil passou por um processo intenso de miscigenação entre brancos, negros e índios, que não se viu na mesma medida nos EUA. Um dos fatores que ajudam a explicar os contrastes, diz a historiadora, é a própria demografia. O Brasil recebeu um volume muito maior de africanos escravizados, aproximadamente 5 milhões, ante cerca de 250 mil desembarcados nas 13 colônias que formariam os EUA, conforme a plataforma Slave Voyages, um grande banco de dados mantido por pesquisadores da Universidade de Emory, nos EUA. Isso foi determinante para que o Brasil se tornasse um país de maioria negra, que hoje corresponde a cerca de 50% da população, conforme a classificação do IBGE que reúne quem se declarou preto ou pardo no Censo de 2010. Nos EUA, ainda que haja regiões no sul em que a população negra seja predominante, no país como um todo ela é minoria – algo entre 12% e 13% do total, atualmente. "Acho que isso às vezes é minimizado", diz a professora, que se prepara para lançar o livro The Boundaries of Freedom: Slavery, Abolition, and the Making of Modern Brazil ("Os Limites da Liberdade: Escravidão, Abolição e a Construção do Brasil Moderno", em tradução livre) em coautoria com a historiadora brasileira Keila Grinberg. Prevista para 2022, a obra é editada pela Cambridge University Press. Com uma proporção elevada de pessoas escravizadas, foram diferentes os mecanismos de controle social colocados em prática no Brasil para manter o sistema escravista vivo durante três séculos. Ainda que fosse brutal e violento, ele incorporou, por exemplo, o instrumento das alforrias. Menos recorrentes nos EUA, aqui elas foram mais largamente utilizadas, concedidas não apenas pelos "senhores de escravos", mas compradas pelos próprios escravizados, por organizações abolicionistas e de caridade. Outra diferença importante e que teria reflexos profundos na formação das relações raciais no Brasil foi a relativa mobilidade que corria em paralelo à lógica de violência e sujeição que marcou o regime escravista. No Brasil, um escravizado poderia passar a vida cortando cana-de-açúcar e ver seu filho trabalhando como escravo doméstico, exemplifica a historiadora. Ela lembra as obras do pintor francês Jean-Baptiste Debret, que chegou a retratar uma espécie de "hierarquia" entre os escravizados que viviam no ambiente urbano. Além dos escravizados que se dedicavam aos afazeres domésticos na casa de seus "senhores", havia, por exemplo, os escravos de ganho, que trabalhavam fora – como vendedores ambulantes ou prestando serviços a terceiros – e repassavam parte do que auferiam a seus proprietários. Pesquisas como a da historiadora Ynaê Lopes dos Santos, professora de História das Américas na Universidade Federal Fluminense (UFF), apontam ainda que, no Rio de Janeiro do século 19, alguns escravizados chegavam a morar fora da casa dos "senhores", em cortiços e imóveis alugados. "Essa foi uma dimensão importante. Era um certo nível de mobilidade que poderia ser conquistado sem um confronto aberto à instituição da escravidão", pontua Fischer. Nos EUA, especialmente nas colônias do sul, essa mobilidade era praticamente inexistente e as tensões sociais, muitas vezes mais visíveis. "A polarização era tão grande que não havia muita alternativa a não ser criar grupos de solidariedade e eventualmente movimentos pelos direitos civis." O caso da miscigenação à brasileira Os EUA implementaram uma série de normas e leis racistas que desencorajavam a miscigenação. O casamento interracial, por exemplo, foi proibido em diversas partes do país até 1967, quando uma lei do estado da Virginia foi derrubada na Suprema Corte. Outro exemplo prático foi a chamada "one drop rule" ("regra de uma gota", em tradução literal), adotada em vários estados: independentemente do fenótipo, um indivíduo com qualquer antepassado de origem africana era classificado como negro, com todas as implicações legais que isso acarretava no país. Nenhum outro grupo étnico era identificado dessa forma. Já no Brasil, a miscigenação muitas vezes foi vista como instrumento de mobilidade social – e, nesse sentido, é fundamental para entender a forma particular de racismo que se desenvolveu aqui, que se manifesta muitas vezes de forma velada. "Faço muita pesquisa com ações judiciais do século 19, e essa é uma das coisas mais dolorosas com as quais tenho que trabalhar como historiadora", comenta Fischer. "Nesses processos você consegue ver todo tipo de estratégia que as pessoas usavam para tentar melhorar um pouco suas vidas. E uma das coisas que se pode observar são pessoas que tentavam clarear a pele dos filhos. Elas querem que os filhos sejam chamados de pardos, alguns querem que eles sejam reconhecidos como brancos na certidão de nascimento. Há uma espécie de racismo internalizado, que funciona de forma parecida com a da mobilidade dentro do sistema escravista, de forma que não se confronta o racismo como sistema." "Então você pode ir de negro, a pardo e branco, e o racismo ainda está completamente colocado – está sendo reforçado, na verdade." Essas dinâmicas, completamente diferentes do racismo institucionalizado que se via em países como EUA e África do Sul, culminam na "democracia racial", a ideia de que não havia discriminação racial no Brasil, disseminada por teóricos como o sociólogo Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala, obra que reforça essa visão. A historiadora comenta que a "ilusão" da democracia racial aparece inclusive na imprensa negra americana, em artigos de jornais como o Chicago Defender, que ela apresenta aos alunos no curso. Jornalistas e sociólogos como W. E. B. Du Bois, ativista pelos direitos civis, vieram ao país no início do século 20, após a visita do presidente americano Theodore Roosevelt, e chegaram a escrever que o Brasil seria um exemplo a ser seguido no contexto das relações raciais. "Você vê negros americanos dizendo: 'Olha, eu fui lá e vi médicos negros, políticos, Machado de Assis, um grande escritor negro… O que eles não percebem é que essas pessoas não necessariamente são vistas como negras." "E isso foi muito antes de a ideia da democracia racial emergir mais formalmente no Brasil nos anos 1940." Esse conceito seria desmistificado por intelectuais brasileiros como Abdias do Nascimento, ativista pelo direitos dos negros e que também faz parte da bibliografia do curso de Fischer, com a obra Brazil: Mixture or Massacre ("Brasil: Mistura ou Massacre" em tradução livre). De volta à questão do poder informal, a historiadora argumenta que ele é chave para entender o racismo no Brasil e é um dos instrumentos usados até hoje para reforçá-lo. "Nos Estados Unidos, essa questão (sobre como o racismo é reforçado) tem um pouco mais a ver com o fato de que as instituições são abertamente e claramente racistas em suas práticas. É uma comparação interessante, porque, no fim do dia, se você é negro e pobre no Brasil, é baixa a probabilidade que você tenha acesso a direitos, e o mesmo vale para os EUA. Existe uma semelhança em relação aos resultados, mas os caminhos para se chegar a eles são bem diferentes – e tentar entender isso pode trazer benefícios para os dois países."

  • A turbulenta história da vacinação obrigatória no Brasil e no mundo
    on dezembro 5, 2021 at 12:17 pm

    A vacinação obrigatória nos acompanha há séculos, silenciosamente salvando vidas. Uma mulher segura um pequeno frasco de vacina contra a Covid-19 em 30 de outubro de 2020 Dado Ruvic/Reuters A vacinação obrigatória nos acompanha há séculos, silenciosamente salvando vidas — e geralmente sem oposição, enquanto não ocorrem mudanças. Para o centro médico Virginia Mason Franciscan Health, no estado de Washington, nos Estados Unidos, 18 de outubro de 2021 foi um dia para colocar à prova o histórico até então bem-sucedido de vacinação dos seus funcionários. Dez semanas antes, o centro havia decidido que todos os seus funcionários deveriam ser vacinados contra a Covid-19 até aquela data, para proteger os trabalhadores e os pacientes do centro médico contra a doença. Era uma exigência potencialmente polêmica, considerando a falta de pessoal e a resistência à vacinação que atingia outras partes do setor médico norte-americano. Mas, quando 18 de outubro chegou, 95% dos funcionários haviam atendido à exigência com vacinação ou isenção aprovada. Os outros 5%, incluindo os funcionários com vacinação parcial, estão agora licenciados do serviço. Charleen Tachibana, executiva que dedicou toda a sua carreira ao centro médico, acredita que essa alta taxa de vacinação deve-se, em parte, "à nossa longa história de vacinação obrigatória... é algo que se tornou bem normal". Em 2004, o Virginia Mason anunciou ter se tornado o primeiro centro médico a exigir que todos os seus funcionários fossem vacinados contra a influenza anualmente. A administração do centro formou grupos de conscientização e promoveu outras atividades, incluindo jogos e um evento, para incentivar a discussão sobre a nova exigência. A abordagem foi muito bem sucedida e a taxa de vacinação dos funcionários de Virginia Mason contra a influenza disparou de 54% para 98% em dois anos. Covid: vacinas Pfizer e Moderna são as mais eficazes para reforço, indica estudo Vacina e Covid-19: Preciso usar máscara e evitar aglomerações mesmo depois de vacinado? As lições aprendidas com essa experiência serviram de base para implantar a vacinação obrigatória contra o coronavírus. Um aspecto foi garantir a maior conveniência possível para que os funcionários tomassem a vacina. O outro aspecto foi um sério enfoque na comunicação a respeito da nova exigência, incluindo sessões de informação e documentos em diversos idiomas. "Nós levamos a sério nossas obrigações", segundo Tachibana. "Existe tanto conhecimento científico claro a respeito — que a vacina é comprovadamente segura e tão eficaz — que levamos [a questão] adiante." A experiência de Virginia Mason sugere que a vacinação obrigatória é uma ferramenta poderosa para proteger a saúde pública. Mas pode também ser muito contestada. De certa forma, o comportamento relativo à necessidade atual de vacinação contra a Covid-19 reflete os padrões de séculos atrás, o que ressalta a importância de compreender as lições históricas da vacinação obrigatória. Precedentes de vacinações obrigatórias No século 17, médicos chineses descobriram que certas preparações de varíola, quando sopradas pelo nariz, poderiam gerar doença mais suave que a infecção natural, seguida por imunidade. A técnica acabou por difundir-se para a Europa e as Américas, onde geralmente era esfregado material infeccioso em uma punção na pele. À medida que ela se espalhou pelo mundo, alguns líderes decidiram eventualmente obrigar esse tipo de inoculação. Durante a Guerra da Independência Americana, em 1777, por exemplo, o general George Washington exigiu que todas as tropas fossem inoculadas contra a varíola. A inoculação deu lugar à vacinação mais sofisticada, depois que o médico inglês Dr. Edward Jenner desenvolveu uma vacina contra a varíola em 1796, com base no vírus da varíola mais suave, que infecta as vacas. A vacinação obrigatória começou poucos anos depois. Em 1806, Elisa Bonaparte, governante de Lucca e Piombino, no território que hoje pertence à Itália (e irmã de Napoleão), ordenou a vacinação de bebês recém-nascidos e adultos. Líder de grupo negacionista italiano diz que vai se vacinar após quase ir para a UTI com Covid-19 Outro marco histórico ocorreu em 1853, quando a Lei da Vacinação Obrigatória exigiu que os bebês da Inglaterra e do País de Gales fossem vacinados contra a varíola. Embora algumas vacinas inicialmente fossem populares, como a da pólio, observa-se um padrão em que o público se acostuma com uma exigência de vacina específica ao longo do tempo. Isso até que algumas pessoas comecem a ficar assustadas com o surgimento de vacinas novas. "Os Estados Unidos estabeleceram a vacinação obrigatória no final dos anos 1970", segundo Lee Hampton, pediatra e médico epidemiologista da Aliança pelas Vacinas (Gavi). Vacinação no Brasil Imagens da produção da vacina contra febre amarela na primeira metade do século XX Acervo Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz No Brasil, o nome mais marcante da vacinação no país é o do médico Oswaldo Cruz, que liderou a campanha de combate sanitário contra a varíola, a peste bubônica e a febre amarela. As três seriam erradicadas em poucos anos do Rio de Janeiro, então capital federal. Seu nome batizaria décadas depois a Fundação Oswaldo Cruz, que surgiu em 1900 a partir do Instituto Soroterápico Federal, criado para fabricar soros e vacinas contra a peste bubônica. Cruz é bastante conhecido também pela reações que gerou. Então chefe da Direção-Geral de Saúde Pública (equivalente a ministro da Saúde), ele defendeu a adoção da vacinação obrigatória contra varíola, o que desencadeou diversas reações violentas de parte da população, que já vivia forte opressão social. Uma delas foi a Revolta da Vacina, em 1904, que levaria à revogação da obrigatoriedade naquele mesmo ano. Medo, reações escapistas e busca por culpados durante epidemias já ocorreram em outros momentos da história, explicam historiadores Mas em 1908, em meio a um grave surto de varíola no Rio de Janeiro, a população passaria a buscar voluntariamente a imunização. A doença seria erradicada do país em 1971. Desde então, vacinas são aplicadas de maneira ampla, gratuita e coordenada no Brasil com implantação do Plano Nacional de Vacinação, nos anos 1970. E, aos poucos, restrições começaram a ser impostas a quem não se vacinasse. Atualmente, embora não se obrigue fisicamente pessoas a tomarem a vacina, há restrições a direitos civis para quem não cumprir o calendário vacinal do Sistema Único de Saúde. "Quando se fala que vai ter vacinação obrigatória, a maioria das pessoas imagina uma cena com um agente de saúde entrando na sua casa com uma seringa na mão e vacinando você à força, contra a sua vontade", diz a pesquisadora Natalia Pasternak, PhD em microbiologia e integrante da Equipe Halo, uma iniciativa da ONU que reúne cientistas do mundo todo para aumentar o alcance da ciência. A microbiologista e pesquisadora da USP Natalia Pasternak fala na CPI da Covid Jefferson Rudy/Agência Senado "Isso não existe e não vai acontecer. Não é assim que as vacinas são tratadas em países democráticos." Exemplos de como a "obrigatoriedade" na imunização se aplica no Brasil incluem exigência de vacinação em dia para matrícula em escolas públicas em vários estados, como São Paulo, Goiás e Pernambuco, para registro em grande parte dos concursos públicos, para obter Bolsa Família (renomeado Auxílio Brasil) e para se alistar nas Forças Armadas. Na Itália, EUA, Reino Unido... Outros países também exigem a vacinação para o exercício pleno de direitos civis. A Itália exige a vacinação das crianças contra uma série de patógenos, como a hepatite B, difteria, coqueluche, poliomielite, tétano, Haemophilus influenzae do tipo B, sarampo, caxumba, rubéola e varicela. Segundo Hampton, "a obrigação propriamente dita... na verdade não causou nenhum problema. O que ocasionou mudanças ao longo do tempo nesse tipo de contexto foram as alterações da obrigação." Esse padrão vem sendo observado, por exemplo, com as novas exigências de vacinação contra a hepatite B, antraz e agora, é claro, a Covid-19. A vacinação agora é necessária, em alguns casos, para o comparecimento às escolas (por exemplo, na Eslovênia, contra a hepatite B), para transplantes de órgãos (algumas regiões do Reino Unido exigem a vacinação para transplantes renais) e, em um caso extremo na Itália, para manter a custódia de crianças. As penalidades pelo não cumprimento, na maioria dos casos, são educativas ou financeiras. A vacinação obrigatória é especialmente comum nos países ricos, segundo Hampton. Existem também tendências de variação de acordo com o estilo de governo, em que "quanto mais autoritário for o governo, mais provável o estabelecimento da vacinação obrigatória". Isso não é uma surpresa, já que é mais fácil para esse tipo de governo impor novas regras, incluindo as de interesse público (como no caso das vacinas). Gâmbia, por exemplo, ordenou a imunização infantil em 2007, durante um período de regime autoritário (após uma queda na cobertura vacinal). Refugiada da Gâmbia no Brasil é aprovada em 13 universidades no exterior Mas a vacinação obrigatória também é comum em países democráticos durante situações de emergência, como as pandemias. O estado de Nova York, nos Estados Unidos, impôs temporariamente a vacinação obrigatória dos funcionários da saúde contra a gripe durante a pandemia de gripe suína em 2009. O legado da "objeção consciente" Ao longo dos séculos, surgiram algumas objeções sobre os componentes utilizados na fabricação das vacinas. Algumas vacinas incluem pequenas quantidades de produtos animais, como esqualeno, um óleo extraído do fígado de tubarões. A vacina contra a pólio usava anteriormente células de rins de macacos. Esses ingredientes causaram certa oposição dos vegetarianos. A primeira vacina contra a varíola incluía linfa de varíola bovina, retirada da vesícula de bezerros. Para parte do crescente movimento vegetariano e antivivissecção na Grã-Bretanha vitoriana, isso era repulsivo. Esses questionadores das vacinas tinham vários argumentos diferentes, segundo Sylvia Valentine, atualmente trabalhando em sua tese de PhD sobre o tema na Universidade de Dundee, no Reino Unido. "Algumas das denominações inconformistas acreditavam que o corpo humano não deveria ser contaminado com material animal", segundo ela. "O movimento antivivissecção também estava envolvido com os antivacinas e muitos questionadores eram 'anti' muitas outras coisas, incluindo a interferência do Estado nas suas vidas. Os antivivisseccionistas questionavam os métodos empregados para obter a linfa de bezerro, que eram um tanto perversos, para ser honesta, e se preocupavam com o bem-estar animal", segundo Valentine. Tecidos suínos também levaram parte dos muçulmanos a se preocupar se algumas vacinas seriam halal — permitidas pelo Islã — por exemplo, se elas usassem gelatina de porcos como estabilizante. Isso foi um desafio para a vacinação contra o sarampo na Indonésia, em 2018. Mais recentemente, clérigos muçulmanos na Indonésia declararam que as vacinas contra a Covid-19 são aceitáveis e os fabricantes de vacinas contra a Covid-19 afirmaram que suas vacinas não contêm produtos derivados de porcos. Algumas autoridades do Judaísmo também insistiram que não deveria haver problemas com vacinas não orais que contenham ingredientes derivados de porcos. Outro componente contestado são as linhagens de células de fetos obtidas após abortos que foram realizados legalmente décadas atrás. Essas linhagens celulares continuam a ser utilizadas nos testes de algumas vacinas e no desenvolvimento de outras. Mas o Vaticano declarou que as vacinas contra o coronavírus são "moralmente aceitáveis". Embora haja discordâncias entre as religiões e os indivíduos, particularmente nas religiões altamente descentralizadas — como entre os cristãos evangélicos nos Estados Unidos —, nenhuma religião estabelecida proíbe a vacinação. De fato, ao longo de toda a história, as autoridades religiosas desempenharam papéis importantes no incentivo à vacinação e sua implementação. Afinal, é do interesse delas proteger a saúde dos seus seguidores. Além dos questionadores espirituais, muito ativismo trabalhista foi relacionado à oposição contra as vacinas. Durante a era vitoriana, alguns empregadores ingleses impuseram a vacinação obrigatória contra a varíola, que afetava particularmente a classe trabalhadora — que também apresentava muita resistência. Os sindicatos geraram forte oposição organizada (incluindo, em 2004, as enfermeiras sindicalizadas que questionaram a exigência de vacinação contra a influenza no centro médico Virginia Mason). Em 1898, a Inglaterra passou a admitir objeções conscientes à vacinação obrigatória. Mas a aprovação dessas isenções tornou-se relativamente fácil apenas em 1907 — e chegou a atingir um a cada quatro nascimentos. Atualmente, apenas uma pequena minoria de pessoas antivacina é muito atuante, mas "o movimento antivacina na era vitoriana era muito maior", segundo Nadja Durbach, professora especialista na história do corpo da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. "Era muito mais disseminado que o movimento antivacina atual. Não se conhecia muito da ciência de vacinação e a falta de condições sanitárias significava que o processo podia facilmente causar infecções." Mas continua a haver paralelos entre os protestos antivacina históricos e contemporâneos. Símbolos antivacinas continuam ocasionalmente a ser queimados em alguns lugares, como ocorreu em Utah, em maio deste ano. Mas uma diferença é o ambiente dos protestos vitorianos, que, às vezes, lembrava o carnaval. Durbach descreveu que "uma demonstração antivacinação comum envolvia levar um prisioneiro antivacina recém-libertado, muitas vezes ainda com as roupas da prisão, em uma carroça adornada com fitas e faixas, acompanhada por uma charanga musical". Impulsos x entraves A vacinação obrigatória contra a varíola terminou no Reino Unido em 1947, em meio a uma tendência mais ampla de vacinação opcional (por exemplo, contra a difteria), concentrada na educação e na persuasão. Mas, como estamos vendo agora com a Covid-19 e como vimos anteriormente com a varíola, a vacinação obrigatória realmente aumenta as inoculações. Quando a França ordenou a vacinação infantil contra 11 doenças potencialmente mortais para os nascidos após 2018, por exemplo, o número de crianças totalmente vacinadas aumentou significativamente com relação aos anos anteriores. Quando escolhida com cuidado, é inquestionável que a vacinação obrigatória pode salvar vidas. Um estudo demonstrou, por exemplo, que os pacientes são substancialmente menos propensos a morrer – com taxas de mortalidade de cerca de 13,6% contra 22,4% – em hospitais com níveis mais altos de vacinação contra a gripe entre os funcionários de assistência médica em comparação com as instituições com níveis de vacinação menores, embora a probabilidade dos pacientes serem infectados pelo vírus seja a mesma. Outro estudo europeu também concluiu que, em países com vacinação obrigatória contra o sarampo e sem isenções de ordem não médica, a incidência da doença foi 86% inferior a países onde a vacinação não era obrigatória. Existe tensão comum entre a obrigação, que pode aumentar a hostilidade, e a vacinação voluntária, que pode aumentar a transmissão. Alguns especialistas em saúde preocupam-se com a vacinação obrigatória porque essas políticas podem reduzir a confiança nas autoridades médicas a longo prazo. Como exemplos, a vacinação obrigatória gerou distúrbios violentos no Brasil e pode haver contribuído com furiosos movimentos antivacina em toda a Europa. Na França, que é um dos principais locais de hesitação contra as vacinas do mundo, o Ministério da Saúde tentou reduzir os efeitos polarizantes da vacinação obrigatória ampliando seus esforços para criar leis que estabeleçam confiança. Isso gerou maior cobertura vacinal, embora uma minoria significativa ainda permaneça hesitante com relação às vacinas – o que sugere a importância de continuar a monitorar comportamentos e fortalecer as relações entre as instituições médicas e o público. Mas nem todos concordam com a definição do que é "obrigatório". Existe um argumento de que muitas das chamadas vacinações obrigatórias tecnicamente não o são porque as pessoas muitas vezes podem decidir não se vacinar em certas circunstâncias, como crenças religiosas. E a execução pode ser deficiente ou até inexistente. A vacinação coercitiva – que envolve a execução de vacinação obrigatória com força física ou intimidação – é diferente. E, apesar dos efeitos benéficos do aumento da cobertura vacinal, existe um consenso de que essa estratégia deve ser evitada. Ainda assim, segundo o pesquisador chinês da ONG Human Rights Watch, Yaqiu Wang, táticas coercitivas, que incluem espionagem e perseguição, estão sendo relatadas em algumas partes da China. Wang explica que esta não é necessariamente uma política oficial do país, mas o governo central emite quotas de vacinação rigorosas para os governos locais, como a orientação de vacinar pelo menos 90% das crianças na China, emitida em setembro de 2021. "Esse tipo de quota/decreto do governo central eleva a taxa de vacinação, mas, às vezes, pode resultar em vacinações coercitivas a nível local", segundo Wang. Mesmo na ausência de força física, certas penalidades pelo descumprimento das normas obrigatórias podem ser contraproducentes – por exemplo, se forem cobradas altas multas de pessoas que já têm dificuldade de sair do trabalho ou de se deslocar para os locais de vacinação. Isso foi um ponto de discórdia entre os criadores de bicho-da-seda no século 19 e permanece sendo um obstáculo para algumas pessoas que ainda não foram vacinadas. Para Lee Hampton, a vacinação obrigatória é "algo a ser utilizado com moderação", com o mínimo de execução possível. As condições para o seu uso deverão incluir "a existência de uma doença mortal, particularmente uma doença mortal altamente contagiosa, e intervenções [seguras e] eficazes para reduzir a transmissão dessa doença. Trata-se normalmente de uma boa combinação." "O que ajuda é que as vacinas que temos contra a Covid-19, afinal, são extremamente seguras", acrescenta ele. Hampton permanece otimista que a vacinação obrigatória continuará a ser uma forma útil de proteger a população, apesar da oposição encontrada. "Com cuidado e critério, o benefício da vacinação obrigatória superará os riscos", afirma ele. Só o tempo dirá se isso é suficiente para convencer os céticos das vacinas. Veja VÍDEOS sobre as vacinas da Covid-19:

  • Sobe para 14 o número de mortos após erupção de vulcão na Indonésia
    on dezembro 5, 2021 at 11:04 am

    Monte Semeru entrou em erupção no sábado (4); vídeo mostra pessoas fugindo de nuvem de cinzas. Imagens aéreas mostram danos causados pela erupção de vulcão na Indonésia Subiu para 14 o número de mortos depois da erupção do vulcão Semeru, na Indonésia, no sábado (4), anunciaram as autoridades do país por volta de meio-dia, no horário de Brasília, deste domingo (5). Pela manhã, o número de mortes estava em 13. 56 pessoas ainda estão hospitalizadas, a maioria com queimaduras, segundo o porta-voz da Agência Nacional de Mitigação de Desastres, Abdul Muhari. Outras 9 pessoas ainda estão sendo procuradas. Mais de 1,3 mil moradores da região foram para abrigos de emergência improvisados, mas muitos outros desafiaram os avisos oficiais e optaram por permanecer em suas casas para cuidar de seus rebanhos e proteger suas propriedades, segundo autoridades. Foto mostra moradores inspecionando danos em sua casa em uma área afetada pela erupção do Monte Semeru, em Lumajang, Java Oriental, Indonésia, neste domingo (5). Trisnadi/AP O governo prometeu realocar os moradores das vilas mais atingidas para lugares mais seguros nos próximos seis meses e fornecer 500 mil rúpias indonésias (cerca de R$ 195) por mês como compensação para cada família enquanto esperam por novas casas. Os esforços de busca e resgate tiveram que ser temporariamente suspensos na tarde deste domingo (5), devido ao temor de que cinzas e detritos pudessem voltar a cair da cratera do vulcão devido às fortes chuvas. Erupção Moradores fogem de nuvem gigantesca de cinzas durante erupção de vulcão na Indonésia Imagens divulgadas em redes sociais mostraram moradores fugindo de uma nuvem gigantesca de cinzas, logo após a erupção do vulcão (veja vídeo acima) no sábado (4). A erupção foi causada por uma tempestade somada a dias de chuva – que derrubaram a cúpula de lava no topo do Semeru, afirmou Eko Budi Lelono, que chefia o centro de pesquisa geológica do país, à agência Associated Press. O Semeru tem 3.676 metros de altura e é o mais alto da Indonésia. Foto mostra prédio de uma fábrica coberto por cinzas da erupção do Monte Semeru, no distrito de Lumajang, província de Java Oriental na Indonésia, neste domingo (5). Trisnadi/AP Segundo a AP, o Monte Semeru expeliu grossas colunas de cinzas a mais de 12 mil metros de altura. Gás e lava desceram pelas encostas do monte. Várias aldeias ficaram cobertas de cinzas. De acordo com o chefe da agência geológica, os fluxos de gás escaldante e lava desceram por até 800 metros até um rio próximo. Foto mostra Monte Semeru expelindo fumaça neste domingo (5), depois de entrar em erupção no sábado (4). Trisnadi/AP Os destroços e lava misturados com a chuva formaram uma lama espessa que destruiu a ponte principal que conecta Lumajang, onde ocorreu a erupção, e o distrito vizinho, de Malang, além de uma ponte menor. Foto mostra aldeia coberta por cinzas da erupção do Monte Semeru, no distrito de Lumajang, província de Java Oriental, na Indonésia, neste domingo (5). Trisnadi/AP Alguns moradores que fugiram para um abrigo do governo perto da sede do distrito de Lumajang disseram que as autoridades não deram nenhuma informação sobre as atividades do vulcão. “De repente, tudo escureceu, a tarde clara se transformou em noite. Um som estrondoso e calor nos forçaram a correr para a mesquita ”, disse Fatmah, uma moradora que fugiu para um abrigo a cerca de 5 quilômetros da cratera. “Foi uma erupção muito mais forte do que em janeiro”, disse, referindo-se à última vez em que o Semeru também entrou em erupção, sem deixar vítimas. A porta-voz do Ministério dos Transportes, Adita Irawati, disse que seu escritório emitiu um aviso no sábado para que companhias aéreas evitassem rotas perto do vulcão. Ela disse que as operações de voo ainda estão ocorrendo conforme programado e que as autoridades continuarão monitorando a situação. Erupção do vulcão Semeru: incidente foi na ilha de Java Oriental g1 A Indonésia é um arquipélago com mais de 270 milhões de habitantes propenso a terremotos e atividades vulcânicas, porque fica ao longo do “Anel de Fogo” do Pacífico.

  • Tailândia muda regra de entrada em cima da hora e casal brasileiro em lua de mel fica preso quase 3 dias em aeroporto na Etiópia
    on dezembro 5, 2021 at 9:00 am

    Bia Hader e Demétrio Zanini estavam em pleno voo quando Phuket alterou exigências e eles foram surpreendidos ao desembarcarem em escala no país africano. Mesmo após obterem vistos, funcionários não queriam deixar que eles aguardassem voo de volta em hotel por causa de guerra civil. A atriz Bia Hader e seu marido, o engenheiro de dados Demétrio Zanini, que ficaram presos no aeroporto de Adis Abeba, na Etiópia Reprodução/Instagram/Bia Hader Uma alteração de regras do governo tailandês para entrada no país, introduzida – literalmente – de última hora, fez com que um casal de brasileiros passasse quase três dias preso dentro de um aeroporto na Etiópia, sem conforto ou acesso à sua própria bagagem. Ao planejarem sua lua de mel em Phuket, a atriz Bia Hader, de 32 anos, e o engenheiro de dados Demétrio Zanini, de 39, pesquisaram minuciosamente o que precisariam fazer para não correr o risco de serem barrados em virtude do rigoroso controle de turistas na Tailândia por causa da pandemia de Covid. Providenciaram toda a documentação necessária, pagaram um seguro viagem, reservaram hotel e transporte, preencheram uma série de termos, fizeram os testes de saúde no prazo exigido e embarcaram tranquilos. Eles só não contavam que as autoridades de Phuket fossem alterar as regras exatamente enquanto estavam a caminho, dentro de um avião em um voo de 13 horas entre São Paulo e Adis Abeba, na Etiópia, onde fariam apenas uma breve escala. Surpresa Ao chegarem ao país africano, às 19 horas de terça-feira, 23 de novembro, encontraram uma funcionária da companhia aérea já à sua espera, para avisar que eles teriam problemas em prosseguir viagem. “A moça da companhia sugeriu alterarmos nosso destino final pra Bangkok, também na Tailândia, mas como todos esses termos foram feitos pra Phuket não tinha possibilidade de aceitarem lá. Hotel específico para cumprir quarentena obrigatória (existe uma lista de hotéis autorizados), local do PCR, seguro viagem, tudo que preenchemos era pra Phuket, e se chegássemos em Bangkok com essas coisas ficaríamos presos lá”, explica Bia ao g1, ressaltando que tudo isso já estava pago. Foi então que, conta a atriz, começou o drama do casal, agravado pelas dificuldades de comunicação e a má vontade dos funcionários do aeroporto de Adis Abeba. Embora falassem inglês, o forte sotaque atrapalhava a compreensão e o descaso e falta de empatia eram chocantes, diz a brasileira. “Tirando raras exceções, nos trataram tão mal que é de desacreditar. As pessoas da imigração até riram da nossa cara quando estávamos pedindo para sair porque precisávamos descansar”, lembra. Demétrio Zanini no aeroporto de Adis Abeba, na Etiópia Reprodução/Instagram/Bia Hader 'Salinha' Depois de uma longa espera em uma pequena sala, Bia e Demétrio foram informados de que só receberiam uma resposta na manhã seguinte, e que deveriam retornar aquele espaço às 6 horas da manhã. Eles então tiveram que passar a primeira noite nas desconfortáveis cadeiras do saguão do aeroporto. Para piorar, sua mala não foi localizada, e eles não podiam trocar de roupa ou ter acesso a outros itens pessoais que haviam despachado. Ela conta que ficaram em frente ao local, onde estavam aglomeradas dezenas de pessoas, de várias nacionalidades e enfrentando os mais diversos tipos de problemas. Nenhuma outra, porém, em situação semelhante à do casal brasileiro. “Nos disseram que nunca viram nada igual”, diz Bia. A manhã chegou e nada foi resolvido, a resposta era sempre de que deviam esperar ou retornar mais tarde. Os brasileiros chegaram a tentar trocar sua passagem para outro lugar, mas não conseguiram inicialmente. Por fim, a companhia os colocou em voo de volta ao Brasil, mas que só decolaria no sábado, dia 27. Eles decidiram então que tentariam pelo menos sair do aeroporto para descansar até lá, mas para isso precisariam de um visto de entrada na Etiópia. Entraram em contato com a embaixada brasileira para conseguir a documentação. Demétrio Zanini dorme no aeroporto de Adis Abeba, na Etiópia Reprodução/Instagram/Bia Hader Saída negada Na quinta-feira (dia 25), Demétrio pode falar com a vice-cônsul brasileira, que prontamente os atendeu, e os dois receberam vistos, encaminhamento para a realização de testes PCR e conseguiram reservar um hotel para descansar até a partida de seu voo. Como a essa altura já era noite, não puderam deixar o aeroporto por questões de segurança, mas a autoridade brasileira conseguiu convencer os funcionários do local a cederem espaço em uma sala vip para que o casal pudesse ter um pouco mais de conforto até o dia seguinte. Segundo conta Bia, mesmo com a interferência da embaixada, vistos e exames em mãos, eles ainda enfrentaram dificuldades para finalmente deixar o aeroporto na sexta-feira. Como a Etiópia enfrenta uma guerra civil, os etíopes estavam “irredutíveis” em autorizar a saída de turistas do local, explica. Guerra do Tigré completa 1 ano com milícia perto de chegar à capital da Etiópia; entenda o conflito Desde novembro do ano passado, a Etiópia está atolada em um conflito entre os combatentes da Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF), o partido no poder na região, e as forças federais. Os combatentes da TPLF avançaram nos últimos meses em direção às regiões vizinhas e não descartam chegar à capital etíope, Adis Abeba. Eles só conseguiram sair às 15h40, e ainda foram fazer os testes no caminho para o hotel. Apenas nesse momento receberam sua bagagem. “Parecia um sonho, banho, trocar de roupa e dormir”, lembra Bia. Prejuízos Além de todas as despesas na Tailândia que já estavam pagas e foram perdidas, Bia e Demétrio também tiveram que pagar pelos vistos, testes e diária de hotel em Adis Abeba, que não estavam previstos. “Foi desgraça financeira e emocional”, resume a atriz. Para piorar, esta nem é a primeira vez que uma tentativa de viagem de lua de mel do casal termina em frustração. “Na primeira, compramos a passagem pra África do Sul em 2019, antes da pandemia, já que nosso casamento seria em 2020. Mas perdemos essa passagem”, conta. Bia diz que eles entraram em contato com uma advogada para saber se existe algo que pode ser feito. “Ainda vamos saber”, diz. Como a viagem de 15 dias para a Tailândia foi programada para coincidir com as férias de Demétrio, o casal decidiu aproveitar a última semana restante de folga para celebrar o casamento bem mais perto. “Para não passar em branco e lembrarmos só do trauma vamos de moto na segunda-feira pra Angra, mas já vamos voltar na sexta. Chega de perder passagens! Dessa vez vai ser por terra”, brinca Bia, ainda conseguindo manter algum bom humor. Ômicron Já de volta, o casal soube que o terceiro caso identificado no Brasil de uma pessoa contaminada pela variante ômicron do coronavírus foi de alguém que desembarcou no sábado (27) em Guarulhos, de um voo vindo da Etiópia. Segundo Demétrio, o único voo vindo do país naquele dia era o mesmo em que eles estavam. Por isso, procuraram autoridades de saúde para saber como proceder, se oferecendo para realizar testes de Covid para auxiliar em um possível rastreamento de casos, por exemplo. Mas, segundo ele, em um contato por telefone com o SUS – em um número que consta no site do Sistema Único de Saúde – foi informado que eles não estariam autorizados a realizar os testes de forma gratuita pelo sistema, já que estes são reservados apenas a pessoas com sintomas da doença. Vídeos: Os mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias

  • Como a pequena Lituânia está se opondo à poderosa China
    on dezembro 5, 2021 at 1:32 am

    Nos últimos meses, a nação báltica intensificou seu relacionamento com Taiwan, o que incomoda Pequim, que considera a ilha como parte de seu território. Os lituanos foram os primeiros a conquistar a independência da URSS no início dos anos 1990 Getty Images A Lituânia é um país pequeno, com apenas 2,8 milhões de habitantes. Mas isso não a impediu de desafiar a poderosa China. Nos últimos meses, a nação báltica intensificou seu relacionamento com Taiwan, o que incomoda Pequim, que considera a ilha como parte de seu território. Leia também: Belarus: 8 pontos para entender crise com milhares de imigrantes em fronteira da União Europeia Portugal vê nova onda de imigração brasileira após reabertura de fronteira No último episódio dessa tensão, o país europeu permitiu que Taiwan abrisse uma embaixada em seu território. A resposta da China foi rebaixar suas relações diplomáticas com a Lituânia. Explicamos os antecedentes desta disputa e como a Lituânia está lidando com o gigante asiático. Uma questão de nomenclatura A disputa começou recentemente, quando Taiwan anunciou que seu escritório na Lituânia passaria a se chamar "Escritório de Representação de Taiwan". Logo na sequência, em agosto, a China retirou seu embaixador da Lituânia. Outros escritórios de Taiwan espalhados por Europa e Estados Unidos usam o nome da capital do país, Taipei, para evitar uma referência à própria ilha. A China a classifica como uma província rebelde, mas Taiwan se considera independente. O novo escritório de Taiwan na Lituânia, inaugurado em 18 de novembro, é o primeiro novo posto diplomático da ilha na Europa em 18 anos. E, embora a abertura não seja uma relação diplomática oficial, ela pode ser vista como um sinal do estreitamento dos laços entre as duas localidades. O Ministério das Relações Exteriores do gigante asiático reagiu dizendo que a ação da Lituânia "mina a soberania e a integridade territorial da China" e criou um "precedente ruim na esfera internacional". Os representantes também disseram que a decisão reduziria seu compromisso diplomático com o país, que passaria a ser tratado no nível de encarregado de negócios, um grau a menos que o de embaixador. Placa da Representação de Taiwan na Lituânia. Getty Images Sob o princípio de "uma China", Pequim insiste que Taiwan é uma parte inalienável de uma China que um dia será reunificada. Por outro lado, a política de "uma China" é o reconhecimento diplomático da posição de Pequim de que há apenas um governo chinês. Segundo esta política, Pequim não concorda em manter relações com as nações que reconhecem a ilha, o que fez com que muito poucos lugares tivessem laços com Taipé. Hoje, apenas 14 nações, além do Vaticano, mantêm relações diplomáticas com Taiwan. A maioria são pequenas ilhas, embora alguns países da América Central como Belize, Guatemala, Honduras e Nicarágua também se destaquem. O Paraguai é o único país sul-americano que a reconhece. Mas a abertura do escritório não foi o único ponto de atrito entre os dois países. Em setembro, o Ministério da Defesa do país europeu instou os lituanos com telefones chineses a descartá-los e evitar comprá-los. De acordo com um relatório do National Cyber ​​Security Center, um telefone da Xiaomi tinha ferramentas de censura integradas, enquanto outro modelo da Huawei apresentava falhas de segurança. A Huawei disse que os dados do usuário não são enviados para o exterior a partir de seus telefones e a Xiaomi divulgou que não censura as comunicações. Relacionamento com Taiwan A Lituânia, que nos últimos anos se tornou um centro de referência em tecnologia financeira, defende seu direito de ter vínculos com Taiwan, um importante fornecedor de semicondutores, lasers e outros componentes da indústria de alta tecnologia, mas diz respeitar a política de "uma China". "A Lituânia reafirma a sua adesão à política de 'uma China', mas ao mesmo tempo tem o direito de expandir a cooperação com Taiwan e de aceitar e estabelecer missões não diplomáticas para assegurar o desenvolvimento prático dessas relações, como fazem muitos outros países. A recepção da representação taiwanesa na Lituânia é baseada em interesses econômicos", disse o governo lituano em um comunicado. A inauguração do escritório em Vilnius, capital lituana, foi a última de uma série de reaproximações entre os dois locais. Diversas figuras públicas e políticos do país báltico assinaram uma carta aberta ao presidente Gitanas Nauseda em 2020, na qual pediam que a nação apoiasse a independência de Taiwan e sua inclusão na Assembleia Mundial da Saúde da ONU. Além disso, a Lituânia doou 20 mil doses da vacina contra a covid-19 para Taiwan em junho. Mas por que a Lituânia está interessada em fortalecer os laços com Taiwan, arriscando-se a irritar uma potência como a China? Em parte, isso tem a ver com a posição da ilha asiática como fornecedora de produtos de alta tecnologia, explica Konstantinas Andrijauskas, do Instituto de Relações Internacionais e Ciências Políticas da Universidade de Vilnius, para a BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. Mas, também, "a abordagem geral da política externa da Lituânia é tentar diversificar e aprofundar suas relações com um grupo bem grande de países da região do Indo-Pacífico", explica o especialista, citando os exemplos de Coréia do Sul e Cingapura. "Assim, a Lituânia está muito disposta a enfatizar em termos diplomáticos e econômicos sua relação com as democracias liberais, ou pelo menos com as democracias eleitorais como, por exemplo, Cingapura, porque sente que as relações econômicas com países autoritários não trazem tantos benefícios", acrescenta o professor. "A Lituânia lida há décadas não apenas com a China, mas também com os vizinhos russos e bielorrussos, e nossa experiência sugere que essas relações econômicas profundas não trazem prosperidade", continua. "Essas nações realmente não trazem segurança porque os países autoritários tendem a enfatizar o contexto econômico para perseguir seus objetivos geopolíticos e políticos", conclui. O próprio governo lituano reconhece a estratégia. O vice-ministro Mantas Adomėnas disse à BBC News Mundo que o atual governo "enfatiza o apoio à democracia e aos direitos humanos em todo o mundo" e considera Taiwan "um bastião muito importante da democracia". "Existem também laços históricos, na medida em que Taiwan nunca reconheceu a ocupação soviética da Lituânia e temos uma espécie de dívida [com eles]", explica Adomėnas. "E, finalmente, [Taiwan] é um país muito progressista, extremamente dinâmico, que mostra as melhores vantagens do sistema de livre mercado e do regime político democrático", finaliza. Pouco a perder Além de tudo isso, há algo fundamental para entender por que a Lituânia se permite irritar Pequim: ao contrário do que acontece com muitos outros países, a Lituânia não depende tanto de investimentos chineses, nem do comércio com a China. "Nossa falta de um vínculo econômico profundo com a China é um aspecto da história, mas definitivamente trata-se de uma parte muito importante, porque basicamente nos dá um pouco de espaço de manobra", explica Andrijauskas. No entanto, a China está aplicando restrições à importação de bens materiais e também cortando algumas exportações para a Lituânia, o que não deixa Vilnius indiferente. "Ainda não sabemos o alcance exato, mas é claramente uma violação das regras do comércio internacional", disse o vice-ministro da Lituânia, acrescentando que a situação será levantada em "fóruns internacionais e também da União Europeia (UE), porque é uma espécie de tentativa de restringir um Estado-Membro". "Esperamos que a UE tenha uma posição unida e baseada em princípios diante da China e das medidas de coerção econômica que ela está aplicando em relação a um de seus estados membros", argumenta Adomėnas. A questão da China realmente se tornou um tópico incômodo, tanto para os outras nações europeias, algumas com laços importantes com Pequim, quanto para a UE como um todo, diz Andrijauskas. "A Lituânia é, em muitos aspectos, um país que pode se dar ao luxo de ser uma espécie de denunciante, mas definitivamente não quer prejudicar a relação de outros países, de nossos parceiros e aliados, com a China", acrescenta o especialista. "Mas ela quer compartilhar com a UE uma preocupação que tem sobre a China." A relação que a UE mantém com a China gira em torno de três aspectos: como parceiro na política climática e comercial, como competidor no mercado de tecnologia da informação e como rival em termos de sistema político e de direitos humanos. A UE defendeu o direito da Lituânia de ter laços com Taiwan, mas também reafirmou que o bloco não questiona a política de "uma China". Uma história de oposição aos gigantes Essa não é a primeira vez que a Lituânia enfrenta uma grande potência. Em 1990, ela foi a primeira república soviética a declarar sua independência. A resistência foi liderada por Vytautas Landsbergis, avô do atual ministro das Relações Exteriores, Gabrielius Landsbergis. Gabrielius Landsbergis, atual Ministro das Relações Exteriores da Lituânia e neto do líder da resistência anti-soviética Vytautas Landsbergis. Getty Images Na opinião de Andrijauskas, na Lituânia pode haver uma espécie de ressentimento em relação à China justamente pela memória deixada após o domínio de Moscou. "A União Soviética deixou uma marca e tem conotações muito peculiares, visto que muitos lituanos associam a experiência como parte da União Soviética com a experiência dos uigures, dos tibetanos...", lista o professor. Mas as controvérsias com a Rússia não param por aí. A Lituânia também se posicionou recentemente contra um dos maiores aliados de Moscou: Belarus e seu líder, Alexandr Lukashenko. Inclusive, a líder da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanovskaya, vive na Lituânia desde que fugiu de seu país, após as eleições de agosto de 2020. O real impacto desta disputa para os lituanos ainda está por ser visto, já que alguns apontaram que ela poderia perder a possibilidade de fazer negócios prósperos com a China. Mas, para a classe política do país, a questão vai além da economia. "É claro que as reações hostis de um país de 1,4 bilhão de pessoas são sempre motivo de preocupação", admite o vice-ministro Adomėnas. "Mas eu diria que isso não nos faz mudar a posição em relação a Taiwan, porque já no passado a chantagem de um regime totalitário, como a União Soviética, não nos levou a recuar de nosso desejo de independência." Nesse contexto, o vice-ministro lembra o papel desempenhado pela Islândia, que foi o primeiro país a reconhecer a independência da Lituânia, e que representou um imenso impulso moral para eles. "Portanto, temos esse tipo de 'tocha' que a Islândia nos deu há 31 anos para levar aos taiwaneses, que também estão lutando pela sobrevivência de sua democracia e de seu modo de vida."

  • CNN demite âncora Chris Cuomo após revelações sobre envolvimento com a defesa de irmão acusado de assédio sexual
    on dezembro 5, 2021 at 12:18 am

    O ex-governador de Nova York Andrew Cuomo deixou o cargo em agosto depois de ter sido acusado de assédio por 11 mulheres. Chris Cuomo, jornalista da CNN dos EUA Divulgação / CNN A CNN anunciou neste sábado (4) a demissão do âncora de TV Chris Cuomo após documentos revelados durante uma investigação terem mostrado os seus esforços para ajudar o seu irmão, o ex-governador de Nova York Andrew Cuomo, a lidar com acusações de assédio sexual. Andrew Cuomo deixou o cargo em agosto depois de ter sido acusado de assédio por 11 mulheres. Na ocasião, ele negou qualquer transgressão. Cuomo, que apresentava um programa de notícias no horário nobre da CNN, foi suspenso na terça-feira. Ele admitiu, em maio, que violou algumas das regras da rede de notícias ao aconselhar seu irmão sobre como lidar com as alegações do ponto de vista das relações públicas. "Chris Cuomo foi suspenso no início desta semana enquanto se espera uma avaliação mais profunda de novas informações que vieram à tona sobre seu envolvimento com a defesa de seu irmão", disse a CNN, em comunicado. "Contratamos um respeitado escritório de advocacia para conduzir a revisão e o demitimos, com efeito imediato", acrescentou. A rede não forneceu detalhes sobre as novas informações, destacou a Reuters. Em comunicado no Twitter, Cuomo, 51, disse estar decepcionado. "Não é assim que quero que meu tempo na CNN termine, mas já disse por que e como ajudei meu irmão", disse ele. No jornalismo, é considerado uma violação da ética usar a posição de alguém para defender uma causa pessoal ou conduzir investigações por motivos pessoais. Cuomo foi inicialmente suspenso depois que a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, mostrou textos e outras mensagens nas quais ele buscava usar suas próprias fontes nos meios de comunicação para obter informações sobre o caso e as mulheres envolvidas nele. VÍDEO: 3 pontos para entender o que levou à renúncia de Andrew Cuomo VÍDEO: 3 pontos para entender o que levou à renúncia de Andrew Cuomo Uma ação criminal acusando Andrew Cuomo de contravenção sexual foi apresentada em 29 de outubro em um tribunal de Nova York. Andrew Cuomo, que é democrata, ganhou fama nacional no ano passado durante o surto do Covid-19 por suas instruções sobre como Nova York estava lidando com o surto e, muitas vezes, aparecia no programa de seu irmão na época.

  • Milhares protestam contra restrições pela Covid-19 na Europa; veja VÍDEO
    on dezembro 5, 2021 at 12:06 am

    Manifestantes em Frankfurt, na Alemanha, foram dispersados pela polícia porque estavam sem máscaras. Em Viena, na Áustria, milhares de pessoas carregaram cartazes contra o lockdown imposto novamente no país. Alemanha tem protestos contra medidas restritivas de combate à Covid-19 Dezenas de milhares de manifestantes marcharam por várias cidades no noroeste da Europa neste sábado (4) contra as restrições impostas para conter o coronavírus em meio a um pico de infecções. Em Frankfurt, centro financeiro da Alemanha, a polícia dispersou um protesto de centenas de pessoas por não utilizarem máscaras ou não manterem o distanciamento social. Os policiais usaram cassetetes e spray de pimenta após serem confrontados por um grupo de manifestantes. Na capital Berlim, onde um novo governo deve ser empossado em alguns dias, pequenos grupos se reuniram para protestar, após uma manifestação maior ter sido proibida. Com a saída de Angela Merkel, quem pode liderar a União Europeia? Portugal vê nova onda de imigração brasileira após reabertura de fronteira Na cidade de Utrecht, região central da Holanda, milhares de pessoas se manifestaram contra as restrições que começaram no último fim de semana. Em novembro, a Áustria se tornou o primeiro país da Europa Ocidental a reimpor um lockdown, que deve durar 20 dias, e disse que tornaria a vacinação obrigatória a partir de fevereiro. Neste sábado, mais de 40.000 manifestantes em Viena carregaram cartazes dizendo: "Eu decidirei por mim mesmo", "Torne a Áustria Grande Novamente" e "Novas Eleições" – um aceno à turbulência política que gerou três chanceleres em dois meses. Milhares de pessoas marcharam para protestar contra restrições pela Covid na Áustria Reuters/Lisi Niesner

  • Hanna é a primeira poodle a ser selecionada para trabalhar com a polícia de Okayama, no Japão
    on dezembro 4, 2021 at 9:49 pm

    A partir de janeiro, cachorra vai participar de diferentes trabalhos, como na procura por pessoas desaparecidas. Conheça a Hanna, primeiro poodle farejador a trabalhar para a polícia de Okayama, no Japão A cachorra Hanna é a primeira poodle a ser selecionada para trabalhar com a polícia de Okayama, no Japão. Ela participou de testes em novembro e foi aprovada com sucesso, principalmente na prova de cheiro. Hanna vai participar de trabalhos policiais, como na procura por pessoas desaparecidas, por um prazo de dois anos, a partir de janeiro. Veja também: 'De beca e tudo': cães 'se formam' em creche e ganham ensaio fotográfico; veja fotos Estudo diz que alimentar cães uma vez ao dia pode ser chave para envelhecimento saudável Veja dicas para transportar os pets em viagens de carro

  • ‘Papa, você é um herege’, grita padre ortodoxo durante passagem de Francisco em Atenas
    on dezembro 4, 2021 at 4:34 pm

    O pontífice foi atacado verbalmente quando entrava no arcebispado ortodoxo de Atenas, para se encontrar com o chefe da Igreja Ortodoxa Grega. Padre ortodoxo grita "você é um herege" ao Papa Francisco em Atenas Um padre ortodoxo grego atacou verbalmente o Papa Francisco neste sábado (4), durante visita do pontífice ao arcebispado ortodoxo em Atenas, na Grécia. Veja no vídeo acima. O padre Ioannis Diotis gritou: "Papa, você é um herege", enquanto Francisco entrava no local para se encontrar com o chefe da Igreja Ortodoxa Grega. Diotis precisou ser controlado pela polícia e levado para longe do local. "Eu disse que ele é um herege, para se arrepender. É inaceitável o Papa na Grécia, ele deveria se arrepender", disse o padre aos repórteres que estavam no local. Testemunhas disseram que ele gritou alto o suficiente para que o Papa ouvisse a comoção. Papa Francisco se encontra com o Arcebispo Ieronimos, da Igreja Ortodoxa Grega Reuters Em 2001, uma visita do Papa João Paulo II foi recebida com o protesto de monges e clérigos ortodoxos. Foi a primeira visita de um papa à Grécia desde o Grande Cisma, a divisão do Cristianismo em Oriente e Ocidente. Na ocasião, João Paulo II pediu perdão por erros históricos cometidos por católicos aos cristãos ortodoxos durante aquela viagem, o que ajudou a facilitar as relações difíceis entre as duas igrejas.

  • Polícia prende pais de autor de massacre em escola de Michigan
    on dezembro 4, 2021 at 3:53 pm

    Ethan Crumbley, de 15 anos, matou 4 pessoas e responderá por assassinato, terrorismo e outros crimes. Promotoria acusa os pais por negligência. Jovens participam de vigília após tiroteio em escola em Oxford, Michigan (EUA), nesta terça (30) Paul Sancya/AP Photo Os pais do adolescente que abriu fogo em uma escola em Michigan, norte dos Estados Unidos, foram presos neste sábado (4), após serem indiciados por quatro acusações de homicídio culposo. Quatro jovens morreram no massacre. O assassino, identificado como Ethan Crumbley, de 15 anos, responderá por assassinato, terrorismo e outros crimes. Pais de jovem atirador são presos nos Estados Unidos James e Jennifer Crumbley são acusados de negligência e responderão por permitirem que a arma, comprada na Black Friday, fosse encontrada pelo rapaz. Responderão também por não retirar o jovem da escola quando os diretores da instituição pediram isso, horas antes do assassinato em massa. Horas depois da prisão, a juíza Julie Nicholson impôs fiança de US$ 500 mil para cada um dos pais e exigiu monitoramento por GPS caso eles decidam pagar para serem liberados. O casal pode pegar até 15 anos de prisão se for condenado. Após uma vasta operação de busca e apreensão feita pela polícia e pelo FBI, eles foram localizados em um complexo industrial em Detroit, a cerca de 60 quilômetros do tiroteio. Os advogados do casal disseram na sexta-feira (3) que eles se entregariam às autoridades e não estavam fugindo, mas que deixaram a cidade na noite do tiroteio "para sua própria segurança". O fato de terem sacado 4 mil dólares e desligado seus telefones celulares disparou o alerta, de acordo com policiais ouvidos pela rede americana CNN. Ethan Crumbley "foi quem entrou na escola de ensino médio e apertou o gatilho", mas "há outras pessoas que contribuíram para os fatos de 30 de novembro e é minha intenção fazê-las prestar contas também", disse a promotora distrital do condado de Oakland, Karen McDonald. Em um episódio relatado pelos investigadores, os professores pegaram o adolescente com munição na escola na véspera do massacre. A mãe, então, enviou a seguinte mensagem: "LOL (risos). Não estou brava com você. Você tem que aprender a não ser pego". O massacre Tiroteio deixa mortos em escola de ensino médio em Michigan O autor do crime saiu do banheiro na tarde de terça-feira (30) e começou a disparar a esmo na escola Oxford High School, onde estudava. Quatro adolescentes, com idades entre 14 e 17 anos, morreram e oito pessoas ficaram feridas, inclusive um professor. De acordo com as autoridades, o tiroteio durou cerca de cinco minutos e o jovem assassino se rendeu à polícia momentos depois. As motivações do ataque permanecem um mistério. Ethan Crumbley, que se declarou não culpado perante um juiz na quarta-feira (1), optou por permanecer em silêncio. Ele permanece recluso na prisão em regime de isolamento.

  • Moradores fogem de nuvem gigantesca de cinzas após erupção de vulcão na Indonésia; veja VÍDEO
    on dezembro 4, 2021 at 3:12 pm

    Ao menos uma pessoa morreu e outras 41 ficaram feridas, segundo a agência de notícias Reuters. VÍDEO: moradores fogem enquanto Monte Semeru expele enorme nuvem de cinzas Imagens publicadas em redes sociais mostram moradores fugindo de uma nuvem gigantesca de cinzas depois que um vulcão, o Semeru, entrou em erupção na Indonésia neste sábado (4) (veja vídeo acima). Ao menos uma pessoa morreu e outras 41 ficaram feridas, segundo a agência de notícias Reuters. A erupção ocorreu às 15h locais (por volta das 3h do horário de Brasília). Erupção do vulcão Semeru: incidente foi na ilha de Java Oriental g1 Equipes de resgate foram mobilizadas para retirar os moradores diante do avanço da lava, que destruiu uma ponte na área de Lumajang, no leste da ilha. "Muitas áreas ficaram na escuridão pelas cinzas vulcânicas", declarou o porta-voz da agência de mitigação de desastres do país (BNPB), Abdul Muhari. "Estamos construindo abrigos em várias áreas de Lumajang". As autoridades locais estabeleceram uma zona restrita de 5 km ao redor da cratera do vulcão. A AirNav Indonésia, que controla o espaço aéreo indonésio, disse em comunicado que a erupção não "causou impacto significativo" nos voos. O vulcão Seneru, o mais alto da ilha de Java, está entre os quase 130 vulcões ativos do país. No final de 2018, a erupção de um vulcão no estreito entre as ilhas de Java e Sumatra causou um terremoto subaquático seguido de um tsunami que deixou mais de 400 mortos.

  • Portugal vê nova onda de imigração brasileira após reabertura de fronteira
    on dezembro 4, 2021 at 12:37 pm

    Entidades que auxiliam imigrantes no país relatam intensificação da chegada de brasileiros e da procura por informações, motivados por busca por maior qualidade de vida, familiaridade com a língua e legislação favorável à imigração. Entidades que auxiliam imigrantes no país relatam intensificação da chegada de brasileiros Pedro Nunes/Reuters via BBC A reabertura das fronteiras entre Portugal e Brasil, em setembro, após um ano e meio de restrições relacionadas à pandemia da Covid-19, vem estimulando uma nova onda de imigração ao país europeu. Entidades que auxiliam imigrantes em território português relatam maior chegada de brasileiros e busca por informações sobre o processo de migração. Dizem, ainda, que caiu o número de brasileiros procurando auxílio para voltar à terra natal. Portugal: Como país se tornou destino popular de aposentados brasileiros As razões para isso, apontadas por brasileiros recém-chegados a Portugal entrevistados pela BBC News Brasil, incluem a escalada da crise no Brasil, uma vontade de melhorar sua qualidade de vida e a familiaridade com a língua. Além disso, o país possui uma legislação nacional favorável à imigração. Diferentemente da maioria das outras nações europeias, Portugal permite a regularização com relativa facilidade daqueles que chegam como turistas (ou seja, sem visto), mas decidem viver e trabalhar em seu território. Foi com essa possibilidade em mente que o auxiliar de enfermagem Uelber Oliveira, de 33 anos, se preparou para viver no país. Em Lisboa há cerca de três meses, chegou sem visto para procurar emprego e se instalar na cidade. "Está cada vez mais difícil viver, e viver com qualidade, no Brasil. A nossa luta não é mais para ter um carro bom, uma moradia boa. O problema agora é ter o básico, é conseguir se alimentar", diz ele, que é natural de Ilhéus (BA). Uelber Oliveira e a esposa: busca por melhor qualidade de vida levou o casal a Portugal Arquivo pessoal via BBC Na capital portuguesa, conseguiu um emprego e aguardou a chegada da esposa, cuja viagem ficou marcada para dois meses após a sua. Atualmente, os dois trabalham como cuidadores de idosos na cidade, e já começaram o processo para regularizar sua situação migratória. "Percebi que em Portugal teremos segurança, e, mesmo ganhando pouco, muita qualidade de vida – e ainda vou conseguir mandar um dinheirinho para o Brasil", afirma. O movimento atual de migração de brasileiros para Portugal começou em 2014, quando as condições econômicas do Brasil voltaram a piorar, mas se intensificou a partir de 2017. Nos últimos quatro anos, o número de brasileiros residindo em Portugal registrou um aumento – batendo recorde em 2020. "E aí veio a pandemia e fechou as fronteiras. Mas as pessoas só suspenderam seus processos migratórios nesse período", afirma Cyntia de Paula, presidente da Casa do Brasil de Lisboa, entidade que auxilia os imigrantes no país. "Quando abriram as porteiras, as pessoas voltaram a procurar Portugal em peso." É o caso de Maicon (que não quis ter seu sobrenome divulgado pela reportagem), que começou a planejar a mudança para Portugal em 2019. Casado e com dois filhos, ele trabalhou por dez anos na construção civil no Brasil, mas foi perdendo espaço na área e, há dois anos, passou a atuar como motorista de carreta. "Eu sempre lutei para ter um conforto no Brasil para mim e para os meus filhos. Trabalhava muito e as coisas não progrediam, não conseguia suprir as necessidades básicas da minha família", diz. Instalado na região de Aveiro, no Centro de Portugal, conseguiu um emprego como ajudante de serralheiro e também já deu início ao processo de regularização de sua situação. Agora, aguarda a chegada da esposa e dos filhos, programada para janeiro. "Não vim para ficar rico, mas para oferecer aos meus filhos uma qualidade de vida melhor e conseguir alguma estabilidade financeira", conta. "No início é perrengue mesmo, mas está valendo a pena. Aqui a alimentação é barata, o lazer é barato. No Brasil, eu estava me privando de comer carne com um salário bom. Aqui eu já estou enjoado de comer picanha." Perfis variados Hoje, residem em Portugal cerca de 214.500 cidadãos brasileiros, de acordo com números de novembro do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). O dado, porém, exclui aqueles em situação irregular e os que também possuem cidadania portuguesa ou de outro país europeu. Os imigrantes no país têm perfis variados, afirma Cyntia de Paula. "Temos uma imigração não somente para o trabalho não qualificado, mas também de muitos profissionais de perfil qualificado, não apenas em termos de escolaridade, como com muitos anos de experiência. Esses não vinham antes com tanta expressividade, e agora vêm." Além disso, segundo ela, há registro de chegada de muitas famílias e um fluxo regular de estudantes brasileiros a Portugal. A advogada paulista Beatriz Menezes, de 28 anos, faz parte desse último grupo. Após uma experiência profissional ruim, ela decidiu tirar alguns projetos do papel e passou a pesquisar as oportunidades de estudo em Portugal. Beatriz Menezes está entre os estudantes que têm buscado oportunidades no país Arquivo pessoal via BBC "Na minha cabeça, estudar na Europa era algo impensável do ponto de vista financeiro. Mas conheci uma pessoa que fazia o curso que hoje faço aqui, um mestrado em Direito Administrativo na Universidade de Lisboa, e descobri que não era bem assim. Gastaria mais ou menos a mesma coisa estudando aqui ou em uma boa faculdade no Brasil", diz. Ela chegou a Portugal em outubro, depois de adiar os planos por alguns meses em razão da pandemia. Mas já pensa na possibilidade de prolongar sua estadia no país após a conclusão do curso, que tem duração de dois anos. "Me encantei por Lisboa, e tenho certeza de que todo esse impacto da pandemia e de um governo ineficiente vai perdurar no Brasil. Isso me faz considerar ficar por aqui", afirma. Foi o que fez o publicitário paulista Leandro Guimarães, de 38 anos. Ele chegou ao país no segundo semestre de 2019 para ficar por um ano, enquanto cursava uma pós-graduação em Comunicação de Cultura e Indústrias Criativas, na Universidade Nova de Lisboa. Nos meses seguintes à conclusão do curso, com o visto caducado, decidiu entrar com uma manifestação de interesse para se regularizar no país. "Dei início ao processo em setembro do ano passado, com a expectativa de que ele durasse oito meses. Atualmente, estou esperando há um ano e dois meses", diz. Com a regularização em andamento, ele se viu diante de duas possibilidades: permanecer em Portugal em situação irregular ou voltar ao Brasil e correr o risco de perder o processo. Optou pela segunda. Ao longo dos meses, decidiu voltar a Portugal e passou a procurar, à distância, um emprego no país. "Achei essa empresa que cuida de mobilidade internacional e comecei a trabalhar para eles em agosto, ainda do Brasil", conta ele que, com o contrato em mãos, voltou a Lisboa em outubro. "Tive essa experiência primeiro como estudante, depois entendi que seria um mercado promissor para Comunicação e Tecnologia, porque muitos portugueses saíram do país. Eu gosto do fato de Portugal ser um país pequeno, e de Lisboa oferecer serviços de capital numa cidade do tamanho de Sorocaba. Faço muita coisa a pé, estou perto da natureza. E só de ter segurança já é um ganho enorme." Regularização e problemas Quem vive legalmente em território nacional por cinco anos tem direito a aplicar para a naturalização, obtendo a cidadania portuguesa. Esse prazo só começa a contar, porém, a partir do momento em que o imigrante consegue sua autorização de residência – ou seja, quando passa a estar em situação regular. Os Artigos 88 e 89 da Lei dos Estrangeiros são os que permitem àqueles sem visto em Portugal, ou com o visto caducado, se regularizarem no país, por meio de contrato de trabalho ou como prestadores de serviços. Para isso, eles devem dar entrada no processo online, apresentar uma série de documentos, ter número de inscrição fiscal e estar contribuindo para a Segurança Social. Esse processo, porém, pode levar anos para ser concluído. "Como existe a possibilidade de regularização em território nacional, muita gente opta por essa estratégia. Mas durante esse processo, que pode demorar até quatro anos, essas pessoas enfrentam muita instabilidade", diz Cyntia de Paula. "Os imigrantes em situação irregular enfrentam dificuldades práticas e correm risco maior de exploração laboral, trabalhando em condições à margem da legalidade. Também correm o risco de expulsão e de não poder retornar ao país por alguns anos", afirma Vasco Malta, chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) em Portugal. Cyntia relata que, durante a pandemia, muitos imigrantes perderam o emprego. Sem contrato ou acesso a programas de auxílio do governo, eles ficaram sem rendimento de um dia para o outro. Além disso, apesar da medida emergencial do governo que regularizou temporariamente todos os imigrantes no país, de modo a garantir seu acesso ao Sistema Nacional de Saúde, muitos enfrentaram dificuldades para se vacinar contra a Covid-19. A OIM fornece apoio a imigrantes que queiram voltar ao seu país de origem, mas não conseguem fazê-lo por falta de recursos, por meio do Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e Reintegração (ARVoRe). A grande maioria dos atendidos é brasileira, e o percentual atingiu 97,9% em 2020. Em 2021, contudo, a participação dos cidadãos brasileiros no total caiu para 83%, considerando os dados até outubro. De acordo com o chefe da missão, embora não haja dados para explicar a redução, ela estaria ligada à evolução negativa da pandemia no Brasil, além de uma melhora no cenário econômico e no mercado de emprego em Portugal durante os meses do verão europeu (de junho a setembro). Ele também cita a continuidade dos processos de regularização pelo SEF. Malta afirma que é essencial que os brasileiros busquem a entrada em Portugal de maneira regular e se planejem antes da viagem. "Planejar-se é absolutamente fundamental, as pessoas precisam saber o que vão encontrar, até para gerir expectativas. O custo de vida em Lisboa e no Porto continua altíssimo, assim como o valor do arrendamento [aluguel]. A crise de matérias-primas também impacta o custo de vida das pessoas", diz. O preço elevado dos aluguéis, especialmente nos grandes centros, é uma reclamação recorrente entre os imigrantes brasileiros no país, assim como as dificuldades relacionadas ao preconceito de portugueses com o grupo e com o sotaque brasileiro. "Em razão de vários estereótipos relacionados à comunidade brasileira, muitos imigrantes têm dificuldade de encontrar trabalho qualificado. Eles sentem que seu percurso profissional fica dentro do avião. Há também dificuldades de integração, em especial para as mulheres brasileiras", diz a presidente da Casa do Brasil de Lisboa. De acordo com Maicon, muitos proprietários pedem até três cauções de adiantamento para alugar um imóvel. "E os portugueses nem sempre são simpáticos aos brasileiros", afirma ele, que também recomenda muito planejamento a quem pensa em emigrar. "Vi vários relatos de pessoas passando até fome aqui. E acho que, se não tivesse demorado tanto tempo para vir, eu também estaria passando por alguns apertos por falta de informação e de planejamento."

  • Sem registro de mortes, ômicron se espalha e causa temor de impacto na economia global
    on dezembro 4, 2021 at 11:55 am

    A variante tem provocado a implementação de restrições que ameaçam o crescimento econômico. Após Alfa, Beta, Gama e Delta, Omicron entra na lista das variantes de preocupação do coronavírus mantida pela OMS Getty Images Novos países relataram na sexta-feira (3) a chegada da variante ômicron do coronavírus, levando o total a 38, anunciou a Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora ainda não tenha causado mortes, segundo a entidade, a variante tem provocado a implementação de restrições que ameaçam o crescimento econômico. A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, indicou que a nova variante pode desacelerar a recuperação e forçar o órgão a revisar para baixo suas projeções econômicas globais. "Uma nova variante que pode se expandir rapidamente pode afetar a confiança e, a esse respeito, provavelmente veremos cortes em nossas projeções de outubro para o crescimento global", explicou. Nessa última estimativa, o FMI já havia aparado o otimismo, estimando um crescimento do PIB mundial de 5,9% em 2021, em vez dos 6% anteriores. Em 2022, a expectativa é de um crescimento de 4,9%. Transmissão local Vários países como Espanha, Estados Unidos e Austrália começaram a registrar supostos casos de transmissão local, com pacientes infectados que não haviam viajado ao exterior. Tunísia e México anunciaram seus primeiros casos na sexta. O subsecretário mexicano de Saúde, Hugo López-Gatell, afirmou que o fechamento das fronteiras não é uma medida útil para conter as variantes. O aparecimento desta variante é "a prova definitiva" do perigo das desigualdades, disse à AFP o presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), Francesco Rocca, que relembrou a ameaça de "variantes novas em locais onde a taxa de vacinação é muito baixa". Em todo o Espaço Econômico Europeu (União Europeia e Noruega, Islândia e Liechtenstein), 109 casos da ômicron foram relatados até o meio-dia de sexta, de acordo com o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). Ao mesmo tempo, a pandemia de Covid-19 continua a causar estragos em muitos países: a Rússia registrou em outubro seu mês mais mortal desde o início da pandemia, com 74.893 mortes relacionadas ao vírus, segundo a agência de estatísticas Rosstat. No total, o número de mortes ultrapassa 520 mil. Muitas incertezas Embora a nova variante pareça ser altamente contagiosa, o porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), Christian Lindmeier, disse nesta sexta-feira que não havia recebido "nenhum relato de mortes relacionadas à ômicron". Existem também dúvidas em relação à periculosidade e resistência à vacina da ômicron. Na África do Sul, a nova variante já prevalece. As autoridades de saúde relataram um aumento nas infecções em crianças, embora ainda não se saiba se está relacionado à ômicron. Um estudo sul-africano descobriu que o risco de contrair Covid-19 novamente é três vezes maior com a ômicron do que com as variantes beta e delta. Novas restrições A Irlanda anunciou, na sexta-feira à noite, diversas medidas, entre elas o fechamento de boates de 7 de dezembro a 9 de janeiro. A Alemanha impôs fortes restrições a pessoas não vacinadas, que ficarão praticamente confinadas. Um projeto de lei sobre a vacinação obrigatória será apresentado ao Parlamento alemão para entrada em vigor em fevereiro ou março. A Áustria mais uma vez confinou sua população; a Grécia diminuiu o tempo para a dose de reforço. Na Ásia, um dia depois de Singapura anunciar dois casos, os vizinhos Malásia e Sri Lanka relataram seus primeiros casos na sexta, cada um envolvendo viajantes que voltavam da África. Por enquanto, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a cobertura vacinal e os níveis de detecção inadequados, especialmente na África, são "uma receita perfeita para as variantes se reproduzirem e ampliarem." Várias empresas, incluindo Moderna, AstraZeneca, Pfizer / BioNTech e Novavax, expressaram confiança em sua capacidade de criar uma vacina para a ômicron. A Rússia também está trabalhando em uma versão de sua Sputnik V voltada especificamente para essa variante. Veja VÍDEOS das vacinas da Covid-19:

  • Com a saída de Angela Merkel, quem pode liderar a União Europeia?
    on dezembro 4, 2021 at 9:00 am

    Analistas são pouco otimistas em relação a que o bloco tenha logo uma nova figura que sirva como liderança. Veja quem são os possíveis 'candidatos' a ocupar o vazio deixado pela chanceler alemã. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente francês, Emmanuel Macron, gesticulam enquanto conversam durante cúpula dos líderes da União Europeia (UE) em Bruxelas, na Bélgica, em 2019 Yves Herman/Reuters Emmanuel Macron, Mario Draghi, Olaf Scholz... Quem pode suceder Angela Merkel como líder da União Europeia (UE), após a aposentadoria da chanceler depois de 16 anos no poder? A corrida para ocupar esse posto começa em 2022, mas, segundo os analistas, ao final, é possível que ninguém tenha, por ora, a capacidade de enfrentar sozinho os profundos problemas que a UE atravessa: desde o enfraquecimento do Estado de Direito em alguns países-membros, até o risco de marginalização geopolítica e os revezes do Brexit. Angela Merkel, que será substituída oficialmente em dezembro no governo da Alemanha pelo social-democrata Olaf Scholz, marcou história na Europa com seu esforço para manter a coesão da UE, apesar das longas e numerosas crises. Merkel "é vista como a líder 'de facto' da União Europeia, e também do mundo livre", afirma Sebastian Reiche, professor da escola de negócios (IESE) da Universidade de Navarra, na Espanha, em um post em seu blog. Angela Merkel: líder da Europa Uma pesquisa recente do centro de pensamento European Council on Foreign Relations (ECFR), revelou que, se pudessem, 41% dos europeus apoiariam Angela Merkel como presidente da Europa, contra apenas 14% dos que optariam pelo presidente francês Emmanuel Macron, a outra personalidade citada na enquete. Oportunidade para Macron Ainda assim, o líder francês tem diante de si uma oportunidade para ocupar esse posto. A primeira etapa será a presidência por seis meses da UE, que a França assumirá em janeiro. A saída de Merkel, "poderia permitir que a visão francesa de uma Europa poderosa se desenvolvesse. Algo que Macron defende desde a sua chegada ao poder", explica Alexandre Robinet-Borgomano, em um texto publicado pelo centro de análise francês Institut Montaigne. "É o presidente Macron que tem a iniciativa" de recuperar a liderança europeia, "apesar de suas autoproclamadas tentativas de dar à União Europeia um objetivo claramente político terem sido barradas até agora", opina Helen Thompson, professora da Universidade de Cambridge, em um artigo publicado recentemente no New York Times. Mario Draghi, aguarda início da reunião do Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, em foto de 2016 Reuters 'Super Mario' Nesse sentido, o tratado franco-italiano que Macron acaba de firmar com Mario Draghi - uma figura-chave nas novas alianças europeias pós-Brexit - não passou despercebido. Ainda mais quando o chefe do governo italiano, apelidado de "Super Mario" por seu desempenho à frente do Banco Central Europeu, é visto como um candidato potencial a ser a liderança europeia. "A volta da estabilidade no plano doméstico, unida às fortes relações pessoais que ele tem com seus sócios europeus [...], são excelentes referências para reafirmar a presença da Itália no cenário europeu", considera Nicoletta Pirozzi, do think tank Istituto Affari Internazionali de Roma, na revista Internationale Politik. Contudo, a popularidade de Draghi poderia ser "passageira, já que nasceu na crise econômica causada pela emergência sanitária" da Covid-19, acrescenta Pirozzi. Macron, por sua vez, enfrenta um 2022 nada simples no plano interno, com eleições presidenciais em abril, cujo resultado é muito incerto por causa da ascensão da extrema-direita. Isso pode fazer com que a França se concentre mais em seus problemas políticos internos do que tente desenvolver suas grandes visões sobre a Europa. Na Alemanha, apelidada durante muito tempo como a "Grande Suíça" por sua tendência a priorizar a prosperidade econômica no lugar das grandes questões internacionais, as linhas começam a se mexer. "Queremos incrementar a soberania estratégica da União Europeia", e defender melhor os "interesses europeus comuns", está escrito no acordo de coalizão do novo governo de Olaf Scholz. Olaf Scholz quer o envolvimento de países como os EUA, o Japão e a China Michael Sohn/Pool via REUTERS No entanto, Scholz, que se apresenta como o herdeiro de Merkel após ser o número 2 de seu governo, terá que promover uma ruptura violenta com certas estruturas para consegui-lo. De cara, com o "Merkelismo", uma diplomacia focada na busca permanente de acordos, que prefere esperar antes de agir nos momentos de crise, e dá prioridade aos interesses econômicos, inclusive com regimes autoritários como Rússia e China. Contudo, esse sistema começa a mostrar seus limites. "Não deveria sobreviver a Merkel", porque não permite "resolver os desafios da Europa, como a pandemia, a mudança climática e a competição geopolítica internacional", afirmam, Piotr Buras e Jana Puglierin na análise do ECFR. Saiba quem é Olaf Scholz, que deve substituir Angela Merkel Uma Europa sem cabeça? Favorável a soluções mais firmes, seria Emmanuel Macron o mais bem posicionado? "A liderança de Macron é uma opção [...] mas é pouco provável" por seus problemas para forjar "as alianças" necessárias, adverte o professor Sebastian Reiche. Além disso, existe a sensação de que a França quer usar a Europa para defender seus próprios interesses, avalia. Já Helen Thompson é ainda mais pessimista. "Atualmente, debilitada pela rivalidade entre Estados Unidos e China, e profundamente dividida no plano interno [...] a União Europeia não pode ser dirigida, ninguém pode ser a nova Angela Merkel", defende a professora de Cambridge. "Na realidade, falando claro, nem o chanceler alemão nem o governo francês podem dirigir a Europa [...] e, sem liderança, a Europa segue para a estagnação", é o prognóstico de Thompson.

  • Você viu? Novo ministro no STF, julgamento da boate Kiss, Brasil em recessão técnica, o homem com o maior nariz do mundo e Rihanna heroína de Barbados
    on dezembro 4, 2021 at 8:00 am

    Uma seleção de reportagens publicadas no g1 com as notícias de 29 de novembro a 3 de dezembro. Aprovação de André Mendonça para o STF. O começo do julgamento dos acusados pelo incêndio na boate Kiss. O Brasil em recessão técnica. A preocupação com a variante ômicron. O homem que tem o maior nariz do mundo. Rihanna, agora oficialmente a heroína de Barbados. O bicampeonato do Atlético-MG no Brasileirão. Newsletter do g1: receba um resumo com as notícias do dia no seu e-mail André Mendonça Não há mais vagas em aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) por enquanto. Dois anos após Jair Bolsonaro dizer que indicaria "um ministro terrivelmente evangélico" para a Suprema Corte, "o objetivo foi concretizado", como postou o próprio presidente ao comemorar a aprovação do nome de André Mendonça para o cargo. Advogado, ex-ministro da Justiça, ex-advogado-geral da União e pastor da igreja presbiteriana, Mendonça ocupará vaga deixada por Marco Aurélio, que se aposentou em julho. Depois de passar por sabatina, Mendonça foi aprovado por 47 votos a 32 no plenário do Senado, uma margem apertada. Após a aprovação, ele comemorou: "Um salto para os evangélicos. [...] Uma nação que agora é representada pelos evangélicos." Mendonça: ‘Um passo para o homem, mas na história dos evangélicos é um salto’ Durante a sabatina, Mendonça também falou sobre outros temas (clique em cada tópico para ver as principais aspas): ➡️casamento de pessoas do mesmo sexo ➡️posse e porte de armas ➡️democracia no Brasil ➡️delações premiadas 👨⚖️ 2º MINISTRO DE BOLSONARO: Veja perfil de André Mendonça Ômicron A chegada da variante ômicron ao Brasil já alterou os planos de quem sonhava com a volta das grandes comemorações de fim de ano. Festas de réveillon em mais de 15 capitais foram canceladas. Uma das mais tradicionais, a da Avenida Paulista, em São Paulo, está entre elas. A cidade, inclusive, adiou a liberação da obrigatoriedade do uso de máscara, que estava prevista para ocorrer a partir de 11 de dezembro. Ômicron: o que se sabe sobre nova variante detectada na África do Sul Na Europa, a estimativa é que a nova cepa provoque a maioria dos casos de contágio de Covid nos próximos meses. Aqui, o governo avalia recomendação da Anvisa para ampliar o total de países com restrição de voo para o Brasil e evitar a propagação. Seis países africanos já estão com voos suspensos para os aeroportos brasileiros, e a Vigilância Sanitária quer incluir outros quatro. Por mais que nenhuma morte tenha sido registrada por conta da variante, a OMS informou que a ômicron apresenta risco elevado para o mundo. O órgão ainda fez um alerta contra a proibição generalizada de viagens. Uma chefe da organização também ponderou que, apesar de a ômicron ser "muito transmissível", o mundo está mais bem-preparado com as vacinas. 😷 MARGARETH DALCOMO: ‘Ninguém precisa entrar em pânico’ 💉 ÔMICRON E A VACINA: Como fabricantes se preparam para agir contra variante Vem, verão 🏖️😎 Lembra que a cidade catarinense de Balneário Camboriú estava fazendo uma megaobra para alargar a faixa de areia da praia, que estava sendo tomada pela sombra dos arranha-céus? Durante os trabalhos, houve até gente atolada na areia, o misterioso aparecimento de conchas e tubarões vistos no mar. Agora que vai ser dada a largada da temporada de verão os banhistas vão, finalmente, poder disfrutar de mais espaço com a obra concluída. Em vez dos antigos 25 metros de faixa de areia serão cerca de 70 metros. Veja aqui como ficou. Vista aérea da Praia Central, em Balneário Camboriú, em 1º de dezembro Element Films/Divulgação Marcão do Charlei Brown Jr. Após as declarações de Alexandre Abrão, filho de Chorão, o ex-guitarrista do Charlie Brown Jr. Marcão se pronunciou na internet dizendo que ele tem uma mentalidade "escrota" e atitude "arrogante" ao tratar de assuntos relacionados à banda. Em entrevista recente ao g1, Alexandre disse que o pai deixou dívida 'impagável' com gravadora para comprar os direitos dos outros integrantes. Marcão rebate essa versão. Leia aqui. Veja 5 declarações do filho do Chorão Placa de metal cai de brinquedo Uma câmera de segurança flagrou o momento em que uma placa se soltou de um brinquedo sobre um reboque estacionado e atingiu um motociclista em Juazeiro do Norte, no interior do Ceará, na tarde deste sábado. A vítima não resistiu aos ferimentos e o proprietário do veículo não foi localizado. Placa de metal se solta de brinquedo em caminhão e mata mototaxista em Juazeiro do Norte Boate Kiss "Isso não é adequado porque nós estamos em um sistema de Justiça que busca, efetivamente, racionalizar aquilo que as vítimas sentem. [...] Eu considero — digo isso muito respeitosamente, mas vai ficar registrado —, eu considero apelativo e desnecessário isso", disse Orlando Faccini Neto, juiz cuja atuação vem chamando a atenção de quem assiste ao julgamento dos réus no caso do incêndio na boate Kiss (acompanhe o júri aqui). Faccini Neto disse isso após o advogado de um dos réus chamar seu cliente para o centro do auditório e, frente a frente com uma sobrevivente, questionar se ela tinha "ódio" do acusado. Advogado pergunta se sobrevivente 'tem ódio' de réu da Kiss O júri popular, que começou no dia 1º de dezembro, irá decidir o destino de 4 réus acusados por irregularidades e negligências na noite do incêndio. Familiares pedem por justiça e a cidade de Santa Maria (RS), onde aconteceu a tragédia, está dividida. ➡️ VÍDEO: Réu passa mal antes do julgamento ➡️ COMO FUNCIONA: Especialistas explicam o tribunal do júri Recessão técnica O Brasil voltou a ter dois trimestres seguidos de queda no Produto Interno Bruto (PIB): recuou 0,4% de abril a junho, segundo dados revisados, e 0,1% de julho a setembro. No "economês", esse fenômeno – dois trimestres seguidos de queda no PIB – é chamado de recessão técnica. Na prática, isso serve como um sinal de alerta, uma indicação de que algo não vai bem. Mas é diferente da recessão de fato, quando a situação do país está se deteriorando significativamente, com alta do desemprego e dos índices de falência, queda da produção e do consumo. 'Já seria uma recessão técnica', diz Maílson da Nobrega Trajetória da economia ganha formato de raiz quadrada; veja gráfico 'Choques externos da natureza' geraram PIB negativo, diz secretário da Economia Endividados e com perspectivas ainda incertas, empresários relatam dificuldades para retomada em meio a 'paradeira' na economia Estrelinha Lançada em 2018, a música "Estrelinha" trocou de voz. Antes cantada por Marília Mendonça, que participou da faixa a convite da dupla Di Paullo e Paulino, o hit passou a ser hino dos fãs após a partida precoce da cantora. A letra da música é cantada sob o ponto de vista de uma pessoa que morreu, pedindo para ser lembrada com alegria e dizendo que virou uma estrelinha. Os autores contam ao g1 que Marília quis gravar a música assim que ouviu, pois se lembrou do pai, que morreu quando ela era criança. Marília Mendonça agarrada ao pai Reprodução/Instagram MARILIATECA: g1 mergulha nas mais de 400 músicas da Rainha da Sofrência Bicampeonato brasileiro 🏆🏆 Apaixonado pelo Atlético-MG, o jornalista Chico Pinheiro tirou o terno no estúdio do Bom Dia Brasil durante o programa Mais Você para mostrar que, por baixo, usava uma camisa do Galo (veja fotos aqui). O time mineiro sagrou-se o campeão do Brasileiro de 2021 após vencer o Bahia por 3 a 2. O jogo da vitória foi em Salvador, mas a maior festa foi em Belo Horizonte e, infelizmente, terminou em feridos, por causa de fogos de artifícios e brigas (veja vídeo aqui). Atlético-MG conquista título do Brasileirão depois de 50 anos Relembre a jornada de 50 anos do Atlético-MG até o bicampeonato Baixa no Twitter Jack Dorsey, um dos fundadores do Twitter, anunciou sua saída do cargo de presidente-executivo da rede social. Em seu perfil no microblog, Dorsey brincou: "Não sei se todo mundo já sabe, mas... eu me demiti do Twitter". Dorsey também informou que seu sucessor na rede social será Parag Agrawal, que ocupava o cargo de diretor de tecnologia desde 2017. E que a troca de comando é imediata. Quem é Jack Dorsey Virgil Abloh O designer de moda Virgil Abloh, diretor artístico da coleção masculina da Louis Vuitton e CEO da marca Off White, morreu aos 41 anos, em decorrência de angiossarcoma cardíaco, uma forma rara de câncer em que um tumor ocorre no coração. A morte repercutiu entre artistas. Virgil Abloh AP Photo/Vianney Le Caer/File "Virgil mudou completamente a forma como eu olhava para o estilo de rua e a moda, a maneira como ele olhava para as coisas me inspirou profundamente. Nunca serei capaz de expressar totalmente o quanto sou grata por tê-lo conhecido e trabalhado com ele", disse a modelo Hailey Bieber. Leia repercussão. Ela está em todas Foi "seguindo o que a vida estava propondo", nas palavras da própria, que a goiana Crislane Costa foi piloto de avião, freira, babá, motorista de aplicativo, empreendedora e feirante (ufa!). Agora ela é coordenadora em uma escola. E sua história viralizou nas redes sociais. “Hoje, os meus sonhos são um pouco mais tranquilos, não tão extravagantes. Quero construir uma família, crescer na carreira, ser uma profissional melhor em tudo que eu faço e apoiar o Rodrigo nos projetos dele”, disse ao g1. Leia mais sobre ela aqui. VÍDEO: Goiana que já foi piloto e freira comenta post que viralizou nas redes sociais Rihanna, a heroína de Barbados Não basta ser diva do pop, tem que ser também heroína nacional. Mas o título não é para qualquer um. Coube à cantora Rihanna receber a honraria na data em que seu país de origem, Barbados, uma ilha do Caribe de cerca de 287 mil habitantes, se tornou uma república. Rihanna é declarada heroína nacional de Barbados PERFIL: Saiba quem é a primeira presidente da ilha caribenha Feliz e abençoado Ter um nariz grande não é nenhum problema para o turco Mehmet Ozyurek. E, veja bem, não é qualquer nariz grande. Há mais de 20 anos Ozyurek é dono do recorde de maior nariz do mundo. O tamanho? Pouco mais que uma carta de baralho, da base à ponta. Pacientes mostram o nariz após cirurgia com médico investigado "Eu amo essa minha característica", disse o narigudo. "O mundo também, o Guinness e, é claro, minha esposa", completou ele, que ainda disse ser abençoado por possuir tal característica. Seus 8,8 centímetros de nariz foram conferidos mais um vez pelos organizadores do livro no fim de novembro. Enquanto isso, no Brasil... 🌳 Cajueiro-Rei, no litoral do Piauí, disputa título de maior do mundo pelo Guinness World Records Vale-gás A primeira parcela do vale-gás será paga ainda este mês para 5,58 milhões de famílias e terá o valor de R$ 52, informou o Ministério da Cidadania. O cálculo corresponde a 50% da média do preço do botijão de 13 kg de gás liquefeito de petróleo (GLP) no Brasil. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o valor médio do botijão no país está, hoje, em R$ 102,46. Vale-gás: Entenda o programa e quem tem direito ao auxílio Desigualdade Em 2020, a população ocupada branca ganhou, em média, 73,3% mais do que a preta ou parda, e os homens receberam 28,1% mais que as mulheres, mostra pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população ocupada branca tinha um rendimento médio real de R$ 3.056 no ano passado, enquanto a população preta ou parda ganhava R$ 1.764. Já os homens tinham rendimento de R$ 2.608, enquanto as mulheres receberam R$ 2.037. Tanto os homens quanto os brancos ganharam mais que a média total de 2020, que foi de R$ 2.372. Leia reportagem aqui. Rendimento-hora por raça Economia g1

  • Berlim amplia restrições e proíbe dançar em casas noturnas
    on dezembro 4, 2021 at 12:50 am

    Alta da Covid na capital alemã faz com que autoridades imponham a “Tanzverbot”, a proibição da dança. Bares e restaurantes continuarão abertos. Entre as medidas está também a restrição de contato para os não vacinados. Ponto de testagem contra a Covid-19 em rua de lojas de Berlim, Alemanha, nesta quarta (1º) Annegret Hilse/Reuters As autoridades berlinenses reintroduziram a famosa Tanzverbot ("proibição da dança”), como parte das restrições impostas pelo Parlamento regional nesta sexta-feira (3) para conter a alta da Covid-19 na capital alemã. De acordo com as novas regras, que passarão a valer a partir de 8 de dezembro, a vida noturna poderá permanecer aberta, pelo menos, por ora. Mas não será permitido dançar. Depois de longos meses de fechamento em razão da pandemia, os clubes noturnos puderam finalmente reabrir em meados de maio. Os frequentadores podiam se reunir socialmente, mas a dança era rigorosamente proibida. Essa regra foi abolida em agosto, após um tribunal julgá-la desproporcional. LEIA TAMBÉM Alemanha impõe lockdown para quem não se vacinou contra a Covid Alemanha tem dia com mais mortos pela doença desde fevereiro Alemanha aumenta restrições aos não-vacinados Mas a quarta onda da pandemia fez com que a medida fosse retomada. Inicialmente, as autoridades da cidade-estado queriam fechar os bares, restaurantes, casas noturnas e locais de cultura, mas o fechamento mais amplo desses estabelecimentos está proibido em razão da chamada Lei de Proteção das Infecções. Os estados perderam o poder de decidir sobre medidas como lockdowns, restrições e o fechamento de bares e casas noturnas. O futuro novo governo alemão prometeu devolver esse poder aos estados, mas deve levar algum tempo para que isso seja transformado em lei. Dessa forma, os parlamentares berlinenses decidiram impor a Tanzverbot, ao invés de forçar o fechamento de bares e casas noturnas. Restrições aos não vacinados Centro de vacinação em Berlim, na Alemanha, em 17 de novembro de 2021 Annegret Hilse/Reuters Outras medidas aprovadas pelo Parlamento local incluem um limite de 5 mil pessoas em eventos ao ar livre, restrições de contato para os não vacinados e a obrigatoriedade da apresentação de comprovante de vacinação ou de recuperação da doença ou de um teste negativo até para praticar esportes coletivos ao ar livre – a chamada regra 3G, de geimpft, genesen, getestet ("vacinado, recuperado, testado"). O mesmo será exigido em edifícios da administração pública. Parlamentares no Bundestag (Parlamento alemão) devem apresentar uma emenda à lei para permitir que os estados possam fechar a vida noturna, caso a taxa de incidência em um período de 7 dias seja superior a 350 pessoas em cada 100 mil habitantes. Nesta sexta-feira, esse índice em Berlim era de 360.

  • Promotoria acusa pais de assassino por negligência em massacre a escola em Michigan; arma foi comprada na Black Friday
    on dezembro 3, 2021 at 10:42 pm

    Pai e mãe responderão por homicídio culposo ao ignorar relatos da escola de que o jovem portava munição dentro do estabelecimento de ensino. Adolescente responderá por terrorismo. Gretchen Whitmer, governadora de Michigan, abraça representante do condado de Oakland nesta quinta (2) durante homenagem a vítimas do massacre na Oxford High School Jake May/The Flint Journal via AP A promotoria do condado de Oakland, Michigan (Estados Unidos), apresentou nesta sexta-feira (3) acusações formais de homicídio contra os pais do adolescente de 15 anos que abriu fogo em uma escola de ensino médio da cidade de Oxford. Quatro jovens morreram no massacre. James e Jennifer Crumbley responderão por permitir que a arma, comprada na Black Friday, fosse encontrada pelo rapaz. Responderão também por não retirar o jovem da escola quando os diretores da instituição pediram isso, apenas horas antes do assassinato em massa. TIROTEIOS NOS EUA Estudante de 15 anos abriu fogo em escola na Carolina do Norte em agosto Na Flórida, em maio, criminosos abriram fogo em multidão em salão de festas; 2 morreram Assassino matou 1 em supermercado no Tennessee em setembro Tiroteio deixa 3 estudantes mortos em escola de ensino médio em Michigan Ainda segundo a promotoria, o casal foi negligente ao não fazer nada quando viu a mensagem "sangue para todo lado" desenhada na cadeira do menino. "Espero que pais e todos os outros tenham humanidade para agir e parar uma tragédia em potencial", disse a promotora Karen McDonald. MAPA - Tiros em Oxford, Michigan g1 Em um episódio relatado pelos investigadores, os professores pegaram o adolescente com munição na escola na véspera do massacre. A mãe, então, enviou a seguinte mensagem: "LOL (risos). Não estou brava com você. Você tem que aprender a não ser pego". O assassino, identificado como Ethan Crumbley, responderá por assassinato, terrorismo e outros crimes. Massacre na Oxford High School Jovens participam de vigília após tiroteio em escola em Oxford, Michigan (EUA), nesta terça (30) Paul Sancya/AP Photo O autor do crime saiu do banheiro na tarde de terça-feira (30) e começou a disparar a esmo na escola Oxford High School, onde estudava. Quatro adolescentes morreram e oito pessoas ficaram feridas, inclusive um professor. As vítimas do tiroteio são: Tate Myre, de 16 anos Hana St. Juliana, de 14 anos Madisyn Baldwin, de 17 anos Justin Shilling, de 17 anos Oxford High School, escola em Michigan, estado dos EUA, onde estudante abriu fogo e matou 3 nesta terça (20) Paul Sancya/AP Photo O presidente Joe Biden foi avisado do tiroteio pelas autoridades de segurança nacional e afirmou: "Meu coração está com as famílias que passam pela inimaginável dor da perda de uma pessoa querida". A governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, também lamentou o crime. "Como conterrâneos, temos a responsabilidade de fazer de tudo o que pudermos para protegermos uns aos outros da violência das armas", disse.

  • Policial stalker, variante Ômicron, maior nariz do mundo: os vídeos mais vistos da semana
    on dezembro 3, 2021 at 9:24 pm
  • Tortura e morte de menino de 6 anos por pai e madrasta chocam britânicos e levantam debate sobre serviços de proteção
    on dezembro 3, 2021 at 8:26 pm

    Assistentes sociais chegaram a visitar família dois meses antes do crime, após avó suspeitar de maus tratos. Júri fez um minuto de silêncio pela vida de Arthur após o anúncio do veredito Arquivo pessoal/BBC Os britânicos Thomas Hughes e Emma Tustin foram condenados por um júri nesta quinta-feira (2) pela morte do menino Arthur Labinjo-Hughes, de seis anos, em junho de 2020. O caso provocou comoção no Reino Unido. De acordo com as investigações, Arthur sofria uma rotina de abusos cometidos pelo pai e pela madrasta. Era constantemente submetido a violência física, privado de água e comida e mantido isolado em casa. O menino foi morto quando estava aos cuidados de Tustin, que o teria intoxicado com sal e batido sua cabeça em uma superfície dura. Dois meses antes, o serviço de proteção social chegou a visitar o imóvel em que a família morava, na cidade de Solihull, na região central da Inglaterra, mas concluiu na ocasião que não havia evidência de maus-tratos - fato que acabou levantando uma discussão sobre as falhas dos serviços de proteção à infância no país. O casal foi julgado por um júri no tribunal de Coventry Crown. Tustin foi condenada por homicídio e Hughes, por homicídio culposo (sem intenção de matar). Ambos foram considerados culpados ainda por acusações de crueldade contra crianças, previstas na lei penal britânica. Tustin recebeu pena de prisão perpétua e terá de ficar no mínimo 29 anos na prisão. Hughes foi condenado a 21 anos de detenção. A mãe biológica de Arthur, Olivia Labinjo-Halcrow, foi presa em 2019 por esfaquear até a morte seu então parceiro, Gary Cunningham. Ela e Hughes dividiam a custódia do filho. Emma Tustin foi condenada por homicídio e, Thomas Hughes, por homicídio culposo West Midlands Police/BBC Horas de áudio e vídeo O julgamento se estendeu por quase dois meses. Nesse período, os membros do júri foram apresentados a uma série de evidências perturbadoras coletadas durante a investigação. Arthur teria sido forçado por Tustin a ficar "parado como uma estátua" por horas perto da porta de casa e, em outra ocasião, viu o pai rasgar duas de suas camisas do time Birmingham City para castigá-lo. Foram horas de material em vídeo e áudio, gravados nas últimas semanas de vida da criança. Imagens de câmeras de segurança de dentro da casa do dia anterior ao homicídio mostram Arthur aparentemente mancando e chorando, com dificuldade para dobrar uma coberta que lhe havia sido dada para dormir. Em um áudio, Arthur é ouvido gritando quatro vezes "ninguém me ama". Em outro, grita "ninguém vai me alimentar" sete vezes. Próximo ao momento em que foi assassinado, o menino "mal era capaz de articular suas palavras" e praticamente não conseguia suportar o peso de seu próprio corpo. Durante o depoimento de Tustin, o promotor Jonas Hankin chegou a dizer que estava claro pelo tom das ordens da madrasta a Arthur que ela "sentia satisfação" em ser cruel com o garoto. Tustin negou ter sido responsável pela morte do menino, apesar de as evidências médicas apontarem que não havia como Arthur se auto-infligir os ferimentos que o levaram a óbito. Durante o julgamento, soube-se que, apenas dois meses antes da morte de Arthur, o garoto havia recebido uma visita da assistência social. A avó paterna, Joanne Hughes, havia entrado em contato com o serviço de proteção social porque estava preocupada com a possibilidade de o neto estar sofrendo maus-tratos. Os assistentes sociais disseram, contudo, não terem verificado elementos que levantassem suspeitas. Uma investigação paralela está sendo conduzida para averiguar a conduta dos profissionais. O veredito do julgamento estampou a capa dos principais jornais ingleses nesta sexta-feira (3), e muitos deles chamaram atenção para as falhas na conduta dos agentes públicos para evitar a tragédia. O correspondente da BBC na região inglesa de Midlands, Phil Mackie, pontua que, caso as instâncias públicas responsáveis por proteger as crianças tivessem interferido no momento em que deveriam agir, Arthur poderia ter sido salvo. Ele diz enxergar, contudo, uma diferença importante em relação a outros casos parecidos noticiados nos últimos anos na região. "Os abusos contra Arthur escalaram assim que o pai se mudou para viver com Tustin, no início do primeiro lockdown no ano passado. Tudo aconteceu a portas fechadas, em um período em que todos estavam isolados e encontros presenciais eram raros." Segundo ele, a Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês), organização não governamental britânica, observou aumento de 23% nas ligações com denúncias nesse período. Imagens das câmeras da casa mostram o garoto muito fraco e chorando West Midlands Police/BBC 12 minutos para chamar a emergência Tustin fotografou Arthur com seu celular quando ele morria no corredor da casa e enviou a imagem a Hughes. Ela levou 12 minutos para ligar para o serviço de emergência, e disse aos profissionais de saúde que o menino havia caído, batido com a cabeça e, já no chão, batido a cabeça outras cinco vezes. Posteriormente, alegou que ele teria se jogado escada abaixo, apesar das evidências de que ele mal tinha forças para erguer um cobertor. Embora Hughes não estivesse presente no momento da agressão, os promotores argumentaram que ele seria igualmente culpado do crime por "encorajar" a violência contra o próprio filho, além de submetê-lo, ele mesmo, a violência física. Conforme a investigação exposta ao júri, Hughes teria feito uma série de ameaças ao menino, incluindo colocá-lo "sete palmos embaixo da terra". Em uma mensagem de texto a Tustin, ele escreve: "acaba logo com ele". Arthur teria dito a outros membros da família, a seu médico e na escola que seu "pai iria matá-lo" e, em uma ocasião, teria falado ao próprio pai: "Corro perigo com você, pai". No tribunal, o casal foi descrito pelos promotores como "totalmente cruel, irracional ​​e impiedoso". "Acho que eles são torturadores frios, calculistas e sistemáticos e agiram contra um garoto indefeso. Eles são perversos, malignos. Não há palavras para descrevê-los, especialmente (alguém que faz isso com) seu próprio filho", disse a avó materna de Arthur, Madeleine Halcrow, após o anúncio do veredito. A investigadora Laura Harrison, da polícia de West Midlands (condado na região central da Inglaterra), afirmou não estar claro por que Tustin e Hughes causaram tanto dano e sofrimento a Arthur ou por que instalaram uma câmera de segurança dentro de casa - as imagens foram fundamentais para mostrar a rotina de abusos. Segundo ela, o menino não tinha um lugar na casa que pudesse "chamar de seu". "Os policiais encontraram seu edredom enfiado em um armário embaixo da escada, porque ele era obrigado a dormir no chão da sala todas as noites." Avó paterna chegou a alertar autoridades sobre a possibilidade de o neto estar sofrendo maus tratos Arquivo pessoal/BBC Tustin declarou-se culpada de duas das acusações relacionadas a crueldade infantil - intimidação e agressão -, mas negou uma terceira, de que teria intoxicado Arthur colocando sal em excesso no que o menino comia e bebia. Hughes foi condenado pelos crimes de intimidação e agressão, mas considerado inocente das acusações de privar o filho de se alimentar e de intoxicá-lo com sal. Vídeos: Os mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias

  • Esquadrão antibomba é chamado em hospital inglês por paciente com obus da II Guerra Mundial no reto
    on dezembro 3, 2021 at 6:47 pm

    Médicos removeram objeto de forma segura antes da chegada de especialistas da polícia e do Exército, segundo polícia de Gloucestershire. Paciente disse que havia 'escorregado e caído' sobre o artefato, desenhado para atravessar a blindagem de um tanque. Fachada do Gloucestershire Royal Hospital, em Gloucestershire, na Inglaterra Jonathan Billinger/Creative Commons Os funcionários de um hospital do Reino Unido tiveram que chamar o esquadrão antibomba esta semana depois que um paciente se apresentou no setor de emergência com um obus da Segunda Guerra Mundial enfiado no reto. No entanto, antes que os especialistas da polícia e do Exército chegassem, os médicos já haviam removido o objeto de forma segura, informou a polícia de Gloucestershire, no oeste da Inglaterra. "A polícia compareceu ao Gloucestershire Royal Hospital na quarta-feira (1º) pela manhã, após ser informada que um paciente havia se apresentado com uma munição no reto", explicaram as forças de segurança em comunicado. A equipe antibomba "chegou e confirmou que a munição não estava ativa e, por isso, não representava perigo para o público", acrescentou. O tabloide sensacionalista "The Sun" foi o primeiro a informar sobre o incidente, assegurando que o paciente, cuja identidade foi preservada, explicou aos médicos que havia "escorregado e caído" sobre o artefato. O homem estava limpando seu arsenal privado de objetos militares de coleção quando houve o acidente, acrescentou. A munição foi identificada posteriormente como um projétil disparado por canhões antitanque que datava da Segunda Guerra Mundial. O obus de 57 mm, com 17 cm de comprimento por 6 cm de espessura, era "um pedaço de chumbo grosso e pontiagudo desenhado para atravessar a blindagem de um tanque", disse uma fonte militar ao "The Sun". O paciente recebeu alta do hospital e deve se recuperar por completo, detalhou o tabloide. Vídeos: Os mais assistidos do g1 nos últimos 7 dias