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07 de fevereiro de 2026

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No Amapá, bruxas modernas resgatam ancestralidade e Wicca

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A imagem da bruxa, muitas vezes associada a estereótipos negativos, ganha novos contornos no Amapá. Longe do nariz pontudo e caldeirão, a figura da ‘bruxa moderna’ representa a prática da Wicca – uma religião contemporânea que valoriza a conexão com a natureza, o autoconhecimento e o respeito à diversidade.

Samara Oliveira, de 38 anos (Aislin Acy), e Everaldo Terceiro, de 48 anos (Galdax Sokarh), são exemplos dessa nova face da bruxaria. Casados desde 2013 e pais de duas filhas, conciliam a vida familiar com os estudos e rituais da tradição wiccaniana.

Psicanalista clínica, Samara começou a se aprofundar na Wicca em 2000, a partir de um trabalho escolar. “Foi um resgate, como se eu tivesse reencontrado um lugar que sempre pertenceu a mim. A Wicca me deu ferramentas para me entender, aceitar minhas qualidades e meus desafios. Não é só magia, é sobre transformação pessoal e cura”, explica.

Já Everaldo, servidor público, despertou o interesse pela prática ainda na infância, ao entrar em contato com o tarô. “É um caminho de estudo, prática e desconstrução de preconceitos. A imagem negativa da bruxa foi criada por uma sociedade que não aceitava o diferente. Para nós, a bruxaria é cura, acolhimento e reconexão com a natureza e com quem realmente somos”, conta.

Sobre a Wicca

A Wicca foi oficialmente reconhecida como religião na década de 1950, quando a prática da bruxaria deixou de ser crime na Inglaterra. Desde então, se espalhou pelo mundo, atraindo pessoas em busca de liberdade, inclusão e reconexão com suas raízes ancestrais. Gerald Garder, um ocultista e escritor britânico, publicou o primeiro livro sobre a Wicca, apresentando-a como a ‘religião da Grande Mãe’.

Com a onda de movimentos culturais, como o festival de Woodstock, a Wicca ganhou força e atraiu adeptos que buscavam alternativas espirituais. Para os praticantes, a religião representa um espaço de acolhimento e liberdade, onde cada um pode construir sua própria jornada espiritual, fora dos padrões tradicionais.

“A Wicca abraça a diversidade e acolhe pessoas que não se encaixam nos padrões da sociedade. É uma filosofia de liberdade, mas também de responsabilidade. Você pode fazer o que quiser, desde que não prejudique ninguém”, afirma Everaldo.

Rituais e o ‘Amapagão’

Os rituais wiccanos são marcados pela presença dos quatro elementos – água, fogo, terra e ar – e por símbolos como o cálice e o caldeirão, que representa o útero da Deusa. “O caldeirão simboliza o início e o fim de tudo, a energia da criação e da transformação”, explica Samara.

No Amapá, o grupo ‘Amapagão’, fundado por Samara em 2013, reúne atualmente cerca de 20 praticantes. Entre as celebrações mais importantes está o Samhain, comemorado em 31 de outubro, considerado o ‘Ano Novo’ wiccaniano – um momento de encerramento de ciclos e preparação para novas jornadas.

A Wicca também propõe uma releitura histórica do conceito de bruxaria, resgatando a origem de símbolos e divindades celtas que foram demonizados pela sociedade cristã. “Muitos símbolos considerados negativos têm raízes em divindades ligadas à natureza. A imagem da bruxa malvada foi construída para condenar práticas naturais consideradas pecado”, explica Everaldo.

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