Trump cria ‘ONU paralela’ com adesão de Netanyahu e outros líderes; iniciativa gera receios sobre o papel da ONU
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceitou o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o “Conselho da Paz”, uma nova estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, com potencial para atuar em outros conflitos internacionais.
A iniciativa envolveu o envio de convites a lideranças de cerca de 60 países, incluindo o Brasil, que ainda avalia a participação. No entanto, a criação do conselho tem gerado preocupação na comunidade internacional, com receios de que ele possa enfraquecer o papel da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com o estatuto do conselho, obtido pela agência Reuters, Donald Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo. Países que desejarem um assento permanente deverão contribuir com US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões), recursos que serão administrados pelo próprio Trump. Argentina, Hungria e Marrocos já confirmaram sua adesão.
A medida provocou críticas de diplomatas e autoridades mundiais. “É uma ‘Nações Unidas de Trump’ que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU”, afirmou um diplomata. Annalena Baerbock, presidente da Assembleia Geral da ONU, alertou que questionar o papel da ONU seria um retrocesso: “E se questionarmos isso… retrocedemos para tempos muito, muito sombrios”, disse à Sky News.
Especialistas também expressam preocupações. Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV, aponta que a estrutura concentra poder excessivo na figura de Trump, levantando dúvidas sobre transparência e controle das decisões estratégicas. “Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos”, afirma. Stuenkel também destaca possíveis conflitos de interesse devido à participação de Jared Kushner e Steve Witkoff, ambos com interesses empresariais em Gaza.
Enquanto isso, a ONU ressalta que a situação humanitária em Gaza permanece dramática, independentemente da criação de novos fóruns políticos. Trump, conhecido por suas críticas a instituições multilaterais, questiona a eficácia e o custo desses organismos, defendendo que eles nem sempre servem aos interesses dos Estados Unidos.
Com informações do G1










