O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) denunciou 34 suspeitos de envolvimento com o Comando Vermelho (CV) em uma série de ataques violentos que abalaram o estado em janeiro. A ação, resultado da Operação Escudo de Rondônia, conduzida pelo Grupo de Ações Especiais de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Enfrentamento aos Crimes Cometidos por Facções Criminosas (Nufac), busca responsabilizar os envolvidos pela onda de violência que deixou mais de dez pessoas mortas e causou pânico na população.
Os ataques, que se estenderam por cerca de uma semana, tiveram como estopim o assassinato do policial militar Fábio Martins. Segundo as investigações da Polícia Civil e da Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado (FTICCO-RO), a facção criminosa teria ordenado os ataques como forma de retaliação à morte do integrante da organização em confronto com a PM, além de tentar impedir a ocupação do condomínio Orgulho do Madeira, localizado em Porto Velho.
A denúncia aponta que o grupo é responsável por diversos crimes graves, incluindo assassinatos de agentes públicos, incêndios criminosos a prédios e veículos (como os 11 ônibus destruídos em Porto Velho), depredação de patrimônio, ameaças à população, imposição de toques de recolher e interrupção de serviços essenciais, como o transporte público e as aulas escolares. A população de Porto Velho foi diretamente afetada pelos atos, com impactos no cotidiano e na sensação de segurança.
De acordo com o MP-RO, as ordens para os ataques partiram de líderes da facção, muitos deles presos em unidades prisionais. Um dos principais chefes do grupo foi transferido para o Sistema Penitenciário Federal durante as investigações. A denúncia, que possui mais de 170 páginas, detalha a estrutura da facção, revelando a existência de núcleos de comando, planejamento e execução em diversas cidades de Rondônia.
Os acusados respondem por crimes como organização criminosa armada, uso de adolescentes, incêndio, explosão e dano qualificado. As penas para os líderes da organização podem ultrapassar 380 anos de prisão. Parte dos investigados já está presa preventivamente, e o MP-RO solicitou à Justiça a manutenção das custódias, considerando o alto risco de reiteração criminosa e a possibilidade de novos ataques.
O caso reacende o debate sobre a crescente atuação de facções criminosas na região amazônica e a necessidade de ações coordenadas entre os órgãos de segurança pública para garantir a segurança da população rondoniense.










