MP-RO recebe investigação sobre a morte de Marta Isabelle, adolescente de 16 anos que sofria tortura e cárcere privado em Porto Velho
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) recebeu, na manhã desta quinta-feira (5), o inquérito da Polícia Civil sobre a morte da adolescente Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos. A jovem foi encontrada em condições degradantes dentro da casa onde vivia com o pai e a madrasta, em Porto Velho (RO).
As investigações revelaram que Marta era mantida em cárcere privado e sofria torturas constantes. A polícia apurou que a jovem era obrigada a comer restos de comida destinados a animais, dormia no chão e era amarrada com fios na cama para impedir que saísse do quarto. Além disso, não tinha acesso a água potável nem a qualquer tipo de higiene.
O MP-RO vai analisar o inquérito e decidir se oferece denúncia contra Callebe José da Silva (pai), Ivanice Farias de Souza (madrasta) e Benedita Maria da Silva (avó de Marta). Quando encontrada, Marta estava deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O laudo inicial apontou desnutrição, ossos expostos, ferimentos com larvas e marcas de imobilização prolongada.
Segundo a delegada Leisaloma Carvalho, Marta estava presa em casa há cerca de dois meses. A madrasta participava das agressões e demonstrava ciúmes da adolescente, chegando a cortar seu cabelo bem curto. O pai, descrito como controlador, havia retirado Marta da escola há quase três anos, isolando-a do convívio social. Pai e madrasta foram indiciados por feminicídio, tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro.
Conhecida pela família como Martinha, Marta Isabelle gostava de cantar na igreja e sonhava em terminar os estudos. A tia de Marta relatou que a jovem nasceu na Paraíba e, ainda criança, foi morar com o pai em Rondônia. Segundo ela, a última foto com a sobrinha é de agosto de 2020, e o contato entre elas diminuiu desde então.
Um vídeo divulgado nas redes sociais de uma igreja mostra a adolescente cantando durante um culto. De acordo com a tia, esse foi o último registro em vida ao qual a família teve acesso. “Martinha era muito amada. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela”, disse a tia.
Com informações do G1










