O Monte Roraima, um dos cartões postais da Amazônia, localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, desperta a curiosidade de muitos, especialmente sobre a possibilidade de abrigar riquezas minerais. Popularizado em novelas, o tepui alimenta a lenda de minas de diamantes em seu topo. Mas o que dizem os especialistas?
Segundo o geólogo Fábio Luiz Wankler, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), a ideia de pedras preciosas no topo do Monte Roraima é um mito. “Geologicamente, o topo é composto de arenito. Não existem pedras preciosas no topo”, afirma. O geólogo Jackson Douglas Silva da Paz, também da UFRR, complementa que registros oficiais apontam para ocorrências minerais no estado de Roraima, mas não especificamente no maciço do Roraima.

Apesar de não haver diamantes no topo, a região ao redor possui registros históricos de minerais valiosos, como ouro e diamantes, encontrados em rochas conglomeráticas na base do monte e nos rios que o drenam, como Santa Elena de Uairén, Uiramutã e Tepequém. Contudo, os diamantes encontrados costumam ser pequenos, raramente ultrapassando dois quilates, e de coloração translúcida ou levemente amarelada.
O famoso ‘Vale dos Cristais’, encontrado no topo do Roraima, é composto por milhares de cristais de quartzo translúcidos, formados pela recristalização do arenito devido a eventos tectônicos. Um fenômeno geológico interessante, mas sem valor monetário significativo. A exploração mineral é proibida no Parque Nacional do Monte Roraima, no Brasil, e no Parque Nacional Canaima, na Venezuela, áreas protegidas pela UNESCO.

A mineração, mesmo fora dos parques, representa riscos ambientais como a contaminação da água pelo mercúrio, desmatamento e erosão do solo. Especialistas alertam que a prioridade deve ser a preservação do ecossistema único do Monte Roraima, um patrimônio natural de valor inestimável.

Em resumo, o Monte Roraima não é um tesouro de pedras preciosas, mas um monumento natural que merece ser protegido. A região integra o Escudo das Guianas, com ocorrências minerais em escala regional, mas o futuro do tepui deve ser de conservação, e não de exploração.
Com informações do Portal Amazônia.









