O Ministério da Agricultura informou nesta quinta-feira (01) que 17 estados, mais o Distrito Federal, relataram casos de recebimento de pacotes de sementes não solicitadas. O Ministério afirma ainda que já recebeu 181 amostras, todas originárias de países asiáticos como China e Malásia e da região administrativa chinesa Hong Kong.
Segundo o Ministério, já receberam sementes:
- Alagoas (AL)
- Amapá (AP)
- Bahia (BA)
- Ceará (CE)
- Distrito Federal (DF)
- Goiás (GO)
- Mato Grosso do Sul (MS)
- Minas Gerais (MG)
- Paraná (PR)
- Pernambuco (PE)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Rio Grande do Sul (RS)
- Rio Grande do Norte (RN)
- Rondônia (RO)
- Roraima (RR)
- Santa Catarina (SC)
- São Paulo (SP)
- Tocantins (TO)
Ainda segundo o governo, “até o momento, ainda não é possível apontar os riscos envolvidos”. O material foi enviado para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) de Goiânia para as análises técnicas.
A embaixada chinesa levantou suspeita de fraude em pacote com sementes misteriosas que têm chegado junto com as compras feitas por brasileiros na internet. A embaixada da China informou em nota que soube pelo Ministério da Agricultura e pela imprensa que brasileiros estão recebendo as sementes misteriosas e afirmou que “os Correios da China seguem rigorosamente as disposições da União Postal Universal, e vetam o transporte postal de sementes”. Que “uma verificação preliminar constatou que as etiquetas de endereçamento apresentam indícios de fraude, com erros no código de rastreamento e em outros dados”. E que a “embaixada está disposta a cooperar com a investigação das autoridades brasileiras”.
Cuidados
O Ministério da Agricultura reforça para que a população tenha cuidado e não abra encomendas recebidas pelo correio de pacotes de sementes não solicitadas, seja qual for o país de origem.
Caso o cidadão venha a receber em casa sementes provenientes do exterior, o governo orienta a entrega do material para uma das unidades do ministério em seu estado ou no órgão estadual de defesa agropecuária.
Importação de sementes sem autorização do Ministério da Agricultura é proibida; 51 amostras já foram levadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Goiânia, referência no país. A coordenadora do laboratório disse nesta quarta (30) que é preciso descobrir quais são as espécies e se as sementes trazem risco de doenças ou de pragas agrícolas.
Possível esquema de fraude
O Departamento de Agricultura dos EUA já trabalha com a possibilidade de que as encomendas indesejadas estejam relacionadas a uma fraude conhecida como “brushing”. O “brushing” é, essencialmente, o envio de mercadorias não solicitadas com o objetivo de registrar compras falsas.
A semente, no caso, apenas cumpre a finalidade de não deixar o pacote vazio. Isso explicaria por que as autoridades até agora não encontraram sinais de tentativas de bioterrorismo ou contaminação.
A prática ocorre principalmente em sites que operam no modelo de “marketplace”, em que um único site de compras oferece produtos de muitas lojas diferentes. Os golpistas fazem cadastro e compram em lojas on-line como se fossem clientes, usando endereços reais de vários países que são roubados de bancos de dados.
Com a conta falsa, eles ficam sabendo quando a “encomenda” foi entregue e, então, podem fazer uma avaliação positiva para a própria loja. A reputação de cada vendedor nesses sites ajuda a aumentar as vendas, tendo impacto na posição dos produtos nos resultados de busca e na confiança do cliente.

Como muitos sites de comércio eletrônico do tipo “marketplace” obrigam os vendedores a registrar um código de rastreamento em cada pedido, os golpistas se veem obrigados a enviar algum produto.
Para que a fraude tenha sucesso, também é preciso usar uma variedade de endereços válidos. Do contrário, os pacotes poderiam ser recusados e retornados.
Além disso, os sistemas das lojas poderiam levantar suspeitas se os mesmos endereços fossem usados para muitas compras.
Os endereços usados no “brushing” são normalmente oriundos de dados vazados de lojas ou de outros pedidos realizados pelo consumidor. O envio de itens baratos e leves é para reduzir os custos de frete e da mercadoria – e é aí que entram as sementes.
Folha da “semente misteriosa” pode ter matado uma gatinha
Uma moradora de Itapetininga (SP) afirma que sua gata morreu depois de comer a folha de “sementes misteriosas” que recebeu ao fazer compras online em um site chinês. Não há, por ora, nenhum laudo veterinário ou comprovação científica que ligue a morte às sementes. Em entrevista à TV TEM, Mariza Silveira disse que comprou roupas no site e recebeu as sementes em um envelope antes das encomendas chegarem.
Segundo ela, não havia nenhum endereço de remetente, mas na embalagem estavam escritos os termos “Express”, “China” e “gratuito”. Ela, então, plantou as sementes em um vaso.

Segundo Mariza, a gata começou a passar mal ao comer a planta. Ela decidiu levar o animal até uma clínica veterinária. Exames foram feitos, mas nada de anormal foi constatado. O veterinário sugeriu a eutanásia alegando que havia muito líquido no abdômen da gata. Contudo, não foi possível identificar a causa da morte.
Fonte: Tribuna Top










