As terras-raras são um grupo de minerais estratégicos, essenciais para a produção de tecnologias de energia limpa e indústrias de baixo carbono, como baterias, ímãs e telas de celulares. Para impulsionar esse setor no país, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) selecionaram 56 projetos, destinando R$ 5 bilhões, sendo R$ 1 bilhão especificamente para terras-raras.
O Brasil possui 23% das reservas mundiais mapeadas de terras-raras, com cerca de 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China (49%). No entanto, a produção brasileira ainda é pequena – apenas 20 toneladas em 2024, comparado às 270 mil toneladas chinesas. Apesar disso, o país tem potencial para se tornar um player importante nesse mercado.
Enquanto os Estados Unidos buscam acordos para garantir o abastecimento desses minerais, o Brasil tem depósitos significativos em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. A Mineração Serra Verde, em Goiás, é a única mina de argila iônica em produção comercial no país, uma alternativa mais fácil de explorar do que rochas compactas.
Apesar do avanço, pesquisadores alertam que as empresas que exploram as terras-raras no Brasil são, em sua maioria, estrangeiras, o que pode limitar o desenvolvimento de pesquisas locais. Há o receio de que o país perca a oportunidade de se tornar líder no setor, como foi na década de 1950 e 1960.
A extração de terras-raras, como qualquer atividade mineradora, causa impactos ambientais, como desmatamento e perda de biodiversidade. Além disso, o processo de produção pode gerar resíduos com potencial radiotóxico. Por isso, a mineração urbana, que consiste na recuperação desses minerais a partir de materiais descartados como baterias, ímãs e lâmpadas fluorescentes, surge como uma alternativa mais sustentável.
Instituições como o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão investindo em pesquisas para aprimorar técnicas de reciclagem e extração de terras-raras de resíduos. O objetivo é criar um ciclo de produção totalmente nacional, desde a extração até as aplicações, e reduzir os impactos ambientais da mineração tradicional.
Um novo INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) dedicado às terras-raras, o Materia, foi aprovado com investimentos de R$ 10,2 milhões, visando desenvolver novos materiais e tecnologias com essas substâncias, buscando a independência tecnológica do Brasil nesse setor estratégico.
*Conteúdo originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, com autoria de Frances Jones e Yuri Vasconcelos.









