Pesquisadores identificaram a presença de microplásticos na Praia do Goiabal, em Calçoene, no litoral do Amapá. O estudo, realizado pelo Instituto Federal Goiano com apoio da Universidade do Estado do Amapá (Ueap), analisou 18 quilômetros da faixa costeira, coletando 40 amostras de areia.
A pesquisa faz parte do projeto MicroMar, um levantamento nacional que analisou mais de mil praias brasileiras. Os resultados indicam que 69% delas apresentam contaminação por microplásticos – partículas minúsculas, menores que um grão de arroz, que representam um perigo para a vida marinha e para o meio ambiente.
Na Praia do Goiabal, a análise revelou que mais de 70% dos microplásticos encontrados eram de isopor, um material leve que se fragmenta facilmente e é carregado pelas correntes marítimas e ventos. Também foram identificados pedaços de poliestireno (presente em utensílios domésticos), polietileno e polipropileno, encontrados em sacolas, tampas, cordas e redes de pesca.
A poluição não se limita ao lixo proveniente de áreas urbanas ou industriais. A corrente marítima, o vento e o descarte inadequado de lixo por turistas e pescadores locais contribuem significativamente para o problema. A falta de conscientização sobre o descarte correto e os impactos ambientais também é um fator agravante.
A concentração de microplásticos na areia da Praia do Goiabal varia de 0 a 115 partículas por quilo, com uma média de 23. Isso significa que, em média, há um pedaço de plástico a cada três colheres de areia. A Praia do Goiabal é a única praia de água salgada do Amapá a figurar entre as 30 praias mais contaminadas do país.
A professora Neuciane Dias Barbosa, da Ueap e coordenadora da pesquisa no Amapá, alerta para os impactos diretos na fauna local. “O impacto começa quando esse material chega ao ambiente e sofre desgaste. Os animais acabam ingerindo esses fragmentos, atraídos pela cor e confundindo-os com alimento”, explica.
Casos de animais marinhos encalhados, como um filhote de baleia cachalote encontrado em abril de 2024, e a observação de ninhos de aves construídos com pedaços de plástico, reforçam a urgência de medidas para combater a poluição por microplásticos na região.
O projeto MicroMar, coordenado pelo professor Guilherme Malafaia do IF Goiano, envolveu a coleta de 4.134 amostras de areia em 211 municípios de 17 estados costeiros do Brasil entre 2022 e 2023. Os dados inéditos obtidos serão utilizados para embasar a criação de políticas públicas de combate à poluição marinha.








