A Amazônia, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do planeta, abriga o matamatá, uma tartaruga de água doce que sempre chamou a atenção pela sua aparência peculiar e importância ecológica. Surpreendentemente, o que antes era considerado uma única espécie, agora é reconhecida como duas.
Descrita em 1783 pelo naturalista Johann Schneider como Chelus fimbriata, a espécie ocupava as bacias dos rios amazônicos no Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Bolívia. Em 2020, pesquisadores identificaram uma nova espécie, a Chelus orinocensis, nas bacias do Orinoco (Colômbia e Venezuela) e do alto rio Negro, no Brasil.
De acordo com a Revista Fapesp, a diferenciação entre as espécies foi possível através de análises morfológicas e genéticas. O C. orinocensis apresenta carapaça mais clara e ovalada, enquanto o C. fimbriata tem um casco mais escuro e retangular. A parte inferior do casco também difere, sendo mais amarelada e com menos pigmentação escura na espécie do Orinoco.

As linhagens se separaram há cerca de 13 milhões de anos.
O matamatá é um predador de peixes que se alimenta por sucção, capturando suas presas em cerca de 44 milissegundos. Adaptado a águas calmas, camufla-se entre a vegetação e troncos submersos, imitando o ambiente com sua coloração e projeções na carapaça. A descoberta de uma nova espécie tem implicações importantes para a conservação, exigindo um olhar mais cuidadoso para a proteção da biodiversidade amazônica.

Apesar de não serem considerados ameaçados de extinção no momento, os matamatás enfrentam riscos como o tráfico ilegal de filhotes e as ameaças generalizadas aos quelônios amazônicos, incluindo desmatamento, poluição e mudanças climáticas. “Onde tem matamatá, o ambiente ainda está equilibrado, com poucas pressões antrópicas”, afirma o especialista Fábio Cunha, destacando o potencial da espécie como bioindicador da saúde ambiental.

A preservação dos matamatás e seus habitats é crucial para a manutenção da biodiversidade da Amazônia e para a saúde dos ecossistemas aquáticos.
Com informações do Portal Amazônia.












