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29 de novembro de 2025

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Massacre dos Akroá-Gamella: um ataque à terra e à identidade no Maranhão

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Em 30 de abril de 2017, o povoado de Bahias, em Viana (Maranhão), foi palco de um episódio trágico: o “Massacre dos Akroá-Gamella”. O ataque, um dos mais violentos contra indígenas no país, deixou mais de 20 feridos e expôs a luta por terra e reconhecimento desse povo originário.

Quem são os Akroá-Gamella?

Os Akroá-Gamella são um grupo indígena que habita historicamente a região da baixada maranhense, nos municípios de Viana, Matinha e Penalva. Documentos do século XVIII da Coroa Portuguesa comprovam que possuem direito legítimo a uma área de 14 mil hectares.

Com o passar do tempo, essa área foi drasticamente reduzida. Atualmente, eles ocupam apenas 552 hectares, e a perda territorial se intensificou na década de 1970 com a invasão de fazendeiros e empresários locais, que praticaram grilagem e degradação da terra. Chegaram a fraudar registros de posse em cartório para beneficiar seus interesses.

A situação chegou a um ponto crítico em que, no final do século XX, os Akroá-Gamella foram considerados extintos – uma tentativa de apagar sua história e negar seus direitos territoriais. A alegação era de que teriam se misturado com a população não indígena, perdendo sua identidade.

A Retomada

Em 2013, o povo Gamella iniciou um movimento de retomada de suas terras e de reconhecimento de sua identidade. Declararam-se oficialmente Povo Akroá-Gamella, reunindo 1.200 indígenas distribuídos em seis aldeias na zona rural de Viana: Taquaritiua, Centro do Antero, Nova Vila, Tabocal, Ribeiro e Cajueiro-Piraí.

Entre 2015 e 2017, recuperaram oito áreas tradicionalmente suas, incluindo quatro fazendas que, segundo os indígenas, pertenciam a empresários com ligações políticas no Maranhão. Era um processo de resistência e afirmação de direitos.

O Massacre

No dia 30 de abril de 2017, enquanto se preparavam para uma nova retomada, os indígenas foram surpreendidos por um ataque brutal. Um grupo de aproximadamente 200 pessoas, armadas com armas de fogo, pedaços de pau e facões, atacou cerca de 30 indígenas Akroá-Gamella que haviam retomado uma propriedade rural em Taquaritiua.

O ataque ocorreu em meio a uma manifestação de donos de terras que protestavam contra as retomadas indígenas. Testemunhas relatam que o caseiro da propriedade retomada acionou os manifestantes, que marcharam em direção aos indígenas com intenção de violência. O resultado foi trágico: 22 feridos, alguns com lesões gravíssimas, como mãos quase decepadas e ferimentos causados por disparos.

Desdobramentos e a Luta por Justiça

Após o massacre, os Akroá-Gamella ocuparam a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) por quase um mês, exigindo o início do processo de demarcação de suas terras, reivindicação existente desde 2014. A pressão surtiu efeito, e a Funai instaurou um grupo de trabalho para estudar a questão. No entanto, o processo ainda se arrasta.

A Funai informou que os estudos estão na fase inicial e precisam passar por etapas de delimitação, declaração, homologação e regularização. Sobre as responsabilizações pelo massacre, a situação permanece indefinida. Em 2019, o inquérito policial para investigar o caso ainda não havia sido concluído, segundo o Ministério Público Federal e a Polícia Federal no Maranhão.

O caso continua sem respostas e demonstra a urgência de garantir a segurança e os direitos dos povos indígenas no Maranhão.