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17 de fevereiro de 2026

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Marajó: projetos e pesca ameaçam comunidade local

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A comunidade pesqueira de Jubim, localizada no arquipélago do Marajó, no encontro entre o rio Amazonas e o oceano Atlântico, enfrenta crescentes ameaças ao seu modo de vida. A pesca artesanal, base da subsistência local, está sendo impactada pela sobrepesca – com a presença constante de embarcações industriais – pela construção de portos e ferrovias, pela exploração de petróleo e até pela especulação imobiliária, que dificulta o acesso a áreas tradicionalmente utilizadas pelos pescadores.

Um estudo do Projeto Maretórios Amazônicos, publicado na revista científica Marine Policy, detalha os desafios enfrentados pelos moradores. A pesquisa, que envolveu entrevistas com 20 moradores, oficinas e observação direta na comunidade, mapeou os pontos fortes, fracos, as oportunidades e as ameaças à gestão costeira da região.

“O modelo atual de gestão costeira exclui e marginaliza milhares de comunidades tradicionais. Nosso estudo busca propor alternativas que garantam participação real e protagonismo às populações locais”, explica o ecólogo Vitor Renck, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e um dos autores do artigo.

Com base na experiência em Jubim, os pesquisadores propõem cinco princípios para uma gestão costeira mais justa e sustentável, buscando uma abordagem decolonial que valorize o conhecimento e as práticas das comunidades locais. A ideia é que esses princípios sejam implementados de forma conjunta, e não isolada.

Marajó: desafios e oportunidades

Apesar das dificuldades, Jubim apresenta potencial para o desenvolvimento do ecoturismo comunitário. Com suas praias, igarapés e áreas de mata preservada, a comunidade pode gerar renda de forma sustentável, conciliando a preservação da biodiversidade com a manutenção de seus modos de vida tradicionais.

“Nosso objetivo é que os cinco princípios que propomos possam orientar a revisão da Política Nacional de Gerenciamento Costeiro, garantindo a participação real das comunidades e promovendo justiça azul, ou seja, uma distribuição mais justa dos benefícios e dos impactos do desenvolvimento costeiro”, afirma a bióloga Leandra Gonçalves, professora do Instituto do Mar da Unifesp e supervisora do estudo.

A pesquisa foi financiada por diversas instituições, incluindo as Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Pará (FAPESPA), a Fundação Araucária e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e contou com a participação de mais de 40 pesquisadores de diferentes universidades e áreas do conhecimento.

Foto: Marilu Cruz/Acervo Pesquisadores

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