Foto: Divulgação/SGB
Um novo estudo do Serviço Geológico do Brasil (SGB) revelou que mais de 1,4 milhão de pessoas estão expostas a riscos geológicos e hidrológicos na Amazônia Legal. O levantamento, apresentado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) em Belém, mapeou 2,6 mil áreas de risco alto e muito alto em 354 municípios da região – quase metade das cidades amazônicas (45,7%).
O Atlas de Risco Geológico da Amazônia, como é conhecido o estudo, consolidou 13 anos de mapeamento em nove estados: Amazonas, Acre, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão. Os estados do Amazonas, Acre e Rondônia tiveram 100% de seus municípios mapeados.
De acordo com o SGB, Pará e Amazonas concentram a maior parte da população em risco, com cerca de 567 mil pessoas e 1,9 mil setores mapeados. O Tocantins, por outro lado, apresenta apenas nove áreas de risco identificadas. A diretora-presidente do SGB, Sabrina Góis, destacou a importância do atlas para o planejamento territorial e a redução de desastres.
“O Atlas de Risco da Amazônia é um documento estratégico que contribui diretamente para o planejamento territorial e para a redução de desastres. Esse trabalho mostra o compromisso do SGB com o governo federal em produzir conhecimento que apoie políticas públicas voltadas à adaptação climática, à segurança das populações e à proteção do bioma amazônico”, afirmou Sabrina Góis.
A principal ameaça identificada é a inundação, que afeta quase metade das pessoas em risco (691.989 indivíduos) e é responsável pela maior parte das ocorrências (1.348). Outros riscos incluem erosão, movimentos de massa e fenômenos específicos da região, como as chamadas “ilhas flutuantes” e “terras caídas”, que impactam comunidades ribeirinhas.
O SGB recomenda o mapeamento e monitoramento contínuos das áreas de risco, a definição de zonas não edificáveis em áreas vulneráveis, o investimento em drenagem urbana, a educação ambiental e o reassentamento de famílias que vivem em áreas de alto risco. A combinação de soluções de engenharia com estratégias baseadas na natureza, como a restauração de áreas de preservação, é vista como a abordagem mais eficaz.
O Atlas de Risco da Amazônia está disponível no Repositório Institucional de Geociências do SGB.









