O Arquipélago de Mariuá, no Rio Negro, considerado o maior sistema de ilhas fluviais do mundo e um dos mais importantes ecossistemas de igapó do planeta, está passando por transformações preocupantes. Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), revelaram que a estabilidade desse ambiente natural está sendo ameaçada por eventos climáticos extremos.
Um estudo publicado no periódico internacional Geomorphology demonstra que ciclos irregulares de chuvas e o aumento da temperatura estão alterando a dinâmica desse ecossistema único. A pesquisa analisou dados dos últimos dez anos (2014-2024) e constatou um aumento significativo nos processos de erosão (33%) e deposição de sedimentos (83%) no arquipélago.
Essas mudanças indicam que o sistema está se aproximando de um “limiar de estabilidade”, o que pode levar a transformações morfológicas irreversíveis. Segundo os cientistas, a principal causa desse processo acelerado é a intensificação dos eventos hidrológicos extremos, como cheias e secas severas, que estão se tornando mais frequentes devido às mudanças climáticas e anomalias na temperatura dos oceanos, especialmente a Oscilação Sul-El Niño (ENOS).
O igapó, caracterizado por áreas inundadas pela vegetação aquática, desempenha um papel crucial na biodiversidade da Amazônia e na regulação do ciclo hidrológico. A pesquisa aponta que a intensificação das cheias pode aumentar a deposição de sedimentos nas áreas de planície de inundação, que historicamente apresentavam um déficit desses materiais. No entanto, o rápido aumento da sedimentação pode alterar a composição do solo e afetar a flora e fauna local.
Os pesquisadores, Matheus Silveira de Queiroz, Rogério Ribeiro Marinho, José Alberto Lima de Carvalho e Camila Fuziel Silva, destacam a importância de incluir a geomorfologia fluvial nas políticas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O estudo serve como um alerta para a necessidade de monitorar de perto ecossistemas amazônicos como o Arquipélago de Mariuá e adotar medidas protetivas para preservar sua integridade ecológica e hidrogeomorfológica.
A pesquisa reforça a urgência de ações para combater o aquecimento global e seus impactos sobre a Amazônia, um dos biomas mais importantes do planeta. A preservação do Arquipélago de Mariuá é fundamental não apenas para a região, mas para o equilíbrio climático global.










