Brasileiro é preso nos EUA durante entrevista para visto permanente e família vive angústia. O caso levanta questões sobre a política de imigração
Luciana de Paula, mãe de Matheus Silveira, de 30 anos, descreve a situação do filho como um “pesadelo” após a prisão dele pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE). Matheus foi detido em 24 de novembro de 2025, durante uma entrevista para obtenção do green card (residência permanente) em San Diego, Califórnia.
“Estamos vivendo um pesadelo. Um filho único e muito amado, saiu daqui para estudar lá, o visto venceu, ele conheceu a atual esposa, se apaixonaram e ele não quis voltar, casaram e quando ele vai acertar as coisas, até porque tem o direito a isso, ou achava que tinha”, lamenta Luciana, que mora no Rio de Janeiro. Ela expressa a dor de ver o filho “cair numa armadilha”, enfrentando dificuldades e sendo tratado “como um criminoso que não é”.
O casal, Matheus e Hannah Silveira, estava na etapa final do processo migratório quando a prisão ocorreu. Hannah, veterana do Exército americano e atualmente advogada, relata que o pedido de residência permanente já havia sido aprovado, mas que agentes do ICE invadiram o escritório do U.S. Citizenship and Immigration Services (USCIS) e prenderam Matheus, alegando que havia um mandado por ele ter permanecido no país após o vencimento do visto de estudante.
Matheus está detido no Centro de Detenção de Otay Mesa, em San Diego, e recebeu a permissão para deixar os Estados Unidos voluntariamente, em vez de ser deportado. O casal planeja agora recomeçar a vida no Rio de Janeiro. No entanto, o acordo de saída impede Matheus de retornar aos EUA por 10 anos. A secretária-assistente do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, confirmou que Matheus permanece sob custódia do ICE aguardando os procedimentos de remoção.
Em nota, McLaughlin afirmou que Matheus foi preso como um “estrangeiro ilegal criminoso do Brasil que permaneceu no país após o vencimento do visto de estudante F-1”. A família critica o uso do termo “criminoso”, afirmando que Matheus não possui antecedentes criminais. Hannah relata que o visto de Matheus venceu durante a pandemia de coronavírus.
Apesar de ter estudado aviação e planejar ser piloto no Brasil, o casal enfrentará novos desafios ao retornar. A formação de Hannah não é reconhecida no país, e ela precisará buscar uma nova profissão. Hannah também se sentiu enganada pelas autoridades de imigração durante a reunião em novembro.
O g1 busca contato com o ICE para obter mais informações sobre o caso.
Com informações do G1










