O presidente da França, Emmanuel Macron, e sua esposa, Brigitte, entraram com uma ação judicial nos Estados Unidos contra a influenciadora de direita Candace Owens, buscando comprovar judicialmente que Brigitte Macron é mulher. A ação é uma resposta a alegações repetidas por Owens de que a primeira-dama nasceu do sexo masculino.
A documentação a ser apresentada ao tribunal incluirá evidências fotográficas e laudos científicos, segundo o advogado do casal, Tom Clare. A defesa pretende demonstrar “de forma genérica e específica” a falsidade das acusações, apresentando também fotos de Brigitte Macron grávida e com seus filhos.
“É profundamente perturbador pensar que alguém precise se submeter a esse tipo de prova”, declarou Clare, enfatizando a determinação de Brigitte Macron em “esclarecer os fatos” e encerrar a disseminação de informações falsas. O advogado ressaltou que a primeira-dama está disposta a enfrentar o “fardo” da exposição pública para defender sua honra.
As alegações de Owens ganharam força após um vídeo publicado em 2021 no YouTube por blogueiras francesas, e remontam a teorias da conspiração que circulam em espaços online marginais há anos. O casal Macron já havia vencido um processo por difamação contra as blogueiras na França, mas a decisão foi anulada em apelação sob o argumento da liberdade de expressão – um princípio constitucional francês.
Em um contexto de crescente polarização política e proliferação de fake news, o caso Macron-Owens reflete a crescente dificuldade em combater a desinformação e proteger a reputação de figuras públicas. A ação judicial nos Estados Unidos, onde o ônus da prova em casos de difamação envolvendo personalidades públicas é elevado, exigirá que o casal Macron demonstre “malícia real” – ou seja, que Owens divulgou informações falsas conscientemente ou com imprudência.
Em agosto de 2025, Macron justificou a decisão de recorrer à Justiça em entrevista à revista Paris Match, afirmando que se trata de uma questão de “defender minha honra” diante de um “absurdo” alimentado por uma ideologia e com ligações com a extrema direita. Owens, por sua vez, defende a veracidade de suas alegações e invoca o direito à liberdade de expressão.
A equipe jurídica de Owens argumenta que o caso não deveria ser julgado em Delaware, onde a influenciadora não possui negócios, alegando prejuízos financeiros e operacionais. A BBC tentou contato com a defesa de Owens, sem sucesso até o momento.
O caso levanta questões sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade de influenciadores digitais na disseminação de informações falsas, em um cenário global onde a desinformação representa um desafio crescente para a democracia e a estabilidade social.










