França bloqueia acordo UE-Mercosul! Macron critica falta de garantias para agricultores e ameaça vetar pacto
O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou nesta quinta-feira (18) que a França não apoiará a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul sem salvaguardas adicionais para os agricultores franceses. A declaração foi feita em Bruxelas, antes de uma reunião de cúpula da UE.
“Quero dizer aos nossos agricultores, que manifestam claramente a posição francesa desde o início: consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, afirmou Macron à imprensa. Ele também antecipou que a França se oporá a qualquer “tentativa de forçar” a adoção do pacto comercial com o bloco sul-americano.
A oposição francesa se baseia na preocupação de que produtores latino-americanos operem sob padrões ambientais menos rigorosos, colocando os agricultores franceses em desvantagem. Apesar de garantias obtidas da Comissão Europeia para setores específicos, os produtores franceses consideram as barreiras insuficientes.
O Parlamento Europeu já aprovou medidas de proteção e um mecanismo de monitoramento para produtos sensíveis como carne bovina, aves e açúcar, que poderiam levar à aplicação de tarifas em caso de desestabilização do mercado. No entanto, a França insiste no adiamento da assinatura, prevista para este sábado (20) no Brasil.
A Itália também manifestou ceticismo, com a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmando que seria “prematuro” firmar o acordo sem garantias de reciprocidade para o setor agrícola italiano. A posição italiana é crucial, pois, juntamente com a França, Polônia e Hungria, poderia formar uma maioria qualificada para bloquear o pacto.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, planejava viajar ao Brasil para a assinatura do acordo, que foi concluído após mais de duas décadas de negociações com Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Resta saber se a pressão francesa será suficiente para impedir a formalização do acordo.
Em discurso no Parlamento italiano, Meloni disse estar confiante de que as condições necessárias para a assinatura do acordo comercial poderão ser atendidas no início do próximo ano.
Com informações do G1









