Em discurso duro, presidente francês acusa EUA de ‘desrespeitar normas internacionais’ e sinaliza distanciamento de aliados
O presidente francês, Emmanuel Macron, acusou os Estados Unidos de “desrespeitar as normas internacionais” e de se “distanciando progressivamente” de seus aliados, em um contexto de crescente “agressividade neocolonial”. A declaração foi feita durante seu discurso anual aos embaixadores franceses.
“Os Estados Unidos são uma potência consolidada, mas estão se distanciando progressivamente de alguns de seus aliados e desrespeitando as normas internacionais que ainda promoviam até recentemente”, afirmou Macron. Suas declarações ocorrem após a intervenção militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, e as ameaças de anexação da Groenlândia.
Macron também expressou preocupação com o funcionamento das instituições multilaterais, que ele descreveu como “cada vez pior”. “Estamos evoluindo para um mundo de grandes potências com uma verdadeira tentação de dividir o mundo”, acrescentou, afirmando “rejeitar o novo colonialismo, o novo imperialismo”.
Embora a França tenha celebrado o fim da “ditadura de Maduro”, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, classificou a operação militar dos EUA como “ilegal” e “contrária à Carta das Nações Unidas” na terça-feira. Nesse cenário, Macron defendeu que a União Europeia (UE) proteja seus interesses e fortaleça a regulamentação do setor tecnológico, além de acelerar a agenda de preferências comerciais europeias.
A França, que preside o G7 este ano, buscará promover uma “reforma da governança global”. Macron apelou para que “os grandes países emergentes que desejam participar” se unam a esse objetivo. O presidente francês já havia defendido uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, incluindo potências emergentes, e manifestado apoio à inclusão do Brasil como membro permanente.
Em um encontro bilateral anterior, Emmanuel Macron e Donald Trump já haviam demonstrado divergências em diversas questões. A postura de Macron reflete uma crescente insatisfação europeia com a política externa dos Estados Unidos sob a atual administração.
Com informações do G1










