Por José Sidney Andrade dos Santos
Enquanto o Brasil enfrenta uma das cargas tributárias mais altas do mundo, inflação persistente em itens básicos e desemprego que ainda assombra milhões de famílias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aos 80 anos, desfruta do Carnaval como se o país vivesse um paraíso fiscal. Vídeos recentes mostram o petista pulando animadamente no circuito Campo Grande, em Salvador (BA), ao som da banda BaianaSystem, acompanhado da primeira-dama Janja. No dia seguinte, seguiu para o Rio de Janeiro acompanhar desfile em camarote oficial, onde uma escola de samba (Acadêmicos de Niterói) o homenageou com samba-enredo exaltando sua trajetória — tudo isso em pleno ano de eleições presidenciais.
O contraste é gritante: Lula “pula” Carnaval, mas é o povo que paga a conta.
Corrupção que não para e escândalos que se acumulam
Desde os tempos do Mensalão e do Petrolão — escândalos que marcaram os governos anteriores do PT e resultaram em condenações (algumas anuladas posteriormente), mas com valores bilionários desviados —, a percepção de impunidade persiste. Críticos apontam que, no atual mandato, casos como supostos desvios em ministérios, superfaturamentos em obras públicas e favorecimentos em contratos continuam surgindo em investigações e reportagens. Enquanto isso, o presidente aparece em festas populares, projetando imagem de “homem do povo” descontraído.
A oposição argumenta: recusar ou minimizar essas ilegalidades seria o mínimo esperado de um chefe de Estado. Em vez disso, o foco parece estar na folia.
Dinheiro público vira palanque carnavalesco
Reportagens recentes destacam repasses de milhões de reais do orçamento federal para agremiações carnavalescas. O governo destinou verbas significativas a escolas de samba (incluindo R$ 12 milhões citados em críticas), algumas das quais usaram o enredo para enaltecer Lula diretamente — com refrãos como “Olê, olê, olê, olá, Lula” e menções à sua figura política. O TCU (Tribunal de Contas da União) analisou e manteve os repasses, mas ações judiciais e questionamentos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) alegam propaganda eleitoral antecipada financiada pelo contribuinte.
Enquanto o povo aperta o cinto com aumento de impostos (combustíveis, energia, alimentos), o dinheiro público banca luxo, trios elétricos e enredos que soam como jingle de campanha disfarçado de “cultura popular”. Isso não é investimento em tradição; para muitos, é desvio de prioridade.
O povo paga — e continua esperando soluções reais
A lista de “contas” que o brasileiro arca é longa:
Alta carga tributária que financia não só serviços essenciais, mas também festas e homenagens políticas.
Corrupção sistêmica que drena recursos de saúde, educação e infraestrutura.
Inflação corroendo o poder de compra, enquanto o presidente “esbanja disposição” na folia.
Desigualdade que cresce, com o Nordeste (base eleitoral forte do PT) recebendo atenção midiática em Carnaval, mas ainda sofrendo com seca, falta de empregos e serviços precários.
Lula pode até pular ao som de axé e arrocha, mas o povo não está dançando: está pagando a conta de um governo que, para muitos, prioriza a imagem e o palanque em vez de resultados concretos contra a corrupção e a favor da população.
Chega de circo enquanto o Brasil queima. O Carnaval termina na Quarta-feira de Cinzas, mas as contas — e as responsabilidades — ficam para o ano todo.













