Lula expressa frustração com a demora da União Europeia em ratificar o acordo de livre comércio com o Mercosul, cobrando uma decisão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou nesta quarta-feira (17) a falta de consenso na União Europeia sobre o acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul. A expectativa inicial era de que o tratado fosse assinado durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu (PR), no sábado (20), mas países como França e Itália ainda resistem em aprovar a medida.
Lula revelou que a data da reunião do Mercosul foi alterada de novembro para dezembro a pedido da União Europeia, que acreditava poder aprovar o acordo até o dia 19. No entanto, a aprovação não se concretizou. “Eu vou para Foz do Iguaçu na expectativa de que eles digam sim, e não digam não. Mas, também, se [a União Europeia] disser não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles, porque nós cedemos a tudo que era possível a diplomacia ceder”, afirmou o presidente durante reunião ministerial na Granja do Torto, em Brasília.
O Parlamento Europeu aprovou na terça-feira (16) os mecanismos de salvaguarda para importações agrícolas relacionados ao acordo, um avanço importante após 26 anos de negociação. Contudo, o texto aprovado é mais rigoroso que a proposta original da Comissão Europeia, o que exige novas negociações com o Conselho Europeu, que havia apoiado a versão anterior.
Caso entre em vigor, o acordo criará a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo os 27 países da UE e os cinco do Mercosul. As negociações estão em andamento, com reuniões do Conselho Europeu programadas para quinta (18) e sexta (19). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderia viajar à cúpula do Mercosul para assinar o pacto se houver aprovação.
Lula criticou a demora e as motivações por trás da hesitação europeia. “O acordo é mais favorável para eles do que para nós. O [presidente da França, Emmanuel] Macron não quer fazer por causa dos agricultores deles, a Itália não quer fazer, não sei por causa do quê. O dado concreto é que nós, do Brasil e nós, do Mercosul, trabalhamos muito para aceitar esse acordo e passar uma ideia”, declarou. Para a aprovação no Conselho Europeu, é necessária maioria qualificada: pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, representando 65% da população do bloco.
A França lidera a resistência, com receios de que o mercado agrícola francês seja prejudicado pela concorrência dos produtos do Mercosul. A Itália, Polônia e Hungria também se mostram relutantes, enquanto Áustria e Irlanda podem se opor. A Bélgica, por sua vez, já anunciou que se absterrá da votação.
Com informações do G1







