Lula avalia convite de Trump para conselho de paz em Gaza, mas mantém críticas a Netanyahu e defende a Palestina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve avaliar ao longo da semana o convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o Brasil integrar o “Conselho de Paz” para a Faixa de Gaza. Integrantes do governo brasileiro informam que a decisão dependerá da análise de diversos aspectos.
Entre os pontos a serem considerados estão os objetivos do conselho, a composição (quais países aceitarão participar), a posição desses países em relação à guerra e os possíveis custos financeiros decorrentes das decisões tomadas. O anúncio da criação do conselho foi feito na semana passada, e Lula ainda não se manifestou sobre o convite.
Segundo a Casa Branca, o conselho terá como foco questões como o fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital. No entanto, diplomatas brasileiros expressam dúvidas e ressaltam a necessidade de esclarecimentos. “Nada disso está claro”, afirmou um diplomata envolvido nas conversas.
O governo brasileiro considera essencial consultar outros países com relevância no tema antes de tomar uma decisão. “Trocar ideias com outros países relevantes na questão, é assim que se constrói uma posição em questão de tamanha relevância”, explicou o diplomata. A posição do Brasil é de reconhecimento do Estado da Palestina, e Lula já criticou publicamente as ações do governo de Benjamin Netanyahu, acusando-o de praticar atos de “genocídio” contra o povo palestino e de tentar o “aniquilamento de seu sonho de nação”. O chanceler Mauro Vieira classificou as ações militares israelenses em Gaza como uma “carnificina”.
A criação do “Conselho de Paz” é vista como um elemento-chave da segunda fase do plano de Washington para encerrar a guerra em Gaza. Trump afirmou que o conselho é “o maior e mais prestigiado já reunido”. O Brasil tentou, sem sucesso, aprovar uma resolução na ONU em outubro de 2023, pedindo um cessar-fogo e a entrada de ajuda humanitária em Gaza, mas o veto dos EUA impediu a aprovação. Desde então, o relacionamento entre Brasil e Israel se deteriorou devido às críticas de Lula.
Apesar das críticas, o governo brasileiro afirma apoiar iniciativas que possam garantir a paz na região. A avaliação do convite de Trump ocorre em um contexto complexo, marcado por divergências diplomáticas e pela busca por uma solução para o conflito israelo-palestino.
Com informações do G1










