Convidado por Trump, Lula, que chamou a situação em Gaza de ‘genocídio’, integrará conselho de paz. Entenda o contexto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar um “Conselho de Paz” com o objetivo de buscar soluções para a crise na Faixa de Gaza. O convite ocorre em um momento de tensões, dado que Lula já criticou abertamente a postura do governo de Benjamin Netanyahu, aliado de Trump, em relação aos palestinos.
Em diversas ocasiões, Lula classificou a atuação de Netanyahu como um “genocídio” em Gaza, afirmando que não se trata apenas de um “extermínio do povo palestino”, mas de uma tentativa de “aniquilamento de seu sonho de nação”. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro também se manifestou, defendendo a retirada completa das tropas israelenses e questionando a legalidade e a ética das ações militares.
O Brasil reconhece o Estado da Palestina, diferentemente dos Estados Unidos e de Israel. No ano passado, o país tentou aprovar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que visava um cessar-fogo e a entrada de ajuda humanitária em Gaza, mas a iniciativa foi vetada pelos EUA, sob a justificativa de que o texto não reconhecia o direito de Israel de se defender.
Lula tem criticado tanto as ações do Hamas quanto a resposta de Netanyahu, o que gerou um distanciamento diplomático entre Brasil e Israel. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também se pronunciou, denunciando a “carnificina” praticada pelo governo Netanyahu. “Acredito que é uma situação terrível o que está acontecendo. Há uma carnificina. É uma coisa terrível o que está acontecendo. Há um número elevadíssimo [de mortes de] crianças. É algo que a comunidade internacional não pode ver de braços cruzados”, afirmou Vieira em maio de 2023.
Vieira também defendeu o direito de Israel de se defender, mas ressaltou que as ações contra civis em Gaza “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”. Ele reiterou a posição brasileira de condenação aos atos terroristas do Hamas e de crítica à “atitude do Estado de Israel, do atual governo de Israel, pelas atrocidades e pela reação desproporcional contra uma população civil”.
A criação do “Conselho de Paz” é vista como um elemento central da segunda fase do plano de Washington para encerrar a guerra em Gaza. Trump afirmou nas redes sociais que o conselho é “o maior e mais prestigiado já reunido em qualquer momento e lugar”. A Casa Branca informou que o conselho discutirá temas como governança, relações regionais, reconstrução, investimentos e financiamento.
Com informações do G1










