Groenlândia diz ‘não’ a Trump: líderes locais rejeitam a ideia de serem comprados pelos EUA e defendem a autodeterminação
Vista de casas em Nuuk, na Groenlândia, em 22 de junho de 2025. Kwiyeon Ha/AP Photo/Arquivo
Os líderes dos partidos da Groenlândia rejeitaram os repetidos apelos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os norte-americanos assumam o controle da ilha, afirmando que o futuro do território deve ser decidido por seu próprio povo. “Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”, disseram o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e outros quatro líderes partidários em comunicado divulgado na noite de sexta-feira (9).
Trump voltou a manifestar seu desejo de fechar um acordo para comprar a Groenlândia, uma região semiautônoma que faz parte da Dinamarca, aliada da Otan, “da forma fácil”. Segundo ele, se os EUA não controlarem a ilha, Rússia ou China o farão — e Washington não quer esses países como vizinhos. “Se não fizermos da forma fácil, vamos fazer da forma difícil”, disse Trump, sem detalhar o que isso significaria. A Casa Branca indicou que está considerando diversas opções, incluindo o uso de força militar, para adquirir o território.
Os líderes partidários reiteraram que “o futuro da Groenlândia deve ser decidido pelo povo groenlandês”. “Como líderes políticos da Groenlândia, gostaríamos de enfatizar mais uma vez o nosso desejo de que cesse o desrespeito dos Estados Unidos pelo nosso país”, afirma o comunicado. Autoridades da Dinamarca, da Groenlândia e dos Estados Unidos se reuniram na quinta-feira, em Washington, e planejam um novo encontro na próxima semana para discutir a nova ofensiva da Casa Branca.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que uma tomada da Groenlândia pelos EUA significaria o fim da Otan. Trump, por sua vez, declarou estar disposto a sacrificar a aliança militar para conquistar o território. O comunicado dos líderes groenlandeses enfatiza que “o trabalho sobre o futuro da Groenlândia ocorre em diálogo com o povo groenlandês e é conduzido com base no direito internacional”. “Nenhum outro país pode interferir nisso”, acrescenta o texto. “Devemos decidir o futuro do nosso país sozinhos, sem pressão por decisões rápidas, adiamentos ou interferência de outros países.”
O documento foi assinado por Nielsen, Pele Broberg, Múte B. Egede, Aleqa Hammond e Aqqalu C. Jerimiassen. Apesar de ser a maior ilha do mundo, a Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes e não possui forças armadas próprias, sendo sua defesa responsabilidade da Dinamarca, cujo poder militar é significativamente menor que o dos Estados Unidos. Não está claro como os demais membros da Otan reagiriam a uma possível tomada de controle da ilha pelos EUA ou se ofereceriam apoio à Dinamarca.
Com informações do G1










