Informação é com a gente!

29 de novembro de 2025

Informação é com a gente!

29 de novembro de 2025

Liderança na produção do cacau depende da vontade política, aponta debate em audiências proposta por Acir

peixe-post-madeirao
peixe-post-madeirao
Jornal Madeirão - 12 anos de notícias

Últimas notícias

08/10/2025
Aviso de licitação: Pregão eletrônico – licitação n. 90011/2025 – menor preço global
02/10/2025
Publicação legal: Termo de Homologação – Pregào 9009/2025
01/10/2025
Termo de Anulação – Processo Administrativo nº: 72868/2024
01/10/2025
Aviso de dispensa de licitação – PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº: 79818/2025
09/09/2025
Publicação legal: Aviso de reagendamento de licitação – 90010/2025
08/09/2025
Aviso de reagendamento de licitação – processo 72868/2024
01/09/2025
Aviso de reagendamento de licitação: processo administrativo 77824/2025
27/08/2025
Publicação Legal: Aviso de Licitação – Processo Administrativo Nº 72868/2024
27/08/2025
Publicação Legal: Aviso de Reagendamento de Licitação – Processo Administrativo Nº 77824/2025
25/08/2025
Publicação legal: Aviso de Reagendamento de Licitação Ampla Participação

A volta do protagonismo brasileiro na produção de cacau depende de mais investimentos em pesquisa e de ações como o fortalecimento da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). Essa é a conclusão de um debate promovido pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), nesta terça-feira (15), sobre o avanço dos estudos e a importância da extensão rural para o incremento da cultura do cacau no Brasil. A audiência pública foi presidida pelo senador Acir Gurgacz (PDT-RO).

Ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Ceplac está presente em seis estados (Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará e Rondônia), além do Distrito Federal. O órgão existe há 62 anos e tem a missão de promover ações para o desenvolvimento da produção de cacau.

Para o senador Acir Gurgacz só a união de todos em torno de uma política pública de longo prazo, com pesquisa, assistência técnica, extensão rural e crédito, poderá estimular a retomada do crescimento na produção e na exportação de cacau. 

Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) realiza audiência pública interativa para tratar sobre os avanços da pesquisa no âmbito da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e a importância do trabalho de extensão rural, executado pelo órgão, no aumento da produção e produtividade do cacau brasileiro, visando principalmente os pequenos e médios produtores rurais do país.
Em pronunciamento, à mesa, presidente da CRA, senador Acir Gurgacz (PDT-RO).
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

“O Brasil já foi o maior exportador de cacau do mundo, com uma produção de quase 500 mil toneladas/ano. Hoje, ocupa a sétima posição na produção mundial e só um grande esforço coletivo do governo e dos produtores é que poderá colocar o país de volta no topo da produção”, frisou Gurgacz.

O extensionista Ivan Costa e Sousa, da Ceplac, disse que o órgão nunca teve um projeto aprovado por programas de fomento. Ele criticou a diminuição dos recursos para a pesquisa e as dificuldades de acesso ao crédito pelos produtores. Segundo o debatedor, o alto número de pesquisadores aposentados, sem reposição, e a falta de uma política nacional de desenvolvimento da cultura do cacau são outros entraves ao setor.

“O país precisa de um projeto porque, até agora, o governo não declarou o que quer do cacau do Brasil. A gente precisa saber: vamos plantar, renovar, ampliar áreas cultivadas, reduzir, aumentar produtividade? Vamos para onde? Do jeito que está não pode ficar”, declarou.

O pesquisador Kepler Euclides Filho, da Embrapa, ressaltou que recursos para pesquisa não são gastos, mas investimentos. “Se o Brasil tivesse desenvolvido estudos no tempo certo, o país não teria consumido tanto dinheiro para eliminar doenças como a “vassoura-de-bruxa”, que devastou a lavoura cacaueira na Bahia na década de 1990”. Para Kepler, a volta da liderança brasileira nessa cultura também passa pela capacitação dos produtores e por um esforço conjunto de instituições como a Ceplac: “Quanto mais nos fortalecermos nesse aspecto, inclusive com o apoio da classe política e com a disposição das universidades, mais poderemos fazer a comunicação das tecnologias e capacitar nosso pessoal de campo”.

Aurelino Moreno da Cunha Neto, da Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudeste da Bahia, observou que a lavoura cacaueira já gerou milhares de empregos e renda para o país. Ele também pediu empenho dos parlamentares no fortalecimento da Ceplac e mais recursos para o desenvolvimento de tecnologias de combate a pragas: “Peço apoio a todo esse grupo político, e parabenizar a todos os outros estados, também preocupados como nós, da Bahia. E que todos nos unamos para combater pragas como foi a “vassoura de bruxa”, que tanto prejudicou a nossa região”.

Vontade política

O autor do requerimento para a audiência pública, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), considerou importante para o país discutir o trabalho da Ceplac, especialmente em favor dos pequenos e médios produtores. Para o parlamentar, a volta do Brasil ao topo da produção e comercialização do fruto também é uma questão de vontade política e de investimentos.

Dados do Mapa, citados por Acir, indicam que foram produzidas no país, em 2018, cerca de 180 mil toneladas de cacau, numa área de 745 mil hectares. A produção gerou 4,5 mil empregos diretos nas fábricas, moedoras e beneficiadoras, movimentando cerca de R$ 14 bilhões no período. O Brasil, no entanto, já foi o maior exportador de cacau no mundo, com uma produção de quase 500 mil toneladas por ano. 

“A retomada da produção e da qualidade do cacau brasileiro é o nosso desejo e o principal objetivo do Projeto de Lei 4.107/2019, de autoria do senador Angelo Coronel (PSD-BA) e relatado por mim. A proposta contempla a sustentabilidade econômica, social e ambiental do cacau e garante ao produtor acesso a todas as linhas de crédito para incentivo à atividade”, explicou Acir.

Ao ressaltar a importância do cacau e de seus derivados para a economia nacional e para a geração de emprego, principalmente no campo, o senador observou que a intenção é incrementar essa atividade econômica recuperando áreas degradadas e sem promover devastações.

Secretário adjunto da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Pedro Alves Corrêa Neto, destacou o potencial do Brasil para retomar o destaque na cadeia mundial de produção do cacau. Ele disse que o governo enxerga a grandiosidade das associações produtivas e é consciente dos desafios, principalmente relacionados à organização das estruturas de apoio, como a Ceplac.

Neto informou que a ministra Tereza Cristina determinou a criação de um grupo de trabalho formado por entidades que entendem do assunto e reconhecem a grandeza do setor. O intuito, segundo o secretário, é ajudar o país reassumir o patamar de produção do passado, requerido até mesmo pela indústria nacional.

“Estamos falando de tecnologia, de aumento da renda, do fortalecimento do produtor e de desenvolvimento regional. O Ministério reconhece e sabe a diferença entre fazer pesquisa, gerar aprendizado e transferir esse conhecimento para o campo. Nosso desafio é sempre refletir sobre maneiras de fortalecer essa cadeia produtiva, inserida no setor agropecuário, tão robusto neste país”, ponderou.

e-Cidadania

Internautas de vários estados enviaram comentários sobre a audiência pública, por meio do portal e-Cidadania, do Senado. Para Lázaro Gomes Rodrigues, do Espírito Santo, se as cooperativas fossem melhor utilizadas, geridas e fiscalizadas, poderiam ajudar a promover um avanço sobre a produção do cacau no país. Chirley Diniz, da Paraíba, disse que os pequenos produtores precisam de mais acesso a créditos bancários para investirem na cultura, além de mais oportunidades para renegociar dívidas.